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Nada como um dia após o outro

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O tempo não falha. Não se vende. Não esquece. Ontem, aplausos. Hoje, despedidas constrangidas. Amanhã, talvez, explicações.

Lá atrás, uma certa conselheira — afinadíssima com o grupo do ex-prefeito e do ex-vice — cantava em uníssono, como as de Angola, em defesa dos mandatários de plantão. Cantava alto. Cantava firme. Cantava sem desafinar.

Mesmo diante do caos escancarado na saúde pública chamado HRT.
Mesmo com números que não fechavam, contratos que tropeçavam e verdades que não sobreviviam ao teste da luz do dia.

A verdade, aliás, nunca foi prioridade.

Curvava-se à mentira, à falcatrua, aos desvios. Tudo embalado no discurso elástico da “governabilidade” — essa palavra que costuma servir de cobertor para muita coisa feia.

Fonte seca, convicção evaporada

Mas Toledo mudou. E, com gestor da verdade no comando, veio o xeque-mate: cortou-se a principal fonte que alimentava o sistema.

A torneira secou. O discurso evaporou. A convicção… bem, essa desapareceu.

Como num passe de mágica, a mesma conselheira surgiu em público para anunciar que não faz mais parte do HRT. Coincidência? Claro que não. Fonte seca, retirada estratégica. A melhor saída é sempre a saída — quando já não há como explicar a permanência.

Despedida bonita, passado constrangedor

Veio, então, o desligamento do Conselho Municipal de Saúde.
A despedida foi educada. Quase lírica. Cheia de palavras bonitas: dedicação, seriedade, responsabilidade. Pedidos de desculpas genéricos, agradecimentos vagos, desejos de sucesso. Tudo muito bonito. Tudo muito protocolar. Só faltou explicar onde estava essa seriedade quando a saúde pública estava fora da casinha.

Retratação sem contexto não convence

Há ainda um detalhe curioso circulando nos bastidores: um possível ofício de retratação. Retratar-se é válido, sem dúvida.

Mas toda retratação exige contexto. Retrata-se de quê?
E, mais importante: por quê? Porque deu ouvidos a fofocas, falou demais e não pode provar?  Sem isso, retratação vira apenas mais uma peça decorativa no teatro institucional.

Prestação de contas ou peça de ficção?

Enquanto isso, o velho problema insiste em não ir embora: a prestação de contas do IDEAS segue incompleta. Ontem, cobrei dos chamados “fiscais de contrato” sobre o milagre administrativo que permitiu a publicação apenas das páginas ímpares referente ao mês de setembro de 2025.

Hoje, a surpresa: repetiu-se o modus operandi. Agora, publicam-se apenas as páginas pares. Fica a pergunta inevitável: Essas páginas pares pertencem a outubro mesmo ou são, na verdade, sobras de setembro? Ou estamos diante de um novo modelo de contabilidade criativa?

Se há confusão, o Ministério Público precisa chamar os fiscais para o limpo.
Porque, do jeito que está, parece menos erro e mais deboche. Estão, literalmente, gozando com a cara do contribuinte.

Cidadão proibido, fiscalização vetada

E, como se não bastasse, outro episódio me chamou atenção. Qual foi o motivo real para um convidado do CAF ser proibido de participar de uma reunião, por ordem da diretora da Secretaria de Saúde? Por que barrar um cidadão comum, autorizado pela presidência e amparado pelas normas?

Medo de perguntas? Medo de explicações sobre o HRT? Medo dos pacotes do “sistema”? Ou medo, simplesmente, da fiscalização? Convém lembrar: fiscalizar o erário público não é favor. É direito. E mais: é dever constitucional.

O silêncio também comunica

Resta saber se o Jurídico vai se manifestar ou se o silêncio continuará sendo a política oficial. Porque, convenhamos, há algo de muito estranho no castelo do Rio Marreco que precisa vir a limpo.

E, como sempre, o tempo — ah, o tempo — continua trabalhando. Silencioso. Implacável. E sem piedade.

Demissão à vista?

Na tarde desta segunda-feira, algo não fechou. Meus urubus estavam agitados. Rodeavam baixo. Interpelei. Silêncio absoluto.

Apenas um recado curto e seco: não é sobre dia 30. E isso diz muito.

O dia 30 ainda pode marcar Toledo — para o bem institucional ou para mais um constrangimento histórico. Dois vereadores sentados no banco dos réus e um contrato da saúde entubado, respirando por aparelhos na UTI administrativa.

Um dos envolvidos garante: a fatura é antiga. Vem lá de trás, da eleição da mesa diretora do legislativo. Política em seu estado mais primitivo — quem deve, paga; quem cobra, cobra caro. E o preço pode ser demissão.

Nada agora. Nada hoje. Só em fevereiro.

Até lá, os urubus seguem em círculos. E quando eles não falam, é porque a coisa é grande.

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Edição nº2805 – 27/01/2026

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