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Rezar sempre sem nunca desistir

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A parábola deste domingo (16/10) nos coloca diante de dois personagens que vivem na mesma cidade, mas distantes pelas circunstâncias da vida: um juiz e uma viúva solitária. O juiz é um homem surdo a Deus e indiferente ao sofrimento dos outros. A viúva é uma mulher sozinha, desprotegida e sem amparo. A única coisa que pode fazer é gritar pelos seus direitos: “Faze-me justiça contra o meu adversário”! E consegue. O juiz atende o seu pedido porque não quer ser incomodado.

Jesus usa desta história para revelar o modo de Deus agir e acentuar a necessidade de rezar sempre. Deus não é surdo ao grito dos sofredores. Eles podem ter esperança. Precisamos confiar, precisamos invocar Deus de maneira incessante e sem desanimar, precisamos suplicar-lhe que faça justiça àqueles que ninguém defende.

Não podemos esquecer que Jesus está ensinando seus discípulos, principalmente preparando-os para assumir a missão de evangelizadores. Por isso a finalidade da parábola é exortar os discípulos a perseverarem na oração, “orar sempre, sem nunca desistir”. Diante da perseguição por causa da fé, é preciso sempre rezar para não cair no poder da tentação de desistir.

Hoje, mais do que nunca, devemos aprender ou “reaprender” a rezar; não só ficar falando com Deus sem parar, sempre pedindo alguma coisa, mas aprender a fazer silêncio, aprender a escutar, acolher no coração a Palavra de Deus. As pessoas entram em comunhão uns com os outros escutando, assim também os filhos e filhas de Deus entram em comunhão com Ele escutando-o. Passamos da escuta atenta à ação de graças pelo amor de Deus manifestado em seu Filho Jesus Cristo. Pedir a ajuda de Deus não significa, porém, que Ele vai resolver meus problemas e atender minhas necessidades, mas é reconhecer o limite da própria condição humana de que ninguém pode se salvar a si mesmo. Rezar sempre, sem cessar como faz a viúva da parábola, este é o convite que Jesus nos faz, mesmo que, às vezes, pareça que Deus demore a atender. Da nossa parte é necessária a confiança, a insistência, a perseverança a ponto de assumir a mesma atitude de Jesus no Monte das Oliveiras: “Pai, afasta de mim este cálice! Contudo não seja feita a minha vontade, mas a sua”!

A comunidade reunida em nome de Cristo é perseverante na oração. A oração sustenta a missão e o testemunho da Igreja e nutre o dinamismo missionário: “Ide pelo mundo, pregai o Evangelho a toda criatura”! A fé nutre a oração, ela estimula a “saudade” de conversar com Deus e viver em comunhão com Ele. Viver a fé é enfrentar com coragem os desafios e provações da vida. Por isso vamos aceitar corajosamente o convite de Jesus de rezar sempre sem jamais desanimar.

“A oração é necessária não para que Deus conheça as nossas necessidades, mas para que nós tomemos consciência da necessidade de recorrer a Deus, para receber oportunamente os socorros da salvação”, nos lembra Santo Tomás de Aquino. Por sua vez, Santo Inácio de Loyola dá a resposta: “A oração? Um amigo que fala a um amigo, e sabe se calar para o escutar”. Concluo lembrando as palavras do fundador dos Estigmatinos, São Gaspar Bertoni: “A oração é a vida de nossa vida e alma de nossa alma. É como a respiração”.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo

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