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O cristão ama a Deus e vai ao encontro dos necessitados

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O tema da Liturgia do domingo passado é retomado neste dia 25 de setembro com a parábola de Lázaro e o rico egoísta (Lc 16, 19-31). Mais uma vez, a Palavra de Deus nos leva a refletir sobre um tema atual: os milhões de Lázaro que batem às nossas portas ou que pedem para serem acolhidos em nossos países, fugindo da fome e da guerra. É um tema difícil de enfrentar, porém a Igreja é chamada a ser sinal de um mundo novo e apontar novos relacionamentos entre as pessoas e países. 

A parábola apresenta um homem rico que se vestia com roupas finas e elegantes que não presta atenção a um homem pobre, cheio de feridas, que estava deitado no chão à porta do rico. Mais uma vez o evangelista coloca em evidência o pensamento evangélico em relação à riqueza.

O núcleo da parábola se aproxima do tema da primeira leitura. O profeta Amós denuncia a estrutura do pecado em que alguns se encontram: vivem somente para si mesmos; são indiferentes com o sofrimento dos pobres; e têm uma tranquila consciência religiosa sem dúvidas e remorsos. Na parábola, São Lucas sublinha que o homem rico foi condenado não por causa de sua riqueza, mas porque não escutou “a lei e os profetas”, ou seja, não obedeceu a aliança com Deus. Tornou-se surdo ao vínculo fundamental que o une a Deus e aos irmãos, virou as costas para Deus e para o pobre.

O evangelista recorda que a entrada no Reino de Deus não se dá por caminhos extraordinários ou através de aparição dos mortos ou visões da vida depois da morte. Porque – é a resposta definitiva de Abraão ao rico egoísta – “se não escutam a Moisés nem aos profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos”. A vida da salvação é a fidelidade à aliança através de uma obediência eficaz e responsável.

O Deus que o profeta anuncia é exigente: Ele escolheu um povo para ser seu parceiro na aliança e que não abandona os compromissos assumidos. Vamos recordar as palavras do Deuteronômio: “Não aconteça que, quando comeres até te fartares, quando edificares casas bonitas e nelas habitares, quando tuas reses e ovelhas criarem, tua prata e teu ouro aumentares e tiveres abundância de tudo, te tornes soberbo e te esqueças do Senhor teu Deus” (Dt 8,12-14).

Jesus exprime o mesmo conceito quando diz: “A quem muito foi dado, muito será pedido (Lc 12,48). Para Jesus o critério de salvação e juízo não está quando confessamos “Senhor, Senhor”, mas será necessário unir a profissão de fé ao amor aos necessitados (Mt 25,31-46). Esta é a verdade fundamental da aliança que se sustenta na responsabilidade em relação aos pobres.

Retornar à aliança significa novamente proclamar Deus como Senhor da terra e do céu e dos bens que nela existem. A terra é de Deus e devemos administrá-la para o bem de todos. 

Neste domingo encerramos o “Mês da Bíblia” que teve como objetivo ser um tempo privilegiado para aprofundar o estudo de um livro ou uma temática bíblica. O tema do Mês da Bíblia de 2022 é o Livro de Josué e o lema é “O Senhor teu Deus está contigo por onde quer que andes” (Js 1,9). O motivo principal para a escolha do Livro de Josué foi a comemoração dos 200 anos da “Independência do Brasil” (1822). Desse modo, refletimos sobre a importância da terra na nossa história, alimentar a esperança e perceber em toda a trajetória do povo brasileiro a presença benevolente de Deus.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo

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