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Fiat 147 completa 50 anos de história no Brasil e mantém viva a paixão de colecionadores de Toledo

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Fiat 147 é destaque no Dia Nacional do modelo, celebrado em 14 de julho. O veículo que marcou a história da indústria automobilística brasileira continua preservado por colecionadores e admiradores do antigomobilismo. Foto: arquivo pessoal

Por Marcos Antonio Santos

Celebrado em 14 de julho, o Dia Nacional do Fiat 147 relembra o modelo que revolucionou a indústria automobilística brasileira e continua reunindo admiradores. Em Toledo, os colecionadores Dari Heck e Marcos Carlin compartilham histórias de vida, viagens e dedicação ao clássico

O dia 14 de julho, esta terça-feira, é celebrado pelos entusiastas como o Dia Nacional do Fiat 147. Foi exatamente nessa data, em 1976, que a Fiat inaugurou oficialmente sua fábrica em Betim (MG), marcando um novo capítulo na história da indústria automobilística brasileira.

Compacto no tamanho, mas gigante em importância, o Fiat 147 foi responsável por introduzir tecnologias inovadoras e se tornou um dos modelos mais marcantes do país.

Fiat 147 marcou momentos importantes na vida de colecionador de Toledo

O integrante do Veteran Car Club de Toledo, Dari Heck, guarda lembranças especiais do Fiat 147. Proprietário de um modelo restaurado, ele conta que a relação com o carro começou em 1982, quando adquiriu o primeiro veículo, ainda solteiro.

Segundo Dari, o Fiat esteve presente em momentos decisivos de sua vida, como o casamento, a mudança de cidade e os primeiros anos de construção da família. “Aquele carro marcou profundamente minha trajetória. Ele me acompanhou durante os anos mais difíceis e também nos melhores momentos”, relembra.

Além do valor sentimental, o veículo também fez parte de inúmeras viagens. “Saíamos em oito pessoas, enfrentando estradas de terra e lama. Muitas vezes o carro atolava, mas nunca desistíamos das viagens”, conta.

Mesmo após adquirir um automóvel mais moderno, Dari manteve o Fiat por vários anos. Quando precisou investir na compra de uma chácara, vendeu o carro mais novo e continuou utilizando o 147 como principal meio de transporte. Ao todo, o modelo permaneceu com a família por cerca de 15 anos.

A despedida do veículo foi um dos momentos mais marcantes. “Minha filha mais nova chorou muito quando vendemos o Fiat. Ele fez parte de toda a infância dela. Nunca vou esquecer aquele dia”, afirma.

O colecionador Dari Heck realizou o sonho de restaurar um Fiat 147 modelo 1986. Após mais de dois anos de trabalho, o veículo voltou às ruas totalmente recuperado e personalizado. Foto: arquivo pessoal

ANTIGO SONHO – Há cerca de dois anos e meio, Dari Heck decidiu realizar um antigo sonho: comprar outro Fiat 147 para restaurá-lo. Após encontrar um modelo 1986 em um anúncio, ele avaliou as condições do veículo, fechou a compra e iniciou um longo processo de recuperação.

“Quando o carro chegou a Toledo, confesso que me assustei com a dimensão do projeto. Mas não costumo desistir dos meus objetivos”, conta.

O veículo passou por mais de um ano de funilaria e pintura antes de seguir para uma revisão completa da mecânica. Suspensão, câmbio, motor e diversos componentes precisaram ser recuperados, além da difícil busca por peças originais.

“O trabalho exigiu muita paciência e dedicação, mas o resultado compensou. Depois da mecânica pronta, o carro ainda passou pelo estofador para ficar do jeito que eu sonhava”, afirma Dari.

DESAFIOS – Mesmo após a restauração da mecânica e do interior, o projeto ainda exigiu paciência. Segundo Dari Heck, o Fiat 147 apresentou uma série de problemas durante os testes, como o rompimento da bomba d’água, que obrigou uma nova retífica no motor, além de pequenos reparos na partida e na ignição.

“Durante dois anos e meio enfrentei vários desafios, mas nunca pensei em desistir”,relata.

Um dos episódios mais curiosos ocorreu quando o carro, deixado engatado, acabou se movimentando sozinho e bateu no portão da garagem, causando danos à lataria.

Após os últimos ajustes, Dari considera o projeto concluído. O Fiat recebeu itens como ar-condicionado, direção elétrica, sistema de som e outros detalhes personalizados.

“Hoje o carro está impecável. Tenho um Jeep Commander, mas sinto muito mais prazer em dirigir o meu Fiat 147. É a realização de um sonho”, destaca.

Fiat 147 proporcionou viagens e amizades, afirma colecionador de Toledo

Marcos Carlin mantém há quase 15 anos um Fiat 147 ano 1980, o quinto exemplar da coleção. Para o integrante do Veteran Car Club de Toledo, o modelo representa amizade, viagens e paixão pelo antigomobilismo. Foto: arquivo pessoal

Integrante do Veteran Car Club de Toledo, Marcos Carlin mantém há quase 15 anos um Fiat 147 ano 1980, o quinto exemplar que possui. A paixão pelo modelo começou ainda na infância, quando viu uma empresa da cidade substituir sua frota de Fuscas por Fiat 147 e picapes da marca.

“Desde criança o Fiat 147 sempre chamou a minha atenção. Meu primeiro carro foi uma Variant 1975, mas logo a troquei por um Fiat 147 1979. Depois disso, nunca mais deixei de ter um”.

Ao longo dos anos, o veículo se tornou muito mais do que um meio de transporte. Com o Fiat, Marcos percorreu diversas regiões do Brasil e também viajou ao Paraguai e à Argentina para participar de encontros de carros antigos.

“Muitos enxergam apenas um carro antigo, mas, para nós, antigomobilistas, ele representa amizades, histórias e momentos inesquecíveis”, menciona.

Marcos afirma que pretende manter o atual Fiat 147 por muitos anos e, no futuro, repassá-lo à família. Ele também aproveita a celebração do Dia Nacional do Fiat 147, comemorado em 14 de julho, para convidar a comunidade a prestigiar o 6º Encontro Internacional de Veículos Antigos de Toledo, marcado para os dias 17 e 18 de abril do próximo ano, no Parque Ecológico Diva Paim Barth.

Pioneirismo e inovação

Rei do espaço interno: o Fiat 147 foi o primeiro carro produzido no Brasil a adotar motor transversal e tração dianteira. A configuração permitia aproveitar cerca de 80% do espaço interno para passageiros e bagagens, um diferencial expressivo para a época.

Movido a álcool: em 1979, o modelo entrou para a história mundial ao se tornar o primeiro automóvel de produção em larga escala movido exclusivamente a etanol. A versão ficou conhecida carinhosamente como “Cachacinha”, em referência ao odor característico do combustível.

Família versátil: o sucesso da plataforma deu origem a uma série de veículos que marcaram gerações, como a picape City — precursora da Fiorino e da Strada —, a perua Panorama e o sedã Oggi.

Fotos: arquivo pessoal

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