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Júri popular começa em Toledo e julga acusado pelo feminicídio da professora Gabrielle e pelo homicídio do pai

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Foto: Gazeta de Toledo

Por Marcos Antonio Santos

Sessão no Tribunal do Júri da Comarca de Toledo reúne familiares e autoridades; réu responde por dois crimes ocorridos em março de 2024

O Tribunal do Júri do fórum da comarca de Toledo iniciou, por volta das 8h45 desta manhã de terça-feira, 3, o julgamento de Gilvan Francisco Rech, acusado pelos supostos crimes de feminicídio contra a professora Gabrielle de Lima Rodrigues e de homicídio contra o pai dela, Vicente José Rodrigues. Cerca de 50 pessoas acompanham a sessão no plenário.

Logo no início dos trabalhos foi feita a escolha dos jurados que compõem o Conselho de Sentença. O réu responde por dois crimes distintos — feminicídio e homicídio — e, como ainda não houve condenação, é tratado como acusado. O julgamento está sendo conduzido pelo juiz Fabrício Emanuel de Oliveira.

A primeira oitiva da manhã foi do senhor Jair de Lima, tio de Gabrielle. O crime aconteceu em 18 de março de 2024, data em que ele completava 57 anos. Na ocasião, a família participava de um almoço de aniversário quando o acusado teria chegado ao local. Segundo relatos apresentados, o ato teria sido premeditado.

O julgamento deve se estender ao longo da tarde e pode avançar pela noite.


OAB explica os trâmites

O presidente da OAB – Subseção de Toledo, Fabiano Bordignon, falou sobre os trâmites do Tribunal do Júri.

“Basicamente o júri é um julgamento levado a cabo pela população. O Ministério Público é o titular da ação e, neste caso específico, está acompanhado por assistente de acusação. Do outro lado, temos a defesa, que é um direito constitucional”, explicou.

Ele detalhou como funciona a sequência do julgamento:
“Vão ser ouvidas acusação e defesa, teremos os debates orais e, depois, o Conselho de Sentença se reúne para responder aos quesitos e deliberar de forma soberana sobre a condenação ou não.”

Questionado se o julgamento deve terminar hoje, afirmou:
“Depende muito. Eu quero crer que deva terminar hoje. Informações dão conta de que o réu é confesso, então isso diminui um pouco o tempo de discussão. Não quer dizer que já está condenado, mas abrevia a discussão.”

Sobre eventual pena, acrescentou:
“São dois crimes diferentes, com suas respectivas qualificadoras. Se condenado por ambos, a pena é relativamente alta e precisa dar uma resposta à sociedade.”

Foto: Gazeta de Toledo

Família pede justiça

Nice Rodrigues, tia de Gabrielle por parte de mãe, acompanha o julgamento e falou sobre a expectativa da família.

“Eu espero justiça, que a justiça seja feita e que ele pague por tudo que ele fez com ela e com o pai dela. Ninguém merece uma coisa dessas.”

Ela descreveu a sobrinha como uma mulher dedicada e cheia de sonhos.
“A Gabrielle era uma menina querida, trabalhadeira, bem responsável. Só cuidava dos filhos, trabalhava, cuidava da casa. O sonho dela era ser professora, e estava realizando. Também queria ter a casa dela com os filhos.”

Sobre a possibilidade de condenação aliviar a dor da família, respondeu emocionada:
“A dor vai continuar para sempre. A falta dela vai ser sempre. A gente nunca vai esquecer. Eu amava ela, amo ainda. Esteja onde ela estiver.”

Nice afirmou que permanecerá no plenário até o final.
“Vou ficar até o final da sentença ser concedida.”


Aumento dos feminicídios

A presidente da Comissão de Estudos sobre Violência de Gênero da OAB – Subseção de Toledo, Maria Cecília Ferreira, também comentou o cenário da violência contra a mulher.

“O que nós temos visto é um aumento no número de casos de violência contra as mulheres. A imprensa reporta diariamente crimes de diversas formas, e no Brasil inteiro isso não é diferente.”

Ela destacou os números nacionais:
“Pelas estatísticas oficiais, foram mais de mil casos de feminicídio no último ano. Um laboratório de estudos com o qual mantemos contato aponta para mais de seis mil e novecentos casos entre tentados e consumados.”

Sobre o Paraná, afirmou:
“No estado, temos dezenas de feminicídios anualmente. Além disso, o Paraná apresenta números muito altos de estupro e estupro de vulnerável, com municípios entre os que mais registram casos no país.”

Maria Cecília defendeu mudanças estruturais:
“É uma situação bastante complexa. Precisamos que os homens se somem à luta das mulheres contra a violência de gênero e que o sistema de justiça amplie os programas de grupos reflexivos para homens agressores, para que possamos mudar essa realidade.”

O julgamento segue no Tribunal do Júri de Toledo, com a expectativa pelo veredito de um caso que marcou profundamente a comunidade em 2024.

Fotos : Gazeta de Toledo

Nota Oficial – Secretaria da Mulher de Toledo

Hoje, dia em que se realiza o Júri Popular do réu acusado do feminicídio da Gabriele e do assassinato de seu pai em Toledo, a Secretaria da Mulher de Toledo reafirma seu compromisso inabalável com a defesa da vida, da dignidade e dos direitos das mulheres e de toda a família vítima de violência.

Casos como este representam o extremo da violência motivada por desigualdade de gênero e pela cultura de discriminação contra as mulheres, uma realidade que ainda assombra o Brasil e que exige resposta firme das instituições e da sociedade como um todo. O feminicídio é um crime hediondo tipificado no ordenamento jurídico brasileiro, configurando-se quando um homicídio é praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, isto é, quando a violência decorre da violência de gênero e machista.

A Secretaria da Mulher de Toledo presta sua solidariedade à memória de Gabriele e de seu pai, e manifesta profundo respeito pela dor de suas famílias e entes queridos. É inaceitável que a vida de uma mulher e de seus familiares seja interrompida por violência, abuso ou desprezo pela condição humana, e é por isso que reforçamos que a responsabilização criminal é uma etapa essencial da justiça, que deve ser efetiva, célere e orientada pelos princípios de proteção à vida.

Reforçamos também que este episódio trágico nos convoca a intensificar nossas ações de prevenção, acolhimento e proteção às mulheres em situação de risco, bem como fortalecer redes de apoio intersetoriais, incluindo órgãos de segurança pública, Ministério Público, Poder Judiciário e organizações da

sociedade civil, para que outras vidas não sejam ceifadas por decisões baseadas em violência, ódio ou poder. Dados recentes apontam para um aumento significativo no número de casos de feminicídio no país, refletindo a urgência em articular estratégias mais efetivas de prevenção e enfrentamento da violência de gênero.

Destacamos que o trabalho da Secretaria da Mulher de Toledo é contínuo: apoiamos as vítimas de violência, ampliamos o acesso à rede de proteção, promovemos campanhas de conscientização e trabalhamos para que cada mulher tenha seus direitos garantidos e sua voz respeitada.

Que a Justiça hoje seja feita com responsabilidade, seriedade e respeito à vida, e que todos os atores sociais sigamos empenhados em transformar esta dor em ação para um futuro mais seguro, justo e livre de violência para todas as mulheres e suas famílias.

Toledo, 03 de março de 2026.

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Eliane Cristina de Lima Bombardelli

Secretária da Mulher

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Edição nº2810 – 24/02/2026

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