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A imagem de Deus em nós

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Foto: assessoria

Jesus está em Jerusalém, às vésperas da Páscoa. Ensina no templo e anuncia o Reino de Deus, mas encontra resistência entre os dirigentes religiosos. As parábolas que acaba de contar denunciam a recusa em acolher o convite de Deus e a rejeição do seu enviado. A tensão cresce: os adversários procuram uma palavra que lhes permita acusá-lo e silenciá-lo.

O Evangelho do 29º Domingo do Tempo Comum (Mt 22,15-21) aparece um clima de tensão quando alguns discípulos dos fariseus e partidários de Herodes lhe perguntam se é lícito pagar o imposto a César. A pergunta é uma armadilha, pois qualquer resposta o comprometeria: se aprovasse o tributo, seria visto como aliado do domínio romano, que pesava sobre o seu povo; se o rejeitasse, poderia ser denunciado às autoridades como rebelde.

Jesus pede uma moeda e pergunta de quem são a imagem e a inscrição. Ao ouvir que pertencem a César, responde: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Assim, leva os interlocutores além da discussão sobre o imposto: cumprem-se as responsabilidades da vida em sociedade, mas nenhum poder pode ocupar o lugar de Deus ou reclamar para si a pessoa inteira.

A autoridade política merece respeito, porque está a serviço do bem comum. Mas ela nunca poderá exigir o que pertence somente a Deus. Damos a César o que é de César, mas a vida inteira é de Deus, pois é d’Ele a imagem que trazemos gravada em nós.

Por que era tão difícil aceitá-lo como Messias e Filho de Deus? Entre os seus contemporâneos havia expectativas diferentes acerca do Messias. Muitos esperavam a libertação de Israel e a restauração da sua grandeza. Jesus, porém, anunciava um Reino que se manifestava no serviço, na misericórdia e na conversão. Acolhia pecadores e questionava certezas religiosas. A sua proximidade com os frágeis e a autoridade com que falava de Deus obrigavam a rever ideias profundamente enraizadas.

Reconhecer Jesus pedia mais do que admirar as suas palavras: exigia confiar nele e aceitar que Deus agisse de modo inesperado. Alguns o acolheram e o seguiram; outros resistiram. Não foi uma rejeição de todo o povo, mas respostas diferentes diante do mesmo convite. Também nós, muitas vezes, desejamos um Deus que confirme os nossos planos, e temos dificuldade em acolher Jesus quando ele nos chama à conversão.

A moeda traz a imagem de César; cada pessoa traz a imagem de Deus. Aqui está o apelo que chega à nossa vida: pertencemos a Deus porque dele recebemos a existência e o amor. O nosso valor não depende das posses, do prestígio ou dos fracassos. Mesmo feridos pelo pecado e pelo sofrimento, continuamos a ser amados e chamados à salvação que Jesus nos oferece.

Dar a Deus o que é de Deus é entregar-lhe o coração, acolher o perdão e deixar que o Evangelho transforme as nossas escolhas. É também reconhecer a sua imagem no próximo, sobretudo em quem é desprezado, explorado ou esquecido. Não podemos honrar o Criador e permanecer indiferentes à dignidade dos seus filhos.

Nos dias 17 e 18 de outubro, a Igreja Católica em todo o mundo celebra o Dia Mundial das Missões. Somos convidados a colaborar, cada um à sua maneira, com a missão da Igreja em todas as nações. A coleta missionária é um gesto concreto de presença e solidariedade: por meio dela, ajudamos muitas pessoas a descobrir que foram criadas para a felicidade e para a vida eterna, e que todos somos filhos e filhas amados de Deus.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo Diocesano de Toledo

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Edição nº2832 – 16/10/2026

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