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Fim das exportações de carnes para a União Europeia pode reduzir o PIB em 0,08%

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Foto: reprodução assessoria/Portonave

A União Europeia interrompe nesta quinta-feira (03) a entrada de novas cargas de carne bovina e de aves produzidas no Brasil. A restrição também alcança ovos, pescado, mel, carne de equinos e tripas utilizadas pela indústria. O bloqueio decorre da retirada do País da lista de fornecedores considerados aptos a cumprir as novas regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.

Na prática, produtos acompanhados de certificado sanitário emitido a partir desta quinta-feira não poderão ingressar no bloco. Cargas certificadas até quarta-feira (2) seguem as regras anteriores e poderão concluir o transporte e o desembaraço nos portos europeus.

A decisão não foi motivada pela descoberta de doença nos rebanhos nem pela presença de resíduos na carne exportada. A União Europeia alegou que não recebeu garantias suficientes de que o Brasil poderá comprovar, durante todo o ciclo de vida dos animais, o cumprimento das proibições impostas pelo bloco.

As normas europeias impedem a utilização de antimicrobianos para acelerar o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais e restringem medicamentos considerados essenciais ao tratamento de infecções em seres humanos. O Brasil sustenta que atende às exigências e que já encaminhou os documentos e protocolos solicitados.

Embora represente uma parcela pequena do volume total exportado pelo Brasil, a União Europeia é um dos mercados mais rentáveis para a carne bovina. Entre janeiro e julho deste ano, o bloco comprou 63,7 mil toneladas, com receita equivalente a aproximadamente R$ 3 bilhões.

O volume cresceu 10,4% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a receita avançou 22,8%. A União Europeia respondeu por 3,24% da quantidade de carne bovina exportada pelo País, mas por 4,92% do faturamento. O preço médio ficou próximo de R$ 44,9 mil por tonelada, o maior entre os principais compradores do produto brasileiro.

Em 2025, os embarques de carne bovina para o bloco haviam alcançado 128,9 mil toneladas e aproximadamente R$ 5,4 bilhões. Quando são somadas as carnes de aves e os demais produtos de origem animal afetados, o comércio colocado em risco pela restrição pode se aproximar de R$ 10,2 bilhões por ano.

O impacto sobre a economia brasileira não será suficiente, isoladamente, para comprometer a balança comercial do País. O efeito mais forte deverá aparecer dentro da cadeia pecuária, sobretudo entre frigoríficos e produtores preparados para atender ao mercado europeu, que remunera melhor animais rastreados e cortes de maior valor.

A perda desse destino pode obrigar as indústrias a redirecionar produtos para outros compradores e aceitar preços menores. A substituição não é automática porque cada mercado procura cortes, embalagens e padrões diferentes. Parte da carne vendida à Europa, especialmente os cortes nobres refrigerados, não encontra comprador equivalente com a mesma facilidade.

Os cerca de R$ 10,2 bilhões representam o valor anual das exportações colocadas em risco, e não uma redução automática do PIB. Tomando como referência o PIB brasileiro de R$ 12,7 trilhões em 2025, esse comércio corresponde a aproximadamente 0,08% da economia. Como a suspensão começou em setembro, a parcela potencialmente afetada neste ano ficaria perto de R$ 3,4 bilhões, ou 0,025% do PIB, antes de considerar o redirecionamento dos produtos para outros mercados.

Fonte: Pensar Agro

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