As eleições de 2026 começam, definitivamente, a sair do campo das especulações para ganhar contornos concretos. Com o período das convenções partidárias em andamento, o tabuleiro político do Paraná passa a revelar seus principais jogadores, alianças estratégicas e projetos de poder que irão disputar o comando do Estado, as vagas no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Embora algumas definições ainda dependam das negociações finais, especialmente para vice-governador e parte das candidaturas ao Senado, o cenário já permite uma leitura consistente sobre quem chega mais fortalecido, quem busca crescer durante a campanha e quais partidos terão papel decisivo na construção das futuras maiorias.
No Paraná, quatro grandes blocos políticos despontam na disputa pelo Palácio Iguaçu. De um lado, o grupo liderado pelo governador Ratinho Junior aposta na força da máquina administrativa e na ampla base de prefeitos e lideranças regionais para impulsionar Sandro Alex. Em outro campo, Sergio Moro procura transformar sua popularidade e identificação com o eleitorado conservador em votos. O MDB tenta consolidar Rafael Greca como uma alternativa de centro, enquanto Requião Filho reúne as principais forças da esquerda em uma candidatura respaldada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É um cenário que, desde já, evidencia uma disputa marcada pelo equilíbrio entre estrutura partidária, capital político e capacidade de mobilização.
Mas, se a corrida estadual ganha força, Toledo também passa a ocupar posição estratégica nesse novo xadrez eleitoral. As convenções municipais começam a confirmar os primeiros nomes que buscarão representar a cidade em Curitiba e Brasília, colocando em evidência lideranças tradicionais, novos projetos políticos e candidaturas que prometem movimentar o eleitorado regional. O Oeste, historicamente protagonista nas eleições proporcionais, mais uma vez deverá exercer papel decisivo na composição da Assembleia Legislativa e da bancada federal do Paraná.
Preparei uma análise sobre o que acompanhei e reuni as principais chapas ao Governo do Estado, os candidatos ao Senado, as alianças partidárias, os partidos que ainda negociam posicionamento, os nomes já homologados nas convenções, a força eleitoral de cada grupo, as bases regionais de influência e uma análise sobre quem larga na frente nesta corrida.
Considerando o cenário o dia 27 de julho de 2026, as convenções partidárias ainda estão em andamento e algumas chapas seguem incompletas. Abaixo estão os nomes que já foram anunciados ou oficialmente homologados pelos principais partidos no Paraná.
| Partido / Coligação | Governo | Vice | Senado |
| PSD/UP/CDN/PSDB/REP | Sandro Alex | Ainda não definido | Alexandre Curi |
| PL | Sergio Moro | Edson Vasconcelos | Filipe Barros |
| MDB | Rafael Greca | Ainda não definido | Ainda não definido |
| PDT + Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) + PSOL/Rede | Requião Filho | Ainda não definido | Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha |
Situação das principais chapas
PSD (grupo do governador Ratinho Junior)
- Governador: Sandro Alex
- Vice: em negociação
- Senado:
- Alexandre Curi
- segunda vaga ainda será definida.
- Coligação reúne PSD, União Brasil, PP, Republicanos, PSDB e Cidadania.
PL
- Governador: Sergio Moro
- Vice: Edson Vasconcelos
- Senado:
- Filipe Barros
- ainda pode haver composição para a segunda vaga.
MDB
- Governador: Rafael Greca
- Vice e Senado ainda dependem da convenção do partido.
Campo de esquerda
- Governador: Requião Filho
- Vice: em negociação entre os partidos aliados.
- Senado:
- Gleisi Hoffmann
- Dr. Rosinha.
Partidos que ainda não apresentaram candidatura própria ao Governo
Até o momento, legendas como Novo, PSB, Podemos, Avante, Solidariedade, PRD, DC, PMB, Agir, Mobiliza, PRTB, UP, PCB, PSTU e outras seguem discutindo apoio, alianças ou candidaturas proporcionais. Muitas tendem a integrar uma das quatro chapas principais.
Cenário atual da disputa
Os quatro nomes que efetivamente polarizam a eleição para o Palácio Iguaçu são:
- Sandro Alex (PSD)
- Sergio Moro (PL)
- Rafael Greca (MDB)
- Requião Filho (PDT)
Cenário das chapas majoritárias (Atualizado em 27 de julho de 2026)
Situação: as convenções seguem até 5 de agosto, portanto algumas vagas de vice-governador e a segunda vaga ao Senado ainda estão em negociação.
PSD – O grupo do governador Ratinho Junior
Governador
Sandro Alex (PSD)
Vice
Em aberto
Senado
- Alexandre Curi (PSD)
- Segunda vaga ainda indefinida
Coligação
- PSD
- Republicanos
- Federação União Progressista (PP + União Brasil)
- Federação PSDB/Cidadania
Principais líderes
- Ratinho Junior
- Alexandre Curi
- Guto Silva
- Ricardo Barros
- Beto Preto
- Marcel Micheletto
- Hussein Bakri
Base eleitoral
Muito forte no:
- Oeste
- Norte Pioneiro
- Campos Gerais
- Centro-Oeste
Pontos fortes
✔ Máquina estadual
✔ Maior tempo de TV
✔ Maior número de prefeitos
✔ Apoio de Ratinho Junior
Fragilidades
- Sandro Alex ainda precisa ampliar seu conhecimento eleitoral em parte do estado.
- Vice e segunda vaga ao Senado seguem em negociação.
PL
Governador
Sergio Moro
Vice
Edson Vasconcelos
Senado
- Filipe Barros
(segunda vaga ainda pode sofrer alterações)
Coligação
- PL
- NOVO
- Podemos
Conversas
- Democracia Cristã
Principais líderes
- Flávio Bolsonaro
- Filipe Barros
- Fernando Francischini
- Marcel Van Hattem (apoio nacional)
Base eleitoral
Muito forte em
- Curitiba
- Região Metropolitana
- Norte
- Sudoeste
Pontos fortes
✔ Lidera diversas pesquisas
✔ Alto índice de conhecimento
✔ Eleitorado conservador consolidado
Fragilidades
- Estrutura municipal menor que a do PSD.
- Coligação mais enxuta até o momento.
MDB
Governador
Rafael Greca
Vice
Ainda indefinido
Senado
Ainda indefinido
Situação
Até o momento, disputa praticamente sozinho.
Principais lideranças
- Anibelli Neto
- João Arruda
- Sérgio Souza
Base eleitoral
- Curitiba
- Região Metropolitana
Pontos fortes
✔ Grande experiência administrativa
✔ Forte imagem na capital
Fragilidades
- Baixo número de alianças.
- Estrutura eleitoral inferior à do PSD e à visibilidade do PL.
PDT / Federação Brasil da Esperança / Federação PSOL-Rede
Governador
Requião Filho
Vice
Ainda em negociação
Senado
- Gleisi Hoffmann
- Dr. Rosinha
Coligação
- PDT
- PT
- PCdoB
- PV
- PSOL
- Rede
Principais líderes
- Gleisi Hoffmann
- Zeca Dirceu
- Arilson Chiorato
- Ênio Verri
Base eleitoral
Muito forte em
- Curitiba
- Região Metropolitana
- Sudoeste
- Assentamentos
- Sindicatos
Pontos fortes
✔ Estrutura nacional do PT
✔ Lula como principal cabo eleitoral
✔ Boa militância
Fragilidades
- Resistência em parte do eleitorado conservador do interior.
Apoios partidários (até agora)
| Candidato | Partidos/Federações |
| Sandro Alex | PSD, Republicanos, União Brasil, PP, PSDB, Cidadania |
| Requião Filho | PDT, PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede |
| Sergio Moro | PL, NOVO, Podemos |
| Rafael Greca | MDB |
Situação do Senado
Confirmados
Alexandre Curi
PSD
Filipe Barros
PL
Gleisi Hoffmann
PT
Dr. Rosinha
PT
Ainda aguardando definição
- MDB
- PSD (segunda vaga)
- PL (eventual composição)
Quem tem mais estrutura hoje?
| Item | Líder |
| Maior coligação | Sandro Alex |
| Mais prefeitos | Sandro Alex |
| Maior máquina pública | Sandro Alex |
| Maior conhecimento popular | Sergio Moro |
| Maior militância | Requião Filho |
| Melhor desempenho em Curitiba | Sergio Moro / Rafael Greca |
| Interior do Estado | Sandro Alex |
Cenário político hoje
A disputa está claramente dividida em quatro grandes campos:
Direita governista
- Sandro Alex
- Ratinho Junior
Direita conservadora
- Sergio Moro
- PL
Centro
- Rafael Greca
- MDB
Esquerda
- Requião Filho
- PT
- PDT
- PCdoB
- PV
- PSOL
- Rede
O que ainda pode mudar até 5 de agosto
Ainda estão em aberto:
- Vice de Sandro Alex;
- Vice de Requião Filho;
- Vice de Rafael Greca;
- Segunda vaga ao Senado em algumas chapas;
- Possíveis adesões de partidos como Avante, Solidariedade, PRD, Agir, Mobiliza, PMB e outros às coligações já existentes.
Análise política
Hoje, o cenário indica três blocos com maior capacidade competitiva:
Sergio Moro chega com forte reconhecimento popular e desempenho consistente nas pesquisas divulgadas até o momento.
Sandro Alex reúne a maior estrutura partidária, o apoio do governador Ratinho Junior e a maior capilaridade municipal.
Requião Filho lidera o campo da esquerda com uma ampla aliança e apoio do presidente Lula.
Rafael Greca permanece como uma candidatura competitiva, principalmente em Curitiba e Região Metropolitana, mas dependerá da ampliação de alianças para ganhar escala estadual
Visão deste jornalista
Na política, nem sempre uma candidatura nasce para chegar ao fim. Muitas vezes, ela serve para fortalecer uma negociação ou ampliar o poder de articulação. A caminhada praticamente solitária de Rafael Greca me leva a acreditar que ainda pode haver uma composição com o grupo de Ratinho Junior. A vaga de vice de Sandro Alex continua em aberto e, se esse movimento se confirmar, o candidato governista ganha musculatura suficiente para crescer na reta final e transformar a disputa em um segundo turno, onde a força da máquina estadual costuma fazer a diferença.
Aos mais apaixonados pela política, principalmente aos conservadores, não levem esta análise para o lado pessoal. Política se faz com estratégia, não com emoção. E Toledo é um exemplo recente disso: Beto Lunitti também iniciou a disputa como favorito e muito popular. No entanto, as urnas mostraram que popularidade, sozinha, não garante vitória. Na política, o jogo só termina quando o último voto é apurado.





