Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Fonte de dados meteorológicos: Wettervorschau 30 tage
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Tudo o que Ele faz é admirável

h

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Dom João Carlos Seneme, Bispo da Diocese de Toledo. Foto: Divulgação

As leituras deste domingo (8/09) nos relatam as cadeias que prendem a humanidade e o modo de libertação. Há muitas situações da vida que podem sufocar o ser humano: o cansaço e a doença, a surdez e a cegueira de todos os tipos, a incapacidade de se relacionar e de falar. O tempo messiânico evocado por Isaías (Is 35,4-7) e a obra de Jesus mostram como Deus age libertando o ser humano de suas prisões e situações que afetam sua dignidade. A relação entre salvação e libertação é o tema proposto pela palavra de Deus neste domingo. Um tema que atinge o ser humano no concreto da vida.

Podemos ler no texto evangélico (Mc 7,31-37) que Jesus se encontra em um território pagão. Trouxeram-lhe um surdo-mudo, e pediram-lhe que impusesse a mão sobre ele. Jesus o levou à parte, longe da multidão, colocou os dedos em seus ouvidos e, com a saliva, tocou-lhe a língua. Com uma única palavra – “abre-te” – os ouvidos do surdo-mudo se abriram e sua língua se soltou. Jesus liberta este homem das correntes que o aprisionavam.

O gesto de Jesus revela que Deus se compadece de quem sofre. O encontro com Cristo leva aquele homem surdo e mudo a sair do seu isolamento e a estabelecer laços familiares com Deus e com todas as pessoas.

A salvação é libertação que manifesta a presença salvífica de Deus na história. No cotidiano podemos perceber fragmentos de libertação que brotam aqui e ali na face da terra. Cristo se encarnou para que o ser humano pudesse alcançar sua plenitude humana.

Effatá (abre-te) é um grito de libertação que cura e salva. A liberdade de que fala a Bíblia está ligada à totalidade, ao ser, à universalidade, à eternidade e ao amor. E só Deus é capaz disso.

A Sagrada Escritura afirma que o ser humano não pode realizar a salvação por si mesmo. Ele não tem esse poder porque não consegue atingir a profundidade do ser e do amor, a totalidade e a universalidade da experiência, a plenitude da vida. Só Deus pode salvar. Contudo, isto não exclui o homem dos processos de libertação histórica, mas o torna responsável por ser, com Deus, o criador daqueles fragmentos de libertação que testemunham a redenção que só Deus pode realizar.

Depois da cura, aquele homem, antes limitado pela doença, se torna um homem novo. Esta transformação não depende somente de Jesus, é preciso que o homem aceite e deixe que Deus realize o milagre. É preciso fé. É preciso conversão. Esta palavra também é dirigida a nós quando nos fechamos no nosso mundo e não nos deixarmos curar por Jesus. Ele faz as propostas, lança desafios, oferece o seu Espírito que transforma e renova o coração do homem; mas o ser humano precisa acolher a proposta de Jesus e abrir o coração aos desafios de Deus.

No final, as testemunhas também participam e exclamam: “Tudo o que Ele faz é admirável” (vers. 37). Somos levados ao livro do Gênesis: “Deus, vendo a sua obra, considerou-a muito boa”. Aceitar Jesus como o Filho de Deus é converter-se em um ser humano novo, aberto a Deus, aos irmãos e à natureza. Neste contexto os discípulos de Jesus têm a missão, seguindo os passos do Mestre, de libertar a humanidade da mudez e da surdez. Fomos criados para a vida fraterna. O caminho para uma fé madura e autêntica é a abertura a Deus e aos irmãos e ouvir constantemente as palavras de Jesus: “Effatá”, isto é, “Abre-te”.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo

Veja também

Publicações Legais

Edição nº2810 – 24/02/2026

Cotações em tempo real