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A coluna viu antes: Greca com Sandro Alex

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Na segunda-feira, esta coluna apontou que Rafael Greca dificilmente chegaria candidato ao Governo. Dias depois, os bastidores passaram a confirmar aquilo que a leitura política já indicava:  Rafael Greca dificilmente chegaria até a convenção como candidato ao Governo do Estado.

A leitura era simples. Enquanto outros pré-candidatos montavam chapas, anunciavam alianças, escolhiam vices e desenhavam palanques, Greca fazia exatamente o contrário. Não revelava vice, evitava cravar candidato ao Senado, pouco falava sobre deputados e respondia às perguntas com a elegância que lhe é peculiar, porém sempre sem entregar o jogo.

Agora, com a informação de que Greca já teria negociado a vice de Sandro Alex, a tese ganha força. Para quem acompanha apenas os discursos, a mudança parece repentina. Para quem observa os movimentos de bastidor, ela apenas confirma um roteiro que, na leitura desta coluna, vinha sendo construído há meses.

No tabuleiro

Greca nunca se comportou como quem estava disposto a enfrentar uma guerra eleitoral. Faltavam os ingredientes básicos de uma candidatura competitiva. Não havia grupo consolidado, não havia estrutura montada e nem sinais de que ela seria construída.

Silêncio que dizia muito

Toda vez que perguntado sobre vice, Senado ou composição da chapa, Greca respondia sem responder. Elegante, respeitoso, mas sempre evasivo. Quem conhece política sabe que, muitas vezes, o silêncio fala mais que um discurso.

A candidatura que não crescia

Uma candidatura majoritária precisa atrair partidos, prefeitos, deputados e recursos. Nada disso aconteceu. O tempo passou e o isolamento político só aumentou.

O ensaio

O lançamento da candidatura própria pode ter servido muito mais como instrumento de negociação do que como projeto definitivo. Na política, nem todo lançamento significa largada. Alguns servem apenas para valorizar o passe antes do acerto final.

O efeito dominó

A entrada da União Progressista no grupo governista estreitou ainda mais o espaço para uma candidatura independente do MDB. O cenário mudou rapidamente e reduziu as alternativas políticas.

Ratinho reorganiza o jogo

Independentemente das razões que o levaram a deixar de ser apontado como presidenciável, o governador passou a concentrar esforços na sucessão estadual. O resultado, até aqui, é uma base política ainda mais ampla e menos fragmentada.

Moro mudou o desenho

A consolidação da candidatura de Sergio Moro ao Senado alterou o equilíbrio das negociações. O espaço para múltiplos projetos dentro do mesmo campo político diminuiu, exigindo novos arranjos entre os principais atores.

A matemática venceu a vaidade

Convenções emocionam. Bastidores decidem. Quando os números, as alianças e a estrutura apontam numa direção, dificilmente o resultado final caminha para outra.

Menos improviso do que parece

Para parte da opinião pública, tudo aconteceu de uma semana para outra. Para quem acompanha os bastidores, a impressão é diferente: os movimentos vinham sendo construídos há bastante tempo.

A política não costuma desperdiçar movimentos

Se confirmada oficialmente a composição Sandro Alex–Rafael Greca, o Paraná verá apenas a formalização de uma engenharia política que, para muitos observadores, já dava sinais claros desde o primeiro semestre.

A coluna apenas observou os sinais

Na política, nem sempre a notícia nasce no anúncio oficial. Muitas vezes ela aparece antes, nos gestos, nas omissões, nos silêncios e na ausência de movimentos que deveriam existir. Foi exatamente nesses detalhes que esta coluna sustentou sua análise. Agora, resta acompanhar se as convenções apenas confirmarão aquilo que os bastidores já vinham indicando.

E agora, Marli e Beto, apostado no cavalo errado?

Marli Gonçalves trocou sua histórica identidade de esquerda pelo MDB acreditando que o partido teria uma candidatura própria ao Governo. Se a composição com Sandro Alex se confirmar, o MDB muda completamente de papel, e a prioridade deixa de ser construir um projeto próprio.

Beto Lunitti também fez sua aposta. Voltou ao velho MDB imaginando que Rafael Greca sustentaria uma candidatura ao Palácio Iguaçu ou, no mínimo, disputaria uma vaga na Assembleia, fortalecendo o partido no interior. Nenhuma das duas hipóteses, até aqui, prosperou.

No fim, os dois parecem ter cometido o mesmo erro: olhar para a fotografia e não para o filme. Enquanto apostavam em um cenário, os bastidores já desenhavam outro.

Na política, quem chega atrasado à leitura do jogo acaba disputando uma eleição que os verdadeiros jogadores já decidiram meses antes. É uma análise política possível dos acontecimentos; a confirmação do desenho completo dependerá das convenções e da formalização das chapas.

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