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Excesso de chuvas prejudica lavouras de soja e feijão no Paraná, enquanto exportações de carnes seguem em alta

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Foto: reprodução

Da Redação

Boletim do Deral divulgado nesta quinta-feira (5) aponta atraso no plantio da soja, riscos à produtividade do feijão e crescimento nas exportações de proteínas animais, com destaque para a liderança paranaense na avicultura

O excesso de chuvas registrado nas últimas semanas tem provocado dificuldades para os produtores rurais do Paraná, especialmente nas lavouras de soja e feijão. Apesar dos desafios climáticos, o agronegócio estadual mantém resultados expressivos no mercado internacional de proteínas animais, com destaque para as exportações de carne de frango, suína e de peru.

O cenário é apresentado no Boletim Conjuntural da 45ª semana de 2026, divulgado nesta quinta-feira (5) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

O levantamento reúne indicadores da produção agropecuária, preços, exportações e condições das lavouras, além de informações sobre o início do período de defeso da Piracema.

Soja atinge 71% do plantio, mas chuvas comprometem desenvolvimento

O plantio da safra de soja 2026/2027 alcançou 71% dos mais de 5,7 milhões de hectares previstos no Paraná. Apesar do avanço, a semeadura permanece atrasada em relação às três últimas safras.

Segundo o Deral, os volumes elevados de precipitação têm dificultado a entrada de máquinas nas propriedades, impedindo o andamento regular dos trabalhos de campo.

Além dos atrasos, as condições climáticas também prejudicam as lavouras já implantadas. O excesso de umidade, associado à baixa luminosidade e às temperaturas inferiores às esperadas para o período, tem provocado desenvolvimento mais lento das plantas.

O percentual de lavouras consideradas em boas condições caiu de 88% para 85% em apenas uma semana. As áreas classificadas em condições medianas passaram de 11% para 14%, enquanto 1% permanece em situação ruim.

A preocupação também envolve o planejamento da próxima safra de milho, cujo plantio está previsto para janeiro. Caso o ciclo da soja seja prolongado, poderá haver reflexos no calendário de implantação da cultura seguinte.

Feijão sofre com excesso de umidade e preços registram forte valorização

A primeira safra de feijão, conhecida como safra das águas, também enfrenta condições desfavoráveis.

Na região Sul do Paraná, responsável por aproximadamente 80% da produção estadual desta safra, algumas estações meteorológicas registraram acumulados superiores a 700 milímetros de chuva, aproximadamente o dobro do volume esperado para o período.

A combinação de umidade elevada, menor incidência de radiação solar, perda de nutrientes e maior ocorrência de doenças preocupa os técnicos.

Apesar das adversidades, 85% das lavouras de feijão ainda apresentam boas condições. Entretanto, o Deral alerta para a possibilidade de redução desse percentual caso as condições climáticas desfavoráveis persistam.

No mercado, os preços apresentam valorização expressiva. Em outubro, o feijão preto registrou aumento de 13% e o carioca de 5% em comparação com setembro.

Nos últimos 12 meses, as altas acumuladas chegaram a 74% para o feijão preto e 57% para o carioca. No varejo, as elevações foram de 41% e 30%, respectivamente.

Paraná mantém liderança nacional nas exportações de carne de frango

Enquanto o setor agrícola enfrenta dificuldades climáticas, a avicultura paranaense mantém desempenho positivo no comércio exterior.

De janeiro a setembro de 2026, o Paraná exportou 1,804 milhão de toneladas de carne de frango, volume 18% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

A receita alcançou US$ 3,395 bilhões, crescimento de 23,8%, consolidando o Estado como o maior exportador brasileiro de carne de frango.

Em setembro, os embarques paranaenses somaram 199.765 toneladas, com faturamento de US$ 378,415 milhões.

No cenário nacional, o Brasil exportou 4,301 milhões de toneladas nos nove primeiros meses do ano, movimentando US$ 8,508 bilhões. O crescimento foi de 14% em volume e 21,8% em faturamento.

A China liderou os destinos da carne de frango brasileira no período, seguida por Japão, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

Exportações de carne suína crescem em volume, mas receita cai no Paraná

A suinocultura também apresentou crescimento nos embarques internacionais, embora com desempenho diferente em relação ao faturamento.

Entre janeiro e setembro de 2026, o Paraná exportou 186.360 toneladas de carne suína, um avanço de 7,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Entretanto, a receita cambial somou US$ 417,738 milhões, retração de 6%, influenciada pela redução dos preços médios.

O Estado permanece como o segundo maior produtor e terceiro maior exportador brasileiro de carne suína.

No Brasil, as exportações acumularam 1,162 milhão de toneladas até setembro, crescimento de 6,5%. O faturamento nacional atingiu US$ 2,707 bilhões, alta de 1,4%.

Entre os principais mercados compradores estão Filipinas, Japão, China, Chile e Hong Kong.

Carne de peru registra crescimento expressivo nas exportações brasileiras

Outro destaque do boletim é o desempenho das exportações brasileiras de carne de peru.

Nos nove primeiros meses de 2026, o Brasil comercializou 54.073 toneladas, volume 20,5% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

A receita avançou 61,7%, alcançando US$ 219,398 milhões.

O Paraná aparece como o terceiro maior exportador nacional, com 10.887 toneladas e faturamento de US$ 50,749 milhões.

Embora o volume paranaense tenha apresentado pequena retração de 0,6%, a receita cresceu 48,6% em relação ao ano anterior.

Piracema começou em novembro e segue até fevereiro de 2027

O boletim também destaca o início do período de defeso da Piracema, que começou em 1º de novembro e segue até 28 de fevereiro de 2027.

A medida abrange as bacias hidrográficas dos rios Paraná e Iguaçu e tem como finalidade proteger a reprodução natural das espécies migratórias, contribuindo para a recuperação dos estoques pesqueiros.

Durante o período, ficam proibidas as capturas de diversas espécies nativas, como dourado, pintado, jaú, piracanjuva, piauçu, bagres, mandis e lambaris.

Espécies exóticas, como tilápia, carpa e tucunaré, não estão incluídas na proibição geral, mas continuam sujeitas às demais regras ambientais e restrições específicas.

A fiscalização é realizada pelo Instituto Água e Terra (IAT), com apoio da Polícia Ambiental.

Agropecuária enfrenta desafios climáticos, mas mantém força econômica

O levantamento do Deral revela um cenário de contrastes no agronegócio paranaense. Enquanto as chuvas elevadas dificultam as operações de campo e aumentam os riscos à produtividade, as cadeias de proteínas animais continuam demonstrando capacidade de expansão no mercado internacional.

O desempenho das exportações de frango, suínos e perus reforça a importância da agroindústria para a economia estadual, enquanto o desenvolvimento das safras de verão dependerá das condições meteorológicas nas próximas semanas.

Fonte: Deral — Seab

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Edição nº2832 – 16/10/2026

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