O Teatro Municipal de Toledo ficou lotado nesta sexta-feira (18) com a presença das 978 pessoas que se inscreveram para o 2º Seminário Setembro Amarelo – Movimento pela Vida. Com o tema “Toda vida tem valor. Toda vida merece cuidado”, o evento foi promovido pelo Departamento de Saúde Mental (DSM), vinculado à Secretaria de Saúde de Toledo (SMS).
Na plateia estavam profissionais, gestores, estudantes, representantes da rede intersetorial e integrantes da comunidade de Toledo e região, que acompanharam uma programação dedicada à prevenção do suicídio, à promoção da saúde mental e à valorização da vida. Ao longo do dia, foram abordadas questões relacionadas ao sofrimento psíquico, ao processo de luto por suicídio, à identificação de sinais de alerta e às formas de cuidado.
O seminário integrou as ações do município voltadas à conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio e reuniu, em um mesmo espaço, profissionais de diferentes áreas e representantes da comunidade para formação, debate e troca de conhecimentos. A realização foi feita em parceria com o câmpus local da Universidade Norte do Paraná (Unopar), responsável pela emissão dos certificados de participação.
Na recepção do Teatro Municipal, o público também pôde conhecer uma exposição de trabalhos de artesanato produzidos por pessoas atendidas pelos três Centros de Atenção Psicossocial de Toledo (Caps II, Caps Infantil e Caps AD).
Palestras – Após a abertura oficial, o público acompanhou um vídeo institucional sobre os serviços oferecidos pelo Departamento de Saúde Mental. Na sequência, a psicóloga Deise Rosa ministrou a palestra magna “Luto por Suicídio: Cuidado que fortalece vidas após uma perda”, que abriu a programação de conteúdos técnicos do seminário.
No período da tarde, as atividades foram retomadas com uma apresentação cultural da Banda Reshflame, da Casa da Cultura. Em seguida, o médico Eder Chicareli Balestri conduziu a palestra “A pessoa que sofre: Um olhar que vai além do diagnóstico”, propondo uma abordagem sobre o sofrimento que considere a pessoa para além de um diagnóstico. A programação foi encerrada com a médica Paola Santos de Moraes, que apresentou o tema “Prevenção do Suicídio: sinais de alerta e manejo”, tratando dos sinais que podem indicar situações de risco e das formas de abordagem e cuidado.
Abertura – O prefeito Mario Costenaro relacionou a preocupação com a saúde mental às transformações nas relações sociais e no cotidiano e defendeu a ampliação de iniciativas de cuidado e prevenção, com atenção à escuta, ao compartilhamento e ao respeito mútuo. “A questão da saúde mental é algo preocupante, não só no serviço público. Nas empresas, nas famílias, é algo que está realmente tomando proporções não desejáveis”, comentou Costenaro. “O saber ouvir, o saber compartilhar com o colega suas dores, o saber entender, se colocando no lugar do outro, pode abrir possibilidades para que encontremos ações mais efetivas para enfrentar esse tema”, ressaltou.


Na opinião do vereador Gabriel Baierle, é importante ampliar a atenção à saúde mental dos servidores públicos, especialmente daqueles que atuam diretamente no atendimento à população. “Atualmente, 23% dos afastamentos no serviço público são relacionados à saúde mental”, observou o presidente da Câmara. “Precisamos debater e falar sobre isso para cuidar também de quem cuida das pessoas, que são os nossos servidores, que se relacionam diretamente com as pessoas”, pontuou.
O promotor José Roberto Moreira, da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Toledo, abordou as dificuldades estruturais relacionadas ao atendimento e destacou a necessidade de ampliar a atenção para identificar situações de sofrimento que podem passar despercebidas. “Temos hoje três grandes desafios nesta área: a dificuldade de diagnóstico, o acesso ao serviço e, quando já se tem o diagnóstico, a demora do tratamento”, enumerou Moreira. “É algo que demanda a nossa atenção. Como é que se identifica uma situação suspeita, um cenário, um contexto que pode levar a um desfecho trágico? Não está escrito na testa”, indagou.
O diretor da 20ª Regional de Saúde, Fernando Pedrotti, enfatizou a importância das relações pessoais, da sensibilidade e da capacidade de escuta e acolhimento diante de uma rotina cada vez mais acelerada e marcada pelo isolamento virtual. “Hoje, infelizmente, a nossa vida tem sido cada vez mais no plano virtual. Mas o apoio, a sensibilidade, a atenção, o estar aberto para o outro, certamente é muito mais possível quando nos relacionamos de forma pessoal, de forma real”, analisou o diretor da 20ª Regional de Saúde. “Temos uma sociedade que produz doença, que, por conta do seu modo de viver, com menos contato e mais correria, gera mais estresse, doença, sofrimento e condições que põem a vida em risco”, alertou.
Segundo a secretária de Saúde de Toledo, Adriane Monteiro, é fundamental reconhecer sinais de sofrimento e compreender que a prevenção do suicídio é uma responsabilidade compartilhada, que envolve não apenas os serviços públicos, mas também as relações cotidianas. “Precisamos de apoio, precisamos entender algumas situações em que podemos ajudar. Particularmente, já vivi a perda em família e entre amigos, e é difícil”, relatou Adriane. “É muito importante que nós possamos compreender um pouco, entender como podemos identificar esses sinais. Que nós possamos escutar mais e ter uma percepção mais sensível diante dos nossos entes queridos, amigos, familiares e pacientes”, ressaltou.
E a diretora do Departamento de Saúde Mental, Janaína Gomes, por sua vez, sublinhou que a prevenção do suicídio e a promoção da saúde mental exigem uma atuação coletiva, baseada no fortalecimento da rede de cuidado e na capacidade de reconhecer e acolher situações de sofrimento. “A prevenção do suicídio não se dá por uma única categoria profissional, por um único atendimento ou por um único serviço. A saúde mental, a prevenção do suicídio, ela é responsabilidade do coletivo, de todos nós, de todas as políticas, da família, da escola, do local de trabalho”, salientou a diretora do DSM. “Considero que uma das responsabilidades mais importantes do nosso setor é fazer com que a rede se torne uma rede de fato, com pontos de cuidado que se reconhecem, se articulam e compartilham responsabilidades”, realçou.
Fonte: Secom/Pref. de Toledo





