Por Dilceu Sperafico*

O agricultor é realmente uma pessoa persistente, corajosa, determinada e comprometida com o bem-estar da população rural e urbana e os verdadeiros interesses do País e do Estado. Prova disso é que mesmo perdendo grandes somas de recursos financeiros, meses de trabalho e expectativas de lucros para novos investimentos no último ano, prossegue apostando nos resultados da agropecuária produtiva, diversificada, moderna e sustentável.

Apesar da longa seca e/ou crise hídrica que resultaram em grandes perdas para o agronegócio nacional, reduzindo a oferta e elevando os preços de alimentos, o produtor rural está fazendo sua parte no esforço pela estabilização da economia do País e a melhoria da qualidade de vida da população, ampliando investimentos na atividade e apostando em boas colheitas na safra 2021/22.

Conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), denominado “Perspectivas para a Agropecuária Safra 2021/22 – Edição Grãos”, reunindo as principais variáveis de mercado e tendências de rendimento de culturas como as de soja, arroz, feijão e milho, a produção no período deverá somar 289,6 milhões de toneladas de grãos.

De acordo com o estudo, se preços para comercialização da nova safra se mantiverem em patamares favoráveis para as principais culturas, além de novo recorde na produção de soja, de 141,3 milhões de toneladas, mantendo o País como maior produtor e exportador da oleaginosa do mundo, o Brasil também deverá alcançar outro recorde na colheita de milho, atingindo 115,9 milhões de toneladas.

Analisando os dados, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, destacou a importância da divulgação dessas informações para que produtores tomem decisões mais orientadas para planejar a produção na nova safra, pois os agricultores dependem de estudos cada vez mais seguros para tomada de decisões corretas, desde a escolha da melhor época de plantio, até sobre quando vender a colheita, com base em números dos mercados interno e externo.

Esse é o caso, por exemplo, da projeção de recuperação de produtividade do milho em 29%, após período marcado pela quebra da produção pelos fatores climáticos. Dessa forma, se espera recuperação dos estoques do cereal, finalizando o próximo ciclo em 9,9 milhões de toneladas armazenadas, o que é fundamental para a criação de bovinos, suínos e aves, além da elevação das exportações de 23,5 milhões de toneladas em 2021 para 39 milhões de toneladas em 2022.

Para o Paraná, a primeira projeção para a safra 2021/22, do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, aponta crescimento de 9,0% em relação ao ciclo anterior. A previsão é que sejam produzidas 25,5 milhões de toneladas de grãos em 6,2 milhões de hectares cultivados, contra 23,3 milhões de toneladas de colheita, em 6,1 milhões de hectares de lavouras, na safra 2020/21.

Abordando as previsões, o secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, destacou os males da “estiagem terrível”, já no começo da semeadura de soja no Paraná neste mês de setembro, além do plantio das primeiras lavouras de feijão e milho. Apesar da situação preocupante, estão mantidas as expectativas de crescimento nas áreas plantadas e se espera grande colheita de soja com o plantio iniciado neste mês de setembro, quando foi aberta a temporada para o cultivo primeira safra.

*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado

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