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Cézar De Césaro celebra o Dia Nacional da Kombi e relembra história da família com o veículo

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Kombi preservada na coleção de Cézar representa a relação da família com o modelo e a história do veículo no Brasil. Foto: arquivo pessoal

Por Marcos Antonio Santos

Produzida no Brasil a partir de 2 de setembro de 1957, a “Velha Senhora” permaneceu nas linhas de montagem por 56 anos e continua preservada por colecionadores e apaixonados pelo modelo

Poucos veículos conseguiram construir uma relação tão forte com os brasileiros quanto a Kombi. Presente no transporte de pessoas, no comércio, nas entregas, nas viagens em família e até em aventuras pelo mundo, a tradicional “Velha Senhora” atravessou décadas e se transformou em um dos símbolos da cultura automobilística nacional.

Nesta quarta-feira, 2 de setembro, é celebrado o Dia Nacional da Kombi. A data coincide com um dos capítulos mais importantes da história do modelo: foi em 2 de setembro de 1957 que a Volkswagen iniciou a produção nacional da Kombi em sua fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo.

Antes disso, o veículo já circulava pelo país. A partir de 1953, as primeiras unidades eram montadas no Brasil com componentes importados, por meio do sistema conhecido como CKD. Com a inauguração da fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo, a Kombi passou a ser produzida nacionalmente e tornou-se o primeiro modelo fabricado pela montadora no Brasil.

A produção seguiu de forma ininterrupta até dezembro de 2013, completando 56 anos de fabricação no país. O Brasil foi o último país a manter a Kombi em produção, e a despedida foi marcada pela edição especial Kombi Last Edition.

Uma história de família

Para o presidente do Veteran Car Club de Toledo, Cézar De Césaro, a data também carrega um significado pessoal. O dia 2 de setembro coincide com o aniversário de seu pai, Hermes De Césaro, que foi usuário e apaixonado pela Kombi.

A relação da família com o veículo começou em 1973, quando Hermes adquiriu a primeira Kombi picape para ser utilizada nos trabalhos da Estofaria São Jorge. No ano seguinte, outra Kombi do mesmo modelo e cor passou a integrar a rotina da empresa.

“A Kombi faz parte da história da nossa família desde 1973, quando nosso pai comprou a primeira Kombi picape para uso na Estofaria São Jorge. Logo depois, em 1974, veio a segunda”, lembra Cézar.

Enquanto o modelo de 1973 era utilizado diretamente nos serviços da estofaria, a Kombi 1974 passou a atender diferentes atividades da empresa em toda a região Oeste do Paraná.

O veículo transportava equipes técnicas, caixas de ferramentas, equipamentos e produtos fabricados pela São Jorge, incluindo estruturas para parques infantis e coberturas metálicas que posteriormente eram instaladas em empresas, comércios e edifícios.

A Kombi de 1974 permanece com a família até hoje. Restaurada e preservada como veículo de coleção, tornou-se parte da memória da empresa e da própria trajetória familiar.

“Nosso pai era apaixonado pela Kombi e usuário fiel do veículo, porque ela era um instrumento de trabalho dentro das empresas do Grupo São Jorge na década de 1970”, destaca Cézar.

Atualmente, ele mantém três Kombis em sua coleção: uma picape 1974 com motor 1.500 a gasolina, um furgão 1986 com motor 1.600 a gasolina e um furgão 2013 equipado com motor 1.4 flex.

Foto: arquivo pessoal

Versatilidade ajudou a construir o sucesso

Para Cézar, uma das características responsáveis pelo sucesso da Kombi foi justamente sua capacidade de assumir diferentes funções.

Ao longo de sua história, o modelo recebeu dezenas de configurações e adaptações. Houve versões de cabine simples e dupla, furgão, picape, ambulância, viatura para bombeiros, motorhome, veículo de passageiros, escolar, turismo, oficina, funerária, granjeira e até plataforma aérea, entre diversas outras aplicações.

“Era essa versatilidade que encantava quem comprava o veículo”, afirma o presidente do Veteran Car Club.

A Kombi conseguia assumir funções que iam do transporte de mercadorias e passageiros ao trabalho especializado. Essa característica fez com que o modelo estivesse presente tanto em grandes empresas quanto em pequenos negócios familiares.

Uma Kombi para cada história

A versatilidade também ajuda a explicar por que a Kombi conquistou um espaço que ultrapassa o universo automobilístico.

Foi utilizada para levar trabalhadores ao serviço, crianças para a escola, famílias em viagens e comerciantes para suas atividades. Tornou-se também companheira de músicos, artistas, viajantes e aventureiros.

Para muitos brasileiros, ela representa mais do que um meio de transporte. Está associada às lembranças da infância, ao primeiro emprego, ao comércio da família, às férias e aos encontros entre amigos.

Mesmo depois do encerramento da produção, em 2013, milhares de unidades continuam circulando ou são preservadas por colecionadores e clubes de veículos antigos.

Muito além de um veículo

O que mantém a Kombi presente no imaginário popular não está apenas em seu desenho, motor ou simplicidade mecânica, mas principalmente nas histórias construídas ao longo de décadas.

Na família de Cézar De Césaro, por exemplo, um veículo inicialmente adquirido como ferramenta de trabalho tornou-se patrimônio afetivo e peça de coleção.

Essa relação ajuda a explicar por que, mesmo depois de deixar as linhas de montagem, a Kombi continua presente nas ruas, estradas e encontros de antigomobilismo.

A produção terminou, mas as histórias construídas a bordo da Kombi continuam atravessando gerações.

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