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Aquele que permanece em mim, e eu nele, produz muito fruto

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O texto do Evangelho de São João neste 5º Domingo da Páscoa (2/05) nos oferece uma bela imagem para ilustrar a relação do discípulo com o Mestre-Jesus. A imagem da videira é um muito presente na tradição do Antigo Testamento e nos lembra o relacionamento de Deus com Israel, seu povo. A esta vinha se pertencia apenas pelo sangue. No entanto, agora Jesus diz que Ele é a “verdadeira” videira e a ela se pertence somente pela fé, independentemente de ser judeu, grego; ou seja, todos têm a oportunidade de fazer parte da verdadeira videira.

O texto do evangelho nos leva a Jerusalém, em uma noite de quinta-feira, um dia antes da festa da Páscoa e da morte de Jesus. Jesus está reunido com os seus discípulos em volta de uma mesa, numa ceia de despedida. Neste momento ele dá seu “testamento” aos discípulos, indica o que deverão fazer para continuar sua missão. Sua comunidade (=ramos) deve permanecer em profunda e íntima unidade com Jesus (=videira) para que ela seja alicerçada no serviço e no amor. Deste modo, o texto evangélico nos apresenta uma catequese de Jesus sobre a identidade e missão da comunidade dos discípulos no mundo.

Jesus é a verdadeira videira e nós somos os ramos. A nossa vida espiritual, nossa vida cristã e nossa vida de discípulos, não pode ser entendida sem esta união com a pessoa de Jesus, a videira verdadeira. A partir dele recebemos toda força, vitalidade e amor para sermos fecundos.

O Evangelho insiste em que produzamos frutos e frutos que permaneçam e só conseguiremos isto se estivermos ligados e unidos à videira, é dela que provém a “seiva” vital. O distanciamento provocará sequidão, esterilidade e morte.  Da mesma forma como a vitalidade de Jesus nasce da intimidade que ele tem com o Pai, também nós devemos estar ligados a Jesus para produzir fruto, para dar testemunho do seu amor e revelar ao mundo que existe um modo de viver único e permanente, mas que exige escolhas e renúncias. Todo discípulo é chamado a ser fecundo, produzir frutos bons, isto é, não amar somente com palavras, mas com obras verdadeiras.

O tempo pascal é propício para revisar nossa vida de discípulos e discípulas à luz do Cristo Ressuscitado. É um tempo de graça para olhar nossas práticas comunitárias, como membros da Igreja e como pessoas. Para que os ramos produzam é necessário ser cuidado com podas constantes, sem isso eles murcham e morrem. Como reagimos diante das “purificações” que recebemos da vida? Quando nossa fé é questionada e exige de nós posturas coerentes? Faz parte da ação de Deus “limpar” o “ramo” a fim de que ele dê mais fruto. “Limpar” significa estar em um processo contínuo de conversão que nos leve a recusar qualquer indício de egoísmo e isolamento. É na comunidade cristã que encontramos força para continuar a missão de Jesus, a Eucaristia sustenta nossa vida e testemunho.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo

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Edição nº2808 – 13/02/2026

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