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Fonte: CEPEA
Fonte de dados meteorológicos: Wettervorschau 30 tage
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Simepar alerta: confirmação de tornados depende de análise técnica e levantamento de danos

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Foto: Yuri A. F. Marcinik / Simepar

Diversos vídeos de fenômenos meteorológicos são postados diariamente nas redes sociais, e dividem opiniões. A classificação oficial de qualquer fenômeno, entretanto, passa por uma série de análises dentro de uma metodologia seguida pelo Simepar, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná. A classificação precisa e cientificamente comprovada dos fenômenos é importante, entre outros fatores, para a climatologia, para pesquisas científicas, e para embasar a elaboração de políticas públicas. A confirmação de um tornado e a determinação de sua intensidade são processos distintos e dependem da integração de diferentes fontes de evidência.

As imagens de radar auxiliam os meteorologistas a observar a movimentação e intensidade das tempestades. Um radar é capaz, dependendo da proximidade com o local da ocorrência, de identificar se há rotação dentro da tempestade, e se há detritos na atmosfera que possam ter sido arremessados pelo impacto de um tornado.

Os registros de danos, entretanto, são essenciais para a classificação de um tornado. Por este motivo, as imagens feitas pela população e os relatos feitos à Defesa Civil são fundamentais para que os meteorologistas do Simepar identifiquem que aquele sinal que observaram no radar é compatível com uma ocorrência que, efetivamente, ocasionou um tornado.

Assim que recebem as primeiras imagens e relatos da Defesa Civil e da população, os meteorologistas validam as informações através das imagens do radar meteorológico e de satélite, podendo ou não confirmar a ocorrência de um tornado, avaliando a consistência das evidências com a ocorrência do fenômeno. Uma vez confirmado, inicia o trabalho de classificação com a análise dos danos ocasionados pelo tornado para estimar a intensidade do fenômeno e a faixa de velocidade dos ventos associada aos danos observados dentro da Escala Fujita, que vai de F0 a F5.

Outros fenômenos também podem causar danos, e esta etapa é fundamental para diferenciar um tornado de outras ocorrências. No caso de ventos associados a correntes descendentes, como os produzidos por downbursts ou pela região de saída da corrente descendente de retaguarda (RFD) de uma supercélula, o padrão de danos tende a apresentar componente predominantemente divergente ou orientado de maneira semelhante, enquanto danos tornádicos frequentemente apresentam convergência e mudanças espaciais na orientação dos danos.

Um tornado pode ser classificado como mais ou menos intenso a partir da análise dos danos produzidos. Essa avaliação considera diferentes indicadores de dano e o grau de dano observado em cada indicador, levando em conta características como o tipo de estrutura ou objeto atingido, suas dimensões, condições construtivas, resistência, ancoragem e estado prévio, além das características físicas e biológicas no caso da vegetação. São avaliados, entre outros elementos, danos em árvores, edificações, estruturas de concreto e metálicas, postes e torres, bem como objetos arremessados ou deslocados. A classificação não é determinada por um dano isolado, mas pela análise conjunta dos indicadores e do padrão espacial dos danos.

Para compreender em detalhe os danos e determinar a trajetória do tornado, além de seu diâmetro e intensidade, os meteorologistas realizam levantamentos de campo, conversando com moradores e analisando, registrando e georreferenciando in loco os danos registrados pelo fenômeno. Também são utilizados mapeamentos aéreos realizados com drones equipados com sensores de alta resolução e, dependendo da necessidade, com aviões ou helicópteros para aerolevantamentos. Além disso, são realizadas comparações de imagens de satélite obtidas antes e depois das ocorrências, incluindo a análise da diferença do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI).

O trabalho em parceria entre as equipes de meteorologia, infraestrutura e de geointeligência do Simepar demora alguns dias após o retorno da equipe que foi a campo. As imagens são comparadas, os dados são analisados, mapeados, até que toda a trajetória do fenômeno seja definida e a classificação seja encerrada seguindo todos os critérios da Escala Fujita.

Foto: Fernanda Deslandes / Simepar

LAUDO – O trabalho de classificação é finalizado com a produção de um laudo meteorológico, que detalha todas as características do fenômeno encontradas durante o estudo. A nota técnica é um documento com responsabilidade técnica, elaborado por profissionais legalmente habilitados, e é utilizada internamente por vários órgãos governamentais e de pesquisa.

A classificação dos eventos de tornados pode apontar recorrências, locais mais prováveis e intensidades, importantes para a climatologia. A ciência precisa das confirmações técnicas para a documentação e pesquisas, e os municípios precisam da classificação para o registro legal das ocorrências e elaboração de políticas públicas.

PREVISIBILIDADE – Os tornados são fenômenos extremamente concentrados. Eles geralmente se originam de tempestades severas, especialmente supercélulas, que possuem uma região de rotação interna, denominada de mesociclone. O tornado se forma quando essa rotação se intensifica e se estende até o solo.

Embora seus ventos possam superar os de um furacão, os tornados têm dimensões muito reduzidas — normalmente centenas de metros a poucos quilômetros — e duram poucos minutos. Justamente por isso, a previsão de um tornado é incerta em escalas espaciais e temporais muito pequenas. Com antecedência de algumas horas, é possível identificar ambientes favoráveis à ocorrência de tempestades severas com potencial tornádico; entretanto, determinar se uma tempestade específica produzirá um tornado, e exatamente onde isso ocorrerá, depende do monitoramento em tempo real.

ALERTAS – O Simepar possui atualmente 204 estações hidrológicas, 103 estações meteorológicas, 35 estações pluviométricas, 10 inclinômetros (sensores de movimento), três radares meteorológicos, seis sensores de raios, além de mini barcos, aviões autônomos e drones com sensores de mapeamentos. O monitoramento das condições atmosféricas 24 horas pelos meteorologistas, através dos dados de equipamentos como estes, permite identificar se a combinação de fatores atmosféricos poderá gerar um tornado.

Quando existem áreas do Paraná que podem ser atingidas por tempestades, um aviso meteorológico é divulgado. No Boletim de Gestão de Riscos, elaborado pelo Simepar em parceria com a Defesa Civil Estadual, são listados os riscos associados às tempestades previstas. Os boletins ficam disponíveis no site da Defesa Civil, e o Simepar também publica no site (www.simepar.br) matérias detalhando a previsão, bem como a palavra do meteorologista atualizando as condições atmosféricas. Vídeos dos meteorologistas trazem, ainda, a previsão do tempo nas redes sociais.

A partir do momento em que o risco de um fenômeno mais intenso é identificado, o Simepar aciona o Centro de Gerenciamento de Risco e Desastre (Cegerd) da Defesa Civil Estadual, que emite os alertas para a população, horas ou minutos antes. Os alertas ficam disponíveis no site da Defesa Civil, nas redes sociais da instituição, e são enviados para as pessoas que cadastraram o número de celular para receber os alertas. O cadastro é feito através do envio de um SMS para o número 40199. Em situações extremas, os alertas são enviados por meio do Defesa Civil Alerta (DCA), com a tecnologia Cell Broadcast, independentemente de cadastro. O alerta produz um aviso sonoro e sobrepõe qualquer outra atividade do celular.

Muitas vezes, uma mesma região recebe uma sequência de comunicados, pois os alertas sobem de nível conforme o risco aumenta. Inicialmente, é emitido um Aviso de Tempo, enviado com várias horas de antecedência para informar a possibilidade de instabilidade. Se a ameaça se confirma e oferece risco alto para algum transtorno, um alerta laranja é enviado. Por fim, na iminência do fenômeno, quando é identificado o risco muito alto, é enviado o alerta vermelho. Essa progressão garante que a população seja avisada com antecedência e alertada no momento exato de agir.

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Edição nº2824 – 16/06/2026

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