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Doação de órgãos de jovem de 18 anos de Toledo transforma despedida em esperança de novas vidas

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A doação de órgãos de um jovem de 18 anos mobilizou equipes do Hospital Bom Jesus, Central Estadual de Transplantes, Guarda Municipal e Aeroporto de Toledo nesta sexta-feira (3). Em meio à dor da despedida, o gesto da família transformou o luto em esperança de vida para outras pessoas. Foto: arquivo pesssoal

Da Redação

Família acompanhou a saída dos órgãos do Hospital Bom Jesus até o Aeroporto de Toledo; operação mobilizou equipes de transplantes, hospital, Guarda Municipal e aeroporto em uma corrida contra o tempo

Uma história marcada pela dor da perda, mas também pela solidariedade e pela esperança de salvar outras vidas mobilizou equipes de saúde e segurança em Toledo nesta sexta-feira, 3 de outubro. Os órgãos de um jovem de 18 anos, vítima de acidente automobilístico, deixaram o Hospital Bom Jesus com destino a pacientes que aguardavam por transplantes. Ao todo, foram doados quatro órgãos: os dois rins, o fígado e o pâncreas, que foram destinados a pacientes que aguardavam por transplantes.

O procedimento foi coordenado pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) da Hoesp/Hospital Bom Jesus, sob coordenação de Itamar Weiwanko.

O jovem havia sofrido um traumatismo cranioencefálico grave e permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Apesar dos esforços das equipes médicas, apresentou evolução clínica desfavorável. O protocolo para diagnóstico de morte encefálica foi iniciado e concluído na quinta-feira (2).

Após a conclusão do protocolo, iniciou-se o processo para a doação. Segundo Weiwanko, houve uma força-tarefa envolvendo o Hospital Bom Jesus, a Central Estadual de Transplantes e a Organização de Procura de Órgãos (OPO) de Cascavel. Depois da distribuição pelo sistema de transplantes, órgãos foram aceitos para encaminhamento a Curitiba.

Pais acompanham última viagem dos órgãos do filho

Um dos momentos mais marcantes ocorreu na saída do hospital. A própria família manifestou o desejo de registrar aquele instante e os pais acompanharam o veículo que transportava os órgãos até o Aeroporto Municipal de Toledo.

No aeroporto, pai e mãe permaneceram próximos durante o embarque e fizeram uma última despedida simbólica dos órgãos do filho antes da partida da aeronave.

“Foi uma mistura de sentimentos: a dor, a perda, o luto e a despedida. Do outro lado, um ato de benevolência, solidariedade e amor ao próximo. Um ato nobre que fica eternizado na vida dessa família”, destacou Itamar Weiwanko.

A operação teve ainda outro componente ligado à rede de transplantes. A aeronave que chegou a Toledo também transportava um rim vindo de Curitiba para atendimento de transplante na região Oeste. Na sequência, recebeu os órgãos captados no Hospital Bom Jesus para o transporte até o destino definido pela Central Estadual de Transplantes.

Equipes participam do embarque dos órgãos no Aeroporto Municipal de Toledo, após escolta realizada pela Guarda Municipal até a aeronave responsável pelo transporte. Foto: reprodução

Guarda Municipal faz escolta contra o relógio

A Guarda Municipal de Toledo participou da operação realizando a escolta entre o Hospital Bom Jesus e o aeroporto. De acordo com o diretor de Segurança da Secretaria de Segurança e Trânsito, Ronaldo Vitalino Rodrigues, esse tipo de apoio é solicitado sempre que há necessidade de transportar órgãos para embarque aéreo.

A viatura permanece de prontidão e, após a confirmação da chegada da aeronave, acompanha o veículo responsável pelo transporte. Sinais sonoros e luminosos são utilizados para facilitar a passagem pelo trânsito e reduzir o tempo de deslocamento.

“Um trajeto que normalmente levaria de 15 a 20 minutos pode ser realizado em aproximadamente três a cinco minutos, justamente para garantir que o órgão chegue ao aeroporto dentro do tempo necessário para o embarque”, explicou Rodrigues.

A rapidez é fundamental porque os órgãos possuem tempos específicos de preservação e precisam chegar ao destino dentro das condições estabelecidas para que possam ser transplantados.

Legenda: Itamar Weiwanko, coordenador da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), ao lado da equipe durante o procedimento de captação de órgãos no Hospital Bom Jesus, em Toledo. Foto: arquivo pessoal
Foto: arquivo pessoal

Aeroporto mantém operação mesmo após vendaval

A operação de captação de órgãos realizada nesta sexta-feira (3) também evidenciou a importância do Aeroporto Municipal de Toledo. Mesmo diante dos danos provocados pelo vendaval, que destruiu hangares e atingiu estruturas do terminal, o aeroporto permaneceu em funcionamento e possibilitou a operação da aeronave responsável pelo transporte dos órgãos.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Rodrigo Souza, o episódio demonstra uma dimensão do aeroporto que muitas vezes vai além do desenvolvimento econômico e da logística.

“É um momento que emociona, porque esse voo representa vidas e também a importância da doação de órgãos.”

Segundo Rodrigo, quando se fala no aeroporto, normalmente são destacados os impactos para o desenvolvimento econômico do município, o comércio, as indústrias, a logística e a facilidade de deslocamento. A estrutura também contribui para que grandes empresas escolham Toledo em razão de sua localização estratégica na região Oeste, do rápido traslado e de uma economia ativa, com diferentes segmentos em crescimento.

No entanto, após o vendaval, a estrutura aeroportuária passou por uma situação adversa. Vários hangares foram destruídos e o próprio terminal apresentou problemas relacionados ao vento e à chuva. Logo após o ocorrido, a equipe do aeroporto se deslocou para o local, acionando os protocolos de segurança, realizando o controle de acesso, verificando máquinas e equipamentos e fazendo os testes necessários.

Também foram realizados testes na estação meteorológica, que está em fase de montagem. Conforme o secretário, a rápida resposta das equipes permitiu manter o aeroporto aberto mesmo diante dos estragos.

“Nessa quinta-feira, já haviam ocorrido outros voos, mas este, especificamente, tem um significado e uma simbologia muito grandes, por se tratar de uma operação aeromédica relacionada à doação de órgãos.”

Rodrigo Souza destacou que Toledo tem sido referência nesse tipo de operação, tanto pelo trabalho realizado pelo Hospital Bom Jesus, por meio da equipe coordenada por Itamar Weiwanko, quanto pelas condições da pista e pela estrutura disponível no aeroporto.

Nos últimos um ano e oito meses, segundo o secretário, foram realizados investimentos no local. Entre eles estão o posto bandeirado de combustível, a guarita de segurança, cursos e treinamentos para as equipes, segurança 24 horas, câmeras e monitoramento compartilhado com a Guarda Municipal.

Outros investimentos ainda estão previstos ou em andamento, como a pintura do terminal, o projeto de ampliação, o recapeamento, que está em fase final de projeto, o PAPI, em fase de licitação, e a estrutura meteorológica.

Para Rodrigo Souza, a operação desta sexta-feira reforçou que os investimentos no aeroporto não devem ser vistos apenas pelo aspecto econômico.

“Tudo isso, por meio da ação realizada hoje, deixou evidente a importância desse movimento e de investir no aeroporto não somente para torná-lo atrativo ao desenvolvimento econômico, pensando em números financeiros, mas também pensando em vidas e na população que pode utilizar todo esse espaço.”

O secretário também destacou a preparação da equipe diante dos danos provocados pelo vendaval.

“Fico feliz em fazer parte dessa história e desse momento. Apesar de toda essa adversidade e da força da natureza, estávamos preparados, com uma equipe preparada. Por isso, as coisas têm ocorrido dentro do planejado, na medida do possível, mas sempre dentro daquilo que preveem os protocolos de segurança.”

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