Integrantes da turma de Agronomia de 1973 da Universidade Federal de Santa Maria estão reunidos no município entre os dias 17 e 19 de setembro; grupo reúne profissionais que construíram trajetórias no cooperativismo, pesquisa, extensão rural e produção agropecuária brasileira
Toledo é palco, nesta semana, de um encontro marcado pela amizade, memória e por importantes trajetórias profissionais. Integrantes da turma de Agronomia de 1973 da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) estão reunidos na cidade entre os dias 17 e 19 de setembro para celebrar os 53 anos de formatura e uma convivência que começou ainda em 1970, quando ingressaram na universidade.
O grupo, conhecido como Agrogrife 73, mantém há décadas a tradição dos reencontros. Desta vez, aproximadamente 20 a 22 engenheiros agrônomos, vindos de diferentes regiões do Brasil, participam da programação preparada em Toledo.
A proposta do encontro também é apresentar Toledo aos antigos colegas, destacando a estrutura da cidade, a gastronomia e a força do agronegócio regional.
Um dos organizadores do encontro é o ex-vereador de Toledo e engenheiro agrônomo Leoclides Bisognin, que destacou a importância de manter viva a amizade construída ao longo de mais de cinco décadas.
“Comemoramos hoje os 53 anos de nossa formatura, reunidos aqui em Toledo, no Olinda Parque Hotel. É notável que grupos consigam manter essa tradição de reencontro a cada dois ou três anos”, afirmou.
Bisognin recordou que, em 2023, o grupo celebrou os 50 anos de formatura com a presença do ex-ministro da Agricultura Cirne Lima.
“Recordo-me que, em 2023, celebrávamos os 50 anos de formatura na presença do ministro Cirne Lima. Em nossa cidade existe uma avenida que homenageia o ministro, e tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Na ocasião, registramos uma fotografia dele ao lado da placa com seu nome”, contou.
Segundo Bisognin, os integrantes da turma construíram trajetórias que ajudaram no desenvolvimento da agricultura e do próprio País.
“Estas figuras notáveis, que tanto contribuíram para o desenvolvimento do Brasil, merecem toda a nossa gratidão, algo que jamais poderemos retribuir à altura. É uma satisfação indescritível recebê-los e partilhar esse momento de afeto”, declarou.
TOLEDO SURPREENDE VISITANTES
Bisognin também destacou a reação dos colegas que ainda não conheciam Toledo.
“Muitos destes convidados desconheciam Toledo, mas, ao visitarem nossa cidade, percebendo sua limpeza, seu desenvolvimento e o pujante setor agrícola, demonstram grande emoção. Para mim, que cheguei aqui em 1976, é uma alegria ainda maior testemunhar o progresso de Toledo, que, com apenas 74 anos de emancipação, já se mostra uma cidade admirável. Sinto-me plenamente realizado por fazer parte desta história”, disse.
Ele relatou que alguns participantes sequer conheciam a realidade do município antes da visita.
“Muitas pessoas desconheciam Toledo e nunca haviam ouvido falar da nossa cidade. No entanto, ao visitarem o município e presenciarem o nosso nível de limpeza e produtividade, elas se surpreendem e frequentemente questionam: ‘Que município é este?’. Sinto-me profundamente realizado com essa receptividade”, acrescentou.

Para Bisognin, a dimensão emocional de um reencontro como este é difícil de ser explicada às novas gerações.
“Para quem é mais jovem, é difícil dimensionar a emoção de reencontrar um colega com quem se iniciou a trajetória em 1970. Reencontrar alguém após tantos anos, poder abraçá-lo e recordar o início da nossa jornada, quando éramos muito diferentes do que somos hoje, torna o laço de amizade ainda mais forte e significativo”, afirmou.
O organizador ressaltou ainda que muitos dos integrantes tiveram participação importante na agricultura nacional.
“São pessoas com uma trajetória de vida admirável e que contribuíram imensamente para o desenvolvimento do Brasil”, completou.
A escolha de Toledo como sede do encontro também tem significado especial. Conforme Bisognin, enquanto muitos encontros nacionais são realizados em destinos turísticos tradicionais, o grupo decidiu levar a confraternização para o interior do Paraná.
“Enquanto a maioria dos encontros nacionais ocorre em destinos turísticos tradicionais, como Foz do Iguaçu ou cidades litorâneas, nós trouxemos o encontro da turma de 73 para o interior do Paraná. É uma alegria indescritível receber todos aqui e compartilhar essa experiência tão marcante”, destacou.
CONTRIBUIÇÃO PARA A CONSERVAÇÃO DO SOLO
Entre os integrantes da turma está o pesquisador Hélio Dalbelo, que iniciou sua trajetória profissional na região em 1974 e permaneceu por oito anos trabalhando na Acarpa, atual Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater.
Dalbelo lembrou que participou da estruturação do Plano de Microbacias, projeto considerado importante para o controle da erosão na região.
“Sou pesquisador e, em 1974, iniciei uma trajetória de oito anos na região, colaborando com a Acarpa, atual Emater. Naquela época, fui um dos responsáveis pela estruturação do Plano de Microbacias, um marco fundamental para o controle da erosão na região”, afirmou.
Entre as ações desenvolvidas, ele destacou a implantação de uma curva de nível de 22 quilômetros no município de Céu Azul.
“Entre os projetos, tivemos a implantação de uma curva de nível de 22 quilômetros em Céu Azul, que atravessou diversas propriedades e tornou-se um referencial histórico de conservação de solo”, relatou.
Posteriormente, Dalbelo seguiu para Brasília, onde aprofundou sua atuação técnica e dedicou grande parte da carreira à cultura do feijão.
Recentemente, encerrou um ciclo de dois anos como presidente da Associação Brasileira de Produtores de Feijão.
“Alcançamos marcos expressivos. Superamos o paradigma de produtividade com o registro de 100 sacas por hectare, totalizando 6.300 quilos, sendo este um recorde de eficiência”, explicou.
Dalbelo também destacou resultados obtidos na produção irrigada.
“Além disso, atingimos um patamar inédito na produção de milho irrigado, na propriedade de Paulo Roberto Bonato, alcançando a marca de 162 sacas por hectare. Vale ressaltar que atingimos esses resultados em apenas 120 dias, um diferencial de produtividade por tempo de cultivo que demonstra a eficácia do modelo que desenvolvemos e aplicamos”, afirmou.
DO PARANÁ PARA O COOPERATIVISMO
Outro integrante da turma é o presidente executivo da Frimesa Cooperativa Central, Elias José Zydek.
Para ele, os encontros representam muito mais do que uma simples confraternização.
“Hoje é um dia de celebração para a nossa turma de formandos de 1973, da Universidade Federal de Santa Maria. Cada oportunidade de reencontro é motivo de imensa alegria. Em cada olhar e em cada colega, reencontramos uma história”, afirmou.
Zydek destacou que recordar os anos da universidade também proporciona uma renovação pessoal.
“Recordar esses momentos nos revigora e promove um rejuvenescimento em todos os sentidos. Considero essencial fomentar esses encontros para o nosso fortalecimento profissional”, disse.
Segundo ele, cada integrante da turma carrega uma história marcada por trabalho e superação.
“Cada um de nós traz consigo uma trajetória de superação e muito trabalho. Naquela época, o Paraná representava um novo horizonte profissional, e foi a partir desse estado que nossa turma se dispersou por todo o Brasil”, afirmou.
O presidente da Frimesa acrescentou que o encontro permite renovar o espírito de união construído durante a graduação.
“Reencontrar amigos de diversas regiões para confraternizar e renovar o espírito de união, tão forte durante a graduação, é uma satisfação indescritível. É, de certa forma, reviver a juventude”, declarou.
Após concluir o curso em Santa Maria, Zydek também iniciou sua carreira no Paraná.
“Minha primeira experiência profissional foi no Paraná, atuando no sistema de extensão rural, na antiga Acarpa, hoje Emater. Após dois anos, ingressei no sistema cooperativista, onde permaneço até hoje”, relatou.
Desde então, construiu sua trajetória dentro do cooperativismo.
“Dediquei minha carreira a construir e fortalecer o cooperativismo e, atualmente, ocupo a presidência da Frimesa. É um privilégio ter consolidado essa carreira e poder contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos produtores, que sempre foi o nosso objetivo principal”, destacou.

56 ANOS DE AMIZADE
O engenheiro agrônomo e produtor rural em Brasília Luiz Vicente Ghesti foi o orador da turma e destacou os 56 anos de amizade entre os colegas.
“São 56 anos de uma amizade histórica”, resumiu.
Ghesti recordou que foi escolhido pelos próprios colegas para representar a turma.
“Há 56 anos, atuei como orador de nossa turma e nunca mais exerci tal função. Naquela época, sob o regime militar, o orador era eleito, e foi a própria turma quem me delegou essa tarefa”, recordou.
Ele explicou que seguiu uma trajetória distante da política partidária, embora alguns colegas tenham optado pela vida pública.
“Por isso, não costumo discursar e segui uma trajetória distinta da política partidária. Contudo, acompanho com admiração a carreira de um colega de nossa turma, que cumpriu quatro mandatos como deputado federal e dois como senador”, afirmou.
Segundo Ghesti, esse colega não conseguiu participar do encontro em Toledo por questões familiares.
“Ele não pôde estar presente hoje, pois cuida de sua esposa enferma e de sua mãe, que se encontra em coma há seis anos. Aqui, contudo, está outro grande colega nosso”, relatou.
PRODUÇÃO AGRÍCOLA EM BRASÍLIA
Ghesti também falou sobre sua trajetória profissional e a satisfação de retornar a Toledo após cinco décadas.
“Sinto uma imensa felicidade em retornar a Toledo após 50 anos. Resido em Brasília há cinco décadas, dedicando meu trabalho à cultura do país”, afirmou.
O engenheiro agrônomo explicou que, ao contrário do que algumas pessoas imaginam, sua atividade em Brasília está ligada diretamente à agricultura.
“Frequentemente, é difícil explicar minhas atividades em Brasília, pois muitos duvidam do que faço ao saberem que não sou funcionário público nem político. De fato, minha esposa, Graça, e eu somos agricultores. Poucos sabem, mas Brasília possui uma agricultura pujante”, destacou.
Ghesti também ressaltou a contribuição de Hélio Dalbelo para o desenvolvimento da produção de feijão no Brasil.
“Tenho o privilégio de conviver com o Dalbelo, um nome de referência nacional e responsável por avanços significativos na segurança alimentar do Brasil”, afirmou.
Ele lembrou que, quando a turma concluiu a graduação, a produtividade média do feijão no Brasil era inferior a dez sacas por hectare.
“Ele aceitou o desafio de alcançar a marca de cem sacas, meta que não apenas atingiu, como superou. Em 2023, na Fazenda MEC, alcançamos 102,4 sacas de feijão carioca por hectare, uma variedade desenvolvida pela Embrapa”, relatou.
53 ANOS DE FORMATURA E 56 ANOS DE CONVIVÊNCIA
A história da turma começou em 1970, quando os jovens ingressaram no curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria. A formatura ocorreu em 1973.
Por isso, em 2026, são comemorados 53 anos desde a graduação e 56 anos desde o início da convivência universitária.
Depois da formatura, os colegas seguiram diferentes caminhos profissionais. Muitos atuaram em instituições de pesquisa, universidades, órgãos de extensão rural, cooperativas e propriedades agropecuárias.
Mais de cinco décadas depois, o reencontro em Toledo mantém viva uma amizade iniciada nos bancos universitários e reúne histórias profissionais diretamente ligadas às transformações vividas pela agricultura brasileira nas últimas décadas.





