Levantamento do Tribunal de Contas mostra que Gabriel Baierle acumulou R$ 89,1 mil em diárias entre 2020 e 2026, valor superior aos R$ 68,1 mil registrados pelo ex-prefeito Beto Lunitti (ver tabela), Mario Costenaro R$ 34,4 e Lucio, R$ 448,00 no mesmo período analisado. Debate envolve economicidade, transparência e retorno ao contribuinte.
Operação caça-urubu
Depois da coluna sobre as diárias, teve vereador procurando mais o meu “Urubuedil” do que os números do Tribunal de Contas.
Uns correram para deputados, outros para Curitiba, e há relatos de buscas até em território internacional.
O problema é que o velho urubu não mora em gabinete, nem em partido político.
O urubu e as diárias
A coluna falou de números. Alguns entenderam perseguição.
A coluna mostrou planilhas. Alguns começaram a procurar o autor.
Parece que descobrir quem abriu a planilha virou mais importante do que explicar o que tem dentro dela.
O projeto de “RESOLUÇÃO”
A apresentação do Projeto de Resolução que propõe extinguir a concessão de diárias para vereadores trouxe à tona um debate que há anos divide opiniões dentro e fora da Câmara de Toledo. A discussão não é sobre legalidade. As diárias estão previstas em norma própria e constituem instrumento legítimo para o exercício de atividades institucionais. A questão é outra: economicidade, proporcionalidade e retorno efetivo ao contribuinte.
Os números do Tribunal de Contas do Paraná revelam que, entre 2020 e 2026, a Câmara Municipal de Toledo liquidou R$ 843.492,65 em diárias, totalizando 900,75 deslocamentos. Trata-se de um volume expressivo de recursos públicos que, naturalmente, desperta o interesse da sociedade e exige transparência permanente.
Quando a comparação se torna inevitável
A comparação entre Legislativo e Executivo de Toledo deve ser feita com cautela. São Poderes distintos, com atribuições, responsabilidades e estruturas administrativas diferentes. Ainda assim, os dados públicos permitem uma análise objetiva.
No mesmo período analisado, o ex-prefeito Beto Lunitti registrou 94 diárias, totalizando R$ 68.141,03. O atual prefeito Mario Costenaro soma 49,5 diárias e R$ 34.428,15. Já o vice-prefeito Lucio de Marchi aparece com apenas uma diária, no valor de R$ 484,80.
| Beneficiário | Diárias | Valor (R$) |
| Câmara de Toledo (total) | 900,75 | 843.492,65 |
| Beto Lunitti | 94,00 | 68.141,03 |
| Mario Costenaro | 49,50 | 34.428,15 |
| Lucio de Marchi | 1,00 | 484,80 |
A observação não busca estabelecer competição entre Poderes. Entretanto, quando o volume de gastos do Legislativo supera significativamente os números registrados pelos chefes do Executivo, a comparação se torna inevitável e merece debate público.
Os maiores beneficiários
O levantamento do TCE-PR mostra que alguns agentes públicos concentraram volumes elevados de diárias ao longo dos últimos anos.
| Posição | Nome | Valor (R$) |
| 1º | Gabriel Baierle | 89.102,46 |
| 2º | Olinda Fiorentin | 73.253,04 |
| 3º | Beto Lunitti | 68.141,03 |
| 4º | Edimilson Dias Barbosa | 65.055,02 |
| 5º | Roberto de Souza | 57.525,99 |
| 6º | Valdomiro Nunes Ferreira | 47.880,49 |
| 7º | Jozimar Polasso | 43.357,33 |
| 8º | Pedro Varela | 43.058,94 |
| 9º | Mario Costenaro | 34.428,15 |
Novamente, os números não indicam qualquer irregularidade. O que eles demonstram é a intensidade da utilização do benefício e a necessidade de avaliação permanente sobre sua efetividade.
O debate não é contra as viagens
É importante esclarecer um ponto que alguns leitores interpretaram de forma equivocada. A coluna não criticou viagens destinadas à busca de recursos, audiências com deputados, reuniões em secretarias estaduais, ministérios ou órgãos federais.
Essas agendas fazem parte das atribuições legítimas de prefeitos e vereadores. Buscar investimentos, defender projetos e representar os interesses de Toledo junto aos demais entes federativos é dever do agente público.
O debate levantado pelos números do Tribunal de Contas está relacionado principalmente ao crescimento dos gastos com cursos, congressos, seminários e eventos de capacitação. A discussão envolve critérios, frequência, necessidade e retorno institucional.
Em síntese: a questão não é viajar. A questão é demonstrar que cada viagem produziu resultados compatíveis com o investimento realizado.
Nem todos embarcaram
Um dado pouco comentado também merece destaque. Dos 19 vereadores da atual legislatura, três não registraram gastos com diárias no período analisado: Bruno Radunz, Marcos Zanetti e Genivaldo de Jesus.
Isso não significa que sejam melhores ou piores parlamentares. Tampouco indica que capacitação seja desnecessária. O exercício do mandato exige atualização permanente em áreas como legislação, orçamento público, fiscalização e políticas públicas.
O fato apenas demonstra que existem diferentes formas de exercer a atividade parlamentar. Enquanto alguns optaram por não utilizar o benefício, outros recorreram a ele com frequência significativa. É justamente essa diferença de comportamento que alimenta o debate sobre economicidade e responsabilidade fiscal.
Quando a prestação de contas vira exemplo
Se existem números que justificam reflexão, também existem práticas que merecem reconhecimento.
Ao longo dos últimos anos, este colunista acompanhou diversas participações dos vereadores Chumbinho Silva, Jairo Cerbarro e Professor Oseias em cursos, seminários e capacitações. Em comum entre eles, uma postura frequentemente observada: a prestação de contas pública das atividades realizadas. Detalhe as “mimimisentas”: Prestou contas com documentos e, não falacias no mic.
Em diversas oportunidades, os parlamentares utilizaram a tribuna para relatar conteúdos abordados, apresentar certificados, explicar aprendizados adquiridos e demonstrar de que forma o conhecimento poderia contribuir para a atividade legislativa.
A transparência não elimina o gasto, mas fortalece sua legitimidade. Quando o agente público demonstra resultados, o debate deixa de ser sobre o valor da diária e passa a ser sobre o benefício efetivamente entregue à sociedade.
Quem paga a conta
Sob a ótica dos princípios constitucionais da eficiência, economicidade e moralidade administrativa, toda despesa pública deve estar vinculada a finalidade legítima e resultado mensurável.
A função da imprensa não é condenar previamente agentes públicos, mas fiscalizar, comparar dados oficiais e estimular o debate qualificado sobre a utilização dos recursos públicos.
A transparência existe justamente para isso: permitir que a sociedade acompanhe os números, formule seus próprios juízos e cobre, quando necessário, o aperfeiçoamento dos mecanismos de controle e responsabilidade fiscal.
O verdadeiro debate não está na existência das diárias. Está na capacidade de demonstrar que cada real investido retornou em benefício concreto para Toledo.





