Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Fonte: CEPEA
Fonte de dados meteorológicos: Wettervorschau 30 tage
Fonte: Wetterlang
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Segurança pública de Toledo enfrenta déficit de pessoal e problemas estruturais

h

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Evento realizado em março, reuniu mais de 60 pessoas no Auditório Acary Oliveira. Foto: Carlos Rodrigues/Secom

Da Redação

Durante conferência, representantes das forças de segurança cobraram investimentos em tecnologia, novas sedes para órgãos policiais e ações preventivas nas áreas social e de saúde mental

No dia 25 de março, foi realizada, no Auditório Acary Oliveira, a Conferência Municipal de Segurança de Toledo, que reuniu mais de 60 representantes de diversos órgãos de segurança pública do município. O evento marcou a retomada das atividades do Conselho de Segurança de Toledo (Conseg) e do Conseg Rural, após um período de inatividade.

A conferência contou com a participação de representantes da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, Poder Judiciário e Ministério Público, com o objetivo de fortalecer a integração entre as instituições no combate à criminalidade.

Durante o encontro, o grupo de trabalho debateu informações estratégicas relacionadas às corporações e definiu prioridades para a atuação do Conseg no biênio 2026/2027.

CONFERÊNCIA – O secretário do Conseg, Lourival Neves Júnior, afirma que, durante a conferência, foram identificadas diversas situações, problemas e possíveis soluções, a maioria delas envolvendo mudanças estruturais importantes.

Ele cita por exemplo o 19º Batalhão da Polícia Militar, que ainda funciona na atual sede da companhia. “De lá para cá, só foram feitos puxadinhos. Queremos acabar com isso, porque hoje são necessárias muitas melhorias para atender tanto a parte técnica quanto a estrutural e de pessoal. Estamos pedindo uma nova sede para o batalhão”, destacou.

Segundo Lourival, as conversas sobre o tema foram retomadas e a decisão depende do Governo do Estado, em Curitiba.

Outro problema apontado é a situação da 20ª Subdivisão Policial. “Estamos há mais de 15 anos no processo de aprovação para a construção do novo prédio”, afirmou.

AVANÇOS – De acordo com Júnior, após a conferência houve avanço nas discussões sobre segurança pública e uma resposta positiva do Governo do Estado. Ele afirmou que o município já conversa sobre a doação de áreas para futuras estruturas, incluindo a nova sede do 19º Batalhão da Polícia Militar.

“A conferência mostrou que as entidades de Toledo estão realmente preocupadas com a segurança pública. Não foi apenas conversa. Todos participaram e o evento acabou se tornando referência para outras cidades”, destacou.

O diagnóstico apontou como principais necessidades o aumento do efetivo policial, investimentos em tecnologia e melhoria da infraestrutura. Segundo ele, praticamente todos os órgãos enfrentam déficit de pessoal, como o 19º Batalhão, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil.

O secretário também chamou atenção para a necessidade de fortalecer a Patrulha Rural, principalmente por Toledo estar em região de fronteira. “Hoje os maiores problemas são tráfico, roubos e furtos, inclusive de placas solares e cabos”, afirmou.

Entre as demandas estão novas viaturas, drones e internet via satélite para melhorar a comunicação das equipes no interior. “Em alguns pontos não funciona rádio nem celular. Sem comunicação, o policial fica sem conseguir pedir reforço”.

Foto: Carlos Rodrigues/Secom

PREOCUPAÇÕES – Segundo o secretário do Conseg, uma das principais preocupações levantadas durante a conferência é a necessidade de melhorar o atendimento em áreas ligadas à saúde mental, segurança e assistência social.

Ele destacou que, de acordo com dados da Polícia Científica, o maior número de mortes registradas pelo IML atualmente está relacionado a suicídios. “Os números são preocupantes e mostram uma realidade grave que a sociedade está vivendo”, afirmou. Segundo ele, muitos casos ainda podem não entrar nas estatísticas oficiais, o que aumenta a preocupação.

Diante da situação, o Conseg solicitou ao prefeito Mario Costenaro uma reunião envolvendo todas as secretarias e entidades ligadas ao tema, como Assistência Social, Saúde e CAPS, além de igrejas, clubes de serviço e outras organizações da sociedade civil. A proposta é desenvolver campanhas de conscientização e prevenção. “Precisamos levar sensibilidade às pessoas para tentar identificar o que está acontecendo e de que forma podemos ajudar”.

Outro problema apontado envolve o trânsito. Conforme dados apresentados pelas polícias Rodoviária Federal e Estadual, as rodovias que passam pela região de Toledo registram o maior número de acidentes com vítimas fatais da região, superando inclusive trechos da BR-277 em Cascavel. Segundo o secretário, o Conselho pretende discutir campanhas e ações de prevenção para reduzir esses índices.

Além disso, o Conseg também demonstrou preocupação com os casos de violência e abuso sexual envolvendo menores. Segundo ele, hoje essa é uma das situações mais graves enfrentadas pelo CENSE. “O maior problema não é o menor infrator por furto ou roubo, mas os casos de abuso sexual. Existem muitas vítimas e falta um tratamento especializado por parte do Estado”, afirma.

QUESTÕES SOCIAIS E ESTRUTURAS – Lourival Júnior também destacou a preocupação com os adolescentes que cumprem medidas socioeducativas. Segundo ele, muitos precisam de acompanhamento e suporte especializado para evitar que os problemas se agravem no futuro.

“Eles serão os adultos de amanhã. Se não houver tratamento, acompanhamento e ações agora, o que será dessas pessoas no futuro?”, questionou. Ele afirmou ainda que o Estado não oferece hoje uma estrutura considerada adequada para esse atendimento.

Além das questões sociais, o Conseg apontou a necessidade de investimentos em infraestrutura e tecnologia na área de segurança pública, especialmente por Toledo estar localizada em uma região de fronteira. Segundo o secretário, há problemas com viaturas inadequadas para o trabalho no interior e falta de equipamentos modernos para setores como a Patrulha Rural.

“A Patrulha Rural precisa de drones e internet via satélite para conseguir atuar nas áreas mais afastadas”, afirmou. Ele explicou que, embora o Conselho possa buscar recursos e doar equipamentos, a manutenção passa a ser responsabilidade do Estado, que muitas vezes não possui orçamento específico para custear serviços como internet via satélite.

Por isso, o Conseg encaminhou pedidos para que o próprio Estado já forneça viaturas equipadas com tecnologia adequada.

RECURSOS – Sobre os recursos do Conselho, o secretário explicou que atualmente as despesas básicas são mantidas pelos próprios integrantes do grupo. No entanto, a entidade busca novas fontes de arrecadação por meio de projetos e parcerias com o Ministério Público e o Judiciário, para que valores provenientes de multas e penas alternativas possam ser destinados ao Conselho de Segurança.

Ele também informou que o Conseg está regularizando sua situação jurídica e buscando o reconhecimento de utilidade pública municipal, estadual e federal. Com isso, a entidade poderá acessar programas e recursos dos governos estadual e federal, incluindo iniciativas ligadas à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).

REALIDADES – Segundo Júnior, cada demanda da segurança pública possui uma realidade diferente. Ele explicou que a 20ª Subdivisão Policial já possui um projeto padrão aprovado pelo Estado e que a intenção é concentrar as forças de segurança na região do Centro Administrativo, onde ainda há espaço disponível.

A proposta inclui novas estruturas para o 19º Batalhão da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e 20ª SDP. O Depen também necessita de melhorias, tanto na cadeia pública quanto no Patronato.

“O Patronato hoje vai além do acompanhamento de ex-detentos. Ele ajuda na documentação, encaminhamento ao mercado de trabalho e reintegração social”, destacou.

Conforme Lourival Júnior, muitos desses serviços já funcionam de forma provisória e precisam de estrutura física adequada e reforço de pessoal para ampliar o atendimento.

Veja também

Publicações Legais

Edição nº2823 – 30/04/2026

Cotações em tempo real