Da Redação
Balnei Rotta afirma que medida deve afetar setores específicos da economia, como etanol, implementos agrícolas e tilápia, mas não deve causar grandes prejuízos à região Oeste do Paraná
O anúncio do governo dos Estados Unidos sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros acendeu um alerta entre setores ligados ao comércio exterior. A medida, que entra em vigor na próxima quarta-feira (22), foi definida após uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e atinge uma série de produtos nacionais.
Para Toledo, no entanto, o impacto direto deve ser limitado, segundo avaliação do secretário da Fazenda de Toledo, Balnei Lorenço Rotta. De acordo com ele, os principais produtos atingidos pela medida não têm forte participação na economia regional.
“Nós ainda não temos números consolidados porque essa é uma situação muito recente. As próprias entidades ainda estão levantando os impactos econômicos. Mas, analisando como secretário da Fazenda e também como economista, acredito que, para a nossa região, o impacto negativo não será tão significativo”, afirmou Rotta.
Segundo o secretário, a pauta de exportações mais afetada pela tarifa envolve setores que não possuem grande concentração produtiva no Oeste do Paraná, como móveis, vestuário, calçados e produtos químicos.
“A tarifação dos Estados Unidos atinge principalmente produtos que não são característicos da nossa região. Nós não somos grandes produtores desses itens, então o impacto direto tende a ser menor”, explicou.

Etanol e milho podem sentir efeitos
Entre os setores que podem sofrer reflexos está a cadeia do etanol, especialmente pela relação com a produção de milho, uma das principais matérias-primas utilizadas pelas usinas.
Rotta explica que uma redução das exportações brasileiras de etanol para os Estados Unidos pode gerar aumento da oferta no mercado interno.
“A partir do momento em que os Estados Unidos dificultam a entrada do etanol brasileiro, pode haver uma sobra do produto no país, o que eventualmente pode reduzir o preço para o consumidor final. Porém, para o produtor de milho, isso pode representar um impacto negativo, porque uma menor demanda da indústria pode afetar toda a cadeia”, destacou.
Implementos agrícolas podem ter impacto
Outro segmento que pode sentir os efeitos da medida é o de implementos agrícolas. Apesar de o Brasil exportar pouco maquinário pesado, como tratores e colheitadeiras, há empresas nacionais que fabricam equipamentos utilizados no campo e vendidos ao mercado norte-americano.
“A indústria de implementos agrícolas, como plantadeiras, grades e outros equipamentos que não são motorizados, exporta bastante para os Estados Unidos. Esse setor pode ser afetado. Por outro lado, se esses produtos deixarem de ser exportados, pode haver uma redução de preços no mercado interno, beneficiando o agricultor brasileiro”, avaliou.
Açúcar e tilápia também entram na lista
O secretário também cita possíveis reflexos em outros segmentos, como o açúcar, derivado da cana-de-açúcar, e a piscicultura.
“O açúcar é um produto que o Brasil exporta bastante e pode sofrer impacto. Aqui na nossa região, temos também a produção de tilápia, que é um setor importante e que pode sentir algum efeito dependendo da abrangência das tarifas”, disse.
Por outro lado, cadeias importantes para o Oeste do Paraná, como soja, carne suína e carne de frango, não devem ser fortemente afetadas pela medida.
“A nossa região tem uma produção muito forte nesses segmentos, e, neste momento, esses produtos não devem sofrer grandes impactos com a nova tarifa”.
Consumidor americano pode sentir aumento
Na avaliação de Balnei Rotta, o principal efeito da medida pode ocorrer dentro do próprio mercado norte-americano, com aumento dos preços dos produtos importados.
“Quem pode acabar sendo mais prejudicado é o próprio consumidor americano, porque esses produtos brasileiros tendem a chegar mais caros aos Estados Unidos. A tarifa encarece a entrada de mercadorias e matérias-primas, o que pode ser repassado ao consumidor final”, analisou.
O secretário reforçou que, apesar de o impacto regional ser considerado pequeno no curto prazo, qualquer redução na atividade econômica brasileira pode gerar reflexos indiretos.
“Tudo que representa diminuição de produção e movimentação econômica acaba tendo algum efeito. Mas, para Toledo e para o Oeste do Paraná, a tendência é de um impacto mais limitado neste momento”, concluiu.





