Foto: Reprodução

A BRF teve um prejuízo líquido de R$ 199 milhões no segundo trimestre, impactada por efeitos inflacionários e cambiais nas despesas financeiras, informou a empresa na quinta-feira (12).

A receita líquida subiu 27,8% em relação ao segundo trimestre do ano passado, para R$ 11,6 bilhões.

“Ampliamos nossa capacidade de geração de negócios – dado o crescimento da receita líquida – lançando mais 37 novos produtos, sustentando nossa posição de liderança, bem como avançando em participação de mercado”, disse o presidente-executivo da empresa, Lorival Luz, no comunicado de resultados.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado foi de R$ 1,27 bilhão, alta de 23,2%.

A BRF disse que enfrentou um cenário desafiador no segmento de negócios do Brasil, impactado pela pandemia, mas registrou aumento de 2,7% no volume de vendas e de 24,8% na receita líquida deste segmento, mantendo a estratégia de repasse de custos aos preços dos produtos.

A empresa disse que já observa recuperação nos canais rota e food service, e registrou mais de 290 mil clientes movimentados, ampliando a cobertura e fortalecendo o pequeno varejo e o Omnichannel.

No segmento Internacional, a BRF registrou crescimento de 7,7% nos volumes e de 29% na receita líquida, com destaque para a demanda chinesa.

“Na China, a demanda por proteína permanece aquecida, o que se reflete no crescimento de volume tanto para suínos (+11,9%) quanto para o frango (+9,5%)”, disse a empresa.

“Os preços de exportação para China da carne suína também continuam em patamares elevados e com sinais de recuperação da demanda interna, com elevação dos preços em dólares de carne suína em +3,7% versus o primeiro trimestre de 2021.”

No mercado halal, restrições determinadas por governos para controlar o avanço da covid-19 na região impactaram negativamente os volumes de venda da BRF, que tiveram queda de 2,1% no trimestre.

“Porém, o avanço da vacinação e a reabertura das economias já sinalizam retomada da confiança do consumidor”, disse a companhia, que registrou alta de 15,4% na receita desse segmento de negócios, impulsionada pela recuperação dos preços em dólares.

Alta de custos de grãos

Durante a teleconferência de resultados nesta sexta-feira (13), o presidente-executivo da BRF, Lorival Luz, avaliou que é necessário mais tempo para que os preços dos produtos no Brasil reflitam totalmente os custos mais altos dos grãos que pesaram em seus resultados no segundo trimestre.

O maior exportador de carne de frango do mundo apontou os altos estoques do produto em alguns países, como o Japão, como motivo para não conseguir elevar os preços no mercado brasileiro, onde a companhia realiza a maior parte de suas vendas.

Com a queda dos estoques globais de carnes, a BRF espera ajustar os preços e recuperar parte das margens perdidas nos próximos trimestres. “O ambiente adverso do ponto de vista da estrutura de custos afetou todas as empresas do setor”, disse Luz.

Ele afirmou que o aumento nos custos dos grãos foi sem precedentes, reconhecendo que afetou alguns mercados mais do que outros. Nos Estados Unidos, por exemplo, as empresas de alimentos conseguiram repassar mais rapidamente os custos elevados para os preços, mas não foi o caso no Brasil.

A BRF possui fábricas no Brasil e no Oriente Médio, sendo um dos principais fornecedores globais de alimentos halal. Luz reiterou os planos de instalação de unidades de produção em pelo menos um país da América do Norte, Europa ou até mesmo na China, mas não deu prazo para isso.

O diretor financeiro da empresa, Carlos de Moura, disse que o aumento do preço do diesel também elevou os custos no Brasil, uma vez que a empresa enfrentou custos de frete mais altos. A BRF afirmou que a pandemia prejudicou seu desempenho financeiro, principalmente no Brasil e nos mercados halal localizados no Golfo Pérsico.

Da Redação, com informações da imprensa especializada.