Depois de um longo período apenas planando pelos céus de Toledo, meus velhos serviçais estão de volta. Sim, os famosos “urubus”.
Durante um ano e meio, permaneceram pousados em nuvens estratégicas, observando em silêncio os movimentos do poder, acompanhando mudanças de rumo, promessas, acertos e, principalmente, tropeços.
Agora que o ônibus escolheu seu destino e a estrada está definida, eles retornam à ativa. Com olhos atentos, ouvidos afiados e informações que raramente chegam pelos canais oficiais.
Prefeito, secretários, vereadores, assessores, autoridades civis, militares e guardas municipais: os urubus voltaram a sobrevoar a cidade. E, pelo que já me contaram, o descanso acabou.
Café amargo
Um dos urubus contou que há gestor tomando café demais e resolvendo problema de menos. As reuniões aumentaram, os discursos também, mas a pilha de demandas continua crescendo.
Pelo visto, tem gente confundindo administração pública com clube de conversa.
Atrás das grades
O “Urubuleições” observou uma cena curiosa no evento de Sergio Moro. De Toledo, dois pré-candidatos marcaram presença. O aspirante a deputado estadual estava no palco. Já o pré-candidato a federal assistiu tudo atrás das grades.
A dúvida que ficou no ar é simples: será que Moro descobriu antes de todo mundo qual é a verdadeira ideologia política do federal… ou apenas mostrou onde ele se encaixa neste momento?
A conta chegou a 18
Mais uma exoneração. Com esta, já são 18 as vítimas daquele gabinete. E, pelo visto, a fila continua andando.
A essa altura, não dá mais para culpar a falta de adaptação, incompatibilidade ou mero acaso. Quando quase duas dezenas de pessoas passam pela mesma porta de saída, talvez o problema não esteja em quem sai, mas em quem permanece.
O gabinete continua de pé. As paredes não falam, as mesas não perseguem ninguém e as cadeiras não assinam exonerações. O problema, definitivamente, não é o endereço.
Leitão, política e votos

Enquanto muitos municípios brigam para atrair turistas e movimentar a economia, Xaxim faz o dever de casa. A tradicional Festa do Leitão Desossado e Recheado chega à sua 22ª edição com expectativa de reunir cerca de 3 mil pessoas.
E como toda boa festa do interior, além do leitão, não faltarão lideranças políticas, pré-candidatos e autoridades disputando espaço entre os cumprimentos, as fotos e os apertos de mão.
Afinal, em ano pré-eleitoral, tem político que não perde uma oportunidade. Principalmente quando o cardápio inclui boa comida, público garantido e muitos votos circulando pelo salão.
Quando o guardião da lei vira suspeito
As operações Clear Sky e Vera Cruz lançam uma sombra preocupante sobre instituições que existem justamente para proteger a sociedade. As investigações apontam que agentes públicos, que deveriam combater o crime, podem ter utilizado viaturas, radiopatrulhas e a estrutura do Estado para garantir “passe livre” a compristas e ainda se beneficiar de mercadorias apreendidas.
Se as acusações forem confirmadas, não se trata apenas de corrupção. Trata-se da quebra da confiança pública. O cidadão aceita pagar impostos, cumprir leis e respeitar as forças de segurança porque acredita que elas atuam em defesa do interesse coletivo. Quando surgem suspeitas de que alguns transformaram o cargo em negócio particular, o prejuízo vai muito além do dinheiro: atinge a credibilidade das instituições.
Fronteira sem controle ou sob controle paralelo?
As revelações do Gaeco expõem uma realidade que há anos circula nos bastidores da fronteira, mas raramente aparece de forma tão contundente em uma investigação oficial. Drones, câmeras clandestinas, monitoramento de rotas, suposto comércio ilegal de armas e esquemas de propina desenham um cenário que lembra uma organização estruturada, e não ações isoladas.
O mais grave é a suspeita de utilização da própria máquina pública para facilitar atividades ilegais. A fronteira Oeste é estratégica para a economia e para a segurança nacional. Se quem deveria fiscalizar passou a atuar como facilitador, a pergunta é inevitável: por quanto tempo isso ocorreu sem que ninguém percebesse? E mais importante: quantos outros esquemas semelhantes ainda aguardam para ser descobertos?





