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Eleições 2026: disputa pela Presidência fecha série da Gazeta de Toledo sobre os cargos em votação

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Na corrida pelo Palácio do Planalto, candidatos à Presidência da República entram na reta final antes do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para este domingo, 4 de outubro. A imagem é uma montagem ilustrativa produzida para representar, de forma simbólica, a disputa presidencial. Foto: reprodução

Por Marcos Antonio Santos

No domingo (4), eleitor escolherá seis candidatos; Presidência encerra a ordem de votação e coloca em debate temas como contas públicas, segurança, saúde, educação, relações internacionais e agronegócio

A Gazeta de Toledo encerra nesta sexta-feira (2) a série especial sobre os cargos em disputa nas Eleições 2026. Ao longo da semana, foram apresentados os candidatos a deputado federal e estadual por Toledo, os concorrentes às duas vagas do Paraná no Senado, os candidatos ao Governo do Estado e, agora, as chapas que disputam a Presidência da República.

O primeiro turno será realizado neste domingo, 4 de outubro. Na urna eletrônica, o eleitor votará em seis candidatos, nesta ordem: deputado federal, deputado estadual, senador – primeira vaga, senador – segunda vaga, governador e presidente da República.

12 chapas disputam a Presidência

A disputa presidencial chegou à reta final com 12 chapas validadas para concorrer no primeiro turno. A relação inicialmente contava com 13 candidaturas, mas a chapa do PRTB não permanece entre as concorrentes ao pleito deste domingo.

As chapas são:

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – vice Geraldo Alckmin (PSB);
  • Flávio Bolsonaro (PL) – vice Alfredo Gaspar (PL);
  • Romeu Zema (Novo) – vice Eduardo Girão (Novo);
  • Ronaldo Caiado (PSD) – vice Gilberto Kassab (PSD);
  • Augusto Cury (Avante) – vice Júlio Delgado (Avante);
  • Samara Martins (UP) – vice Raquel Brício (UP);
  • Renan Santos (Missão) – vice Aroldo Medina (Missão);
  • Clariana Barão (DC) – vice Fabiana Torquato (DC);
  • Edmilson Costa (PCB) – vice Cleusa Santos (PCB);
  • Hertz Dias (PSTU) – vice Vanessa Portugal (PSTU);
  • Rui Costa Pimenta (PCO) – vice Antônio Carlos (PCO);
  • Wilson Grassi (Democrata) – vice Suêd Haidar (Democrata).

O que faz o presidente da República?

O presidente é, ao mesmo tempo, chefe de Estado e chefe de Governo. Isso significa que representa o Brasil nas relações internacionais e, internamente, comanda a administração pública federal e conduz as políticas do Poder Executivo.

A Constituição estabelece uma extensa relação de atribuições. Cabe ao presidente nomear e exonerar ministros, dirigir a administração federal, participar do processo de elaboração das leis, sancionar ou vetar projetos aprovados pelo Congresso e editar decretos e regulamentos para executar as leis.

Também estão entre suas competências encaminhar ao Congresso propostas orçamentárias, conduzir as relações com outros países, celebrar tratados sujeitos às regras constitucionais, exercer o comando supremo das Forças Armadas e nomear autoridades para diversos cargos previstos na Constituição, em alguns casos dependendo da aprovação do Senado.

O presidente pode criar leis sozinho?

Não como regra geral. O Brasil adota a separação entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A elaboração das leis passa principalmente pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

O presidente pode apresentar projetos de lei e tem iniciativa exclusiva em determinadas matérias. Depois que uma proposta é aprovada pelo Congresso, pode sancioná-la ou vetá-la, total ou parcialmente. O veto presidencial ainda pode ser analisado e derrubado pelo Congresso Nacional.

O chefe do Executivo também pode editar medidas provisórias nos casos constitucionais de relevância e urgência, mas elas precisam passar pelo Congresso para permanecerem válidas.

Um orçamento de R$ 6,54 trilhões em 2026

A dimensão da responsabilidade do próximo presidente pode ser observada pelo tamanho do Orçamento da União. A Lei Orçamentária de 2026 estima receitas e fixa despesas totais de aproximadamente R$ 6,54 trilhões. Desse montante, cerca de R$ 1,82 trilhão corresponde ao refinanciamento da Dívida Pública Federal.

Para 2027, primeiro ano do próximo mandato presidencial, o projeto orçamentário enviado ao Congresso estima um orçamento total de aproximadamente R$ 7,45 trilhões. O valor ainda é uma proposta e poderá sofrer alterações durante sua tramitação. O limite projetado para despesas primárias é de R$ 2,576 trilhões.

Portanto, quem assumir a Presidência em janeiro de 2027 encontrará decisões que envolvem trilhões de reais e uma estrutura federal que alcança praticamente todas as áreas da vida nacional.

Dívida pública será um dos temas do próximo governo

As contas públicas estarão entre os principais temas econômicos enfrentados pelo governo que assumir em 2027. A mediana das projeções de mercado divulgada em setembro apontava a Dívida Bruta do Governo Geral em 83,2% do PIB para 2026 e 87% para 2027. Para o resultado primário do Governo Central, as projeções indicavam déficit de R$ 52,27 bilhões em 2026 e R$ 45,35 bilhões em 2027. São estimativas e, portanto, podem mudar conforme arrecadação, despesas, juros e desempenho da economia.

O desafio fiscal envolve conciliar o financiamento de políticas públicas, investimentos e programas sociais com o controle do endividamento e das despesas, além de preservar espaço orçamentário para saúde, educação, infraestrutura, segurança e outras áreas.

Próximo presidente encontrará dívida bruta acima de R$ 11 trilhões

Entre os principais desafios econômicos do governo que assumirá em 2027 estará a situação das contas públicas. Em agosto de 2026, a Dívida Bruta do Governo Geral alcançou aproximadamente R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Já a Dívida Pública Federal, administrada pelo Tesouro Nacional, somava R$ 9,293 trilhões.

Além do tamanho do estoque, o custo da dívida é um ponto importante. Somente em agosto, a incorporação de juros à Dívida Pública Federal foi de R$ 88,39 bilhões. O custo médio acumulado da DPF nos 12 meses encerrados em agosto chegou a 12,59% ao ano.

O próximo governo, portanto, terá o desafio de administrar uma dívida de mais de R$ 11 trilhões, conciliando equilíbrio fiscal, pagamento de juros e financiamento de políticas públicas, investimentos, saúde, educação, segurança, infraestrutura e programas sociais.

China, Estados Unidos e política externa

Outro campo estratégico será a política externa. O presidente representa o Brasil internacionalmente e participa da condução das relações diplomáticas e comerciais.

Nesse cenário, as relações com China e Estados Unidos ocupam posição importante para a economia brasileira. Questões comerciais, investimentos, tecnologia, energia, defesa, meio ambiente e negociações multilaterais estarão entre os assuntos que passarão pela agenda do próximo governo.

A política externa também possui relação direta com setores exportadores brasileiros, especialmente o agronegócio, que depende do acesso a mercados internacionais para produtos como soja, carnes, milho, café, açúcar e celulose.

Segurança pública

Embora grande parte da segurança pública seja responsabilidade dos estados, o Governo Federal possui atribuições importantes na área. O presidente comanda a estrutura federal responsável, entre outras funções, pelo enfrentamento de crimes de competência federal, fiscalização das fronteiras, combate ao tráfico internacional, controle de armas dentro das competências federais e articulação de políticas nacionais.

O combate ao crime organizado e a integração entre União, estados e municípios estarão entre os temas que deverão permanecer na agenda nacional.

Saúde

Na saúde, o presidente e o Governo Federal possuem papel central no financiamento e na formulação das políticas nacionais do Sistema Único de Saúde (SUS).

Recursos federais ajudam a financiar hospitais, atenção básica, medicamentos, vacinação, tratamentos especializados e programas executados em parceria com estados e municípios. O desafio envolve ampliar o acesso, reduzir filas, fortalecer a atenção básica e especializada e administrar o crescimento dos custos do sistema.

Educação

Na educação, a União é responsável diretamente pela rede federal, que inclui universidades e institutos federais, além de participar do financiamento e da formulação de políticas que alcançam estados e municípios.

O próximo governo terá pela frente temas como alfabetização, qualidade do ensino básico, formação profissional, ensino superior, pesquisa científica, inovação e financiamento da educação.

Agronegócio

Para regiões como o Oeste do Paraná, o agronegócio terá atenção especial na agenda do próximo presidente. A atuação federal alcança políticas de crédito rural, seguro, defesa sanitária, infraestrutura logística, comércio exterior, pesquisa agropecuária e negociações para abertura e manutenção de mercados internacionais.

Rodovias, ferrovias, portos e armazenagem também influenciam diretamente a competitividade da produção brasileira e dependem, em diferentes graus, de decisões e investimentos públicos e privados.

E qual é a função do vice-presidente?

No âmbito federal, o cargo correto é vice-presidente da República — e não vice-governador, que é um cargo estadual.

O vice-presidente substitui o presidente em impedimentos temporários e assume definitivamente a Presidência caso o cargo fique vago. A Constituição também determina que o vice pode auxiliar o presidente quando for convocado para missões especiais.

Presidente e vice são eleitos conjuntamente na mesma chapa. O mandato presidencial é de quatro anos e, para o vencedor das Eleições 2026, começará em 5 de janeiro de 2027.

A última escolha na urna

Depois de votar para deputado federal, deputado estadual, duas vezes para senador e para governador, o eleitor chegará à sexta e última escolha: presidente da República.

Caso nenhuma candidatura obtenha a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno, haverá segundo turno entre as duas candidaturas mais votadas, conforme determina a Constituição.

Neste domingo, portanto, o eleitor não estará escolhendo apenas quem ocupará o Palácio do Planalto. A chapa eleita receberá a responsabilidade constitucional de comandar o Poder Executivo Federal e administrar uma estrutura pública com orçamento de trilhões de reais, em um mandato marcado por decisões econômicas, sociais, institucionais e internacionais.

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Edição nº2827 – 28/07/2026

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