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Granizo surpreende moradores de Bom Princípio e marca primeiros efeitos do El Niño em Toledo

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A propriedade da família Weisheimer, em Bom Princípio, ficou coberta por pedras de gelo após cerca de 30 minutos de chuva de granizo. Foto: arquivo pessoal

Por Marcos Antonio Santos

Temporal com chuva intensa, raios e pedras de gelo atingiu o distrito na tarde de domingo (28). Defesa Civil reforça orientações de prevenção e alerta para a previsão de mais temporais nos próximos meses

O fenômeno El Niño foi oficialmente confirmado e estabelecido em meados de junho de 2026, com previsão de persistir até o final do verão austral. O padrão climático trará chuvas volumosas e riscos de temporais para a Região Sul, enquanto aumentará a temperatura e a seca em grande parte do Centro-Norte brasileiro. Toledo registrou, no fim de semana, os primeiros efeitos do fenômeno, com raios, trovões, fortes chuvas e queda de granizo.

Uma das regiões mais atingidas pelo granizo foi o distrito de Bom Princípio, que sofreu com o mau tempo na tarde de domingo (28).

BOM PRINCÍPIO – Os irmãos Geraldo e Carmen Weisheimer compartilharam nas redes sociais os danos causados pela forte chuva de granizo que atingiu a propriedade na tarde de domingo.

O fenômeno surpreendeu os moradores. Segundo a família, que reside no local desde 1971, nunca havia sido registrado um granizo tão intenso e duradouro. A tempestade persistiu por cerca de 30 minutos, deixando uma grande quantidade de gelo, galhos e folhagens espalhados pela propriedade, que agora passam por limpeza.

Ao falar sobre o momento vivido, Geraldo relatou: “Foi um evento inédito. Já havíamos visto fenômenos semelhantes pela televisão, mas presenciar algo assim foi assustador. As pedras de gelo eram enormes; algumas chegavam ao tamanho da palma da mão e outras ultrapassavam o comprimento de um celular. Quando atingiam o solo, se fragmentavam com muita força”.

Carmen também descreveu o impacto da tempestade: “Foi terrível. Fiquei em estado de choque ao ver a proporção do granizo. Parecia que tinha nevado. A propriedade ficou completamente coberta de gelo. O impacto das pedras na piscina provocava ondas enormes. Felizmente, apesar de algumas telhas quebradas e de goteiras, estamos todos bem e em segurança”.

Apesar dos danos em árvores, telhados e estruturas da propriedade, a família passa bem. A avaliação dos prejuízos na lavoura será realizada nos próximos dias. Foto: Gazeta de Toledo
Foto: Gazeta de Toledo

PREJUÍZOS – Sobre os prejuízos na lavoura, Geraldo explicou que ainda é cedo para fazer uma avaliação. “Vamos precisar de pelo menos uma semana para vistoriar toda a área. A vegetação ao redor, principalmente as árvores, sofreu danos visíveis, mas acreditamos que a lavoura talvez não tenha sido tão afetada. Minha mãe, Dona Diva, de 97 anos, já presenciou muitas tempestades ao longo da vida, mas nunca viu nada comparável a esse granizo”.

Agora, a prioridade da família é a limpeza da propriedade. “Hoje o dia será dedicado à remoção dos resíduos deixados pela tempestade. Apesar do transtorno, seguimos em frente. A vida no campo tem suas particularidades e desafios, bem diferentes da correria da cidade”, afirma Geraldo.

DEFESA CIVIL – O coordenador municipal da Defesa Civil, José Carlos Queiroz da Silva, informou que, apesar da forte chuva que atingiu Toledo, os principais registros foram de pontos isolados de alagamento, especialmente na região do Jardim São Francisco, além da queda de duas árvores.

Segundo Queiroz, as equipes estão vistoriando os locais afetados e encaminhando as demandas para a Secretaria de Infraestrutura. “Foram registrados apenas alguns pontos de alagamento e a queda de duas árvores. Felizmente, não tivemos ocorrências mais graves no município”, afirma.

Ele destacou que, diante de eventos climáticos extremos, o papel da Defesa Civil é atuar principalmente na prevenção e na resposta aos danos. “Hoje trabalhamos muito com a prevenção. Não conseguimos evitar tempestades, mas podemos reduzir os impactos com ações preventivas”.

Segundo Geraldo Weisheimer, morador da propriedade desde 1971, nunca havia sido registrada uma chuva de granizo com tamanha intensidade na região. Foto: arquivo pessoal

BOCAS DE LOBO – O coordenador também fez um apelo à população para colaborar na manutenção da cidade. “Pedimos que os moradores verifiquem as bocas de lobo próximas às suas residências e, se houver folhas ou galhos obstruindo a passagem da água, façam a limpeza. Isso ajuda a reduzir os alagamentos”.

Além disso, Queiroz orientou que os moradores revisem telhados, caixas d’água e telhas, certificando-se de que estejam bem fixados. “São medidas simples que fazem diferença quando ocorrem temporais com ventos fortes”.

MONITORAMENTO – A secretária da Defesa Civil de Toledo, Andressa Reis, explicou que assumiu a função em março e que, desde então, a equipe realiza o monitoramento constante das condições climáticas por meio dos boletins emitidos pela Defesa Civil do Paraná em parceria com o Simepar.

Conforme ela, a previsão para a região aponta maior volume de chuvas, com possibilidade de granizo isolado e vendavais. “Acompanhamos diariamente os boletins meteorológicos e pedimos que a população registre as ocorrências junto à Guarda Municipal ou ao Corpo de Bombeiros. Esses dados são fundamentais para contabilizarmos os danos e informarmos a situação do município ao Estado”.

Andressa disse que o acompanhamento dos estragos é permanente e que muitas ocorrências podem ser evitadas com ações preventivas. “Alguns problemas exigem intervenções maiores, mas outros podem ser evitados com a limpeza de bueiros e calhas. Nosso objetivo é aproximar a população da Prefeitura para que essas manutenções sejam feitas de forma preventiva”.

Ela informou que a equipe da Defesa Civil é composta pelo coordenador municipal, pela secretaria e pelo coordenador operacional, responsável por atuar diretamente nas ocorrências, como quedas de árvores e obstruções de vias.

Andressa também orientou a população a evitar situações de risco durante os temporais. “Não recomendamos que as pessoas subam em telhados ou tentem fazer reparos durante a tempestade. O ideal é aguardar o tempo melhorar e acionar os órgãos competentes para garantir a segurança”.

As ocorrências podem ser comunicadas à Guarda Municipal pelo telefone 153, ao Corpo de Bombeiros pelo 193 ou à Defesa Civil pelo número 199.

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Edição nº2824 – 16/06/2026

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