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Dia do Corcel celebra paixão por clássico que marcou gerações e segue vivo em Toledo

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Alguns exemplares do Corcel, clássico que marcou a história da indústria automobilística brasileira, preservados e mantidos por apaixonados que mantêm viva a memória dos veículos antigos.. Foto: arquivo pessoal

Por Marcos Antonio Santos

Admiradores do Ford Corcel resgatam histórias de família, amizade e nostalgia no antigomobilismo; em Toledo, proprietários destacam a ligação afetiva com o modelo e a participação em clubes e encontros que mantêm viva a história do automóvel no Brasil

O “Dia do Corcel”, celebrado nesta quinta-freira, 30 de abril, é uma data criada por admiradores de um dos carros mais emblemáticos da indústria automobilística brasileira: o Ford Corcel. Mais do que um simples modelo, o Corcel marcou época e ajudou a consolidar a presença da Ford no país.

Lançado em 1968, o Corcel nasceu de um projeto originalmente desenvolvido pela Renault, que acabou sendo assumido pela Ford no Brasil. O modelo rapidamente conquistou o público pela robustez, economia de combustível e conforto, características que o tornaram popular entre famílias e também no uso profissional.

Corcel 1975: paixão sobre rodas que virou história de vida em Toledo

Valdir Plínio, 61 anos de idade, torneiro mecânico aposentado, conta que em 2015, adquiri um Corcel de 1975 e iniciou um trabalho de preservação e cuidado que, ao longo dos anos, transformou o veículo em um verdadeiro companheiro de estrada. Mantendo suas características originais, já percorremos mais de 42 mil quilômetros juntos. E que a paixão pelo carro antigo também o aproximou de outros entusiastas, levando a integrar o Veteran Car Club de Toledo, onde encontrou amizade e convivência em família. Desde então, participa de encontros no Paraná e em países vizinhos, vivendo experiências de confraternização e nostalgia.

“Em maio de 2015, adquiri um Corcel — e, desde então, dei a ele uma nova vida. Ano após ano, dediquei cuidado, atenção e muito carinho, sempre respeitando suas características originais e corrigindo os desgastes naturais que o tempo impõe. Afinal, manter também é preservar a história. Hoje, eu e esse valente guerreiro de 1975, na cor azul, temos uma relação construída na confiança. Conheço cada detalhe, cada parafuso, cada peça como se fosse parte de mim. São mais de 50 anos de história desde sua fabricação — e, de alguma forma, sinto que também faço parte dela. Já rodamos juntos 42.171 km, com orgulho e satisfação. Foi por meio dele que o destino me presenteou com algo ainda maior: amizades. Conheci um grupo de pessoas unidas pelo mesmo amor por carros antigos e, desde maio de 2019, faço parte do Veteran Car Club de Toledo. Ali, encontrei não apenas um clube, mas uma família. Tive — e continuo tendo — a honra de participar de encontros em diversas cidades do Paraná, além de experiências na Argentina e no Paraguai. São momentos únicos, em que a amizade se soma a uma atmosfera mágica e nostálgica, que só os clássicos conseguem proporcionar. A felicidade cresce a cada quilômetro rodado. Cada viagem ao volante é uma nova lembrança, uma nova emoção vivida ao lado de um verdadeiro sobrevivente do tempo. Hoje posso dizer com convicção: sou feliz por ter um amigo sobre rodas, com quem posso contar. E sou profundamente grato a Deus, à minha esposa, aos meus filhos e aos amigos que sempre estiveram ao meu lado nessa jornada. Tive também o prazer de participar, neste ano, do 5º Encontro do Veteran Car, que foi um grande sucesso. E já deixo aqui o convite: aos apaixonados pelo antigomobilismo, venham viver essa experiência no 6º Encontro Internacional, que acontecerá em Toledo nos dias 17 e 18 de abril de 2027. Minha gratidão a cada pessoa que mantém viva a paixão pelos clássicos. Viva o Dia do Corcel!”.

Corcel 1975 preservado por Valdir Plínio, que mantém o clássico em perfeito estado desde 2015, símbolo de dedicação ao antigomobilismo e da paixão por carros que marcaram época. Foto: arquivo pessoal

Paixão herdada e realizada: história de amor aos carros antigos em Toledo

Jonas Nunes Ferreira, integrante do Veteran Car Club, relata que a paixão por carros antigos vem de família e atravessa gerações. Inspirado pelo pai, que teve dois Corcéis, o entrevistado sempre sonhou em ter um carro clássico. Após viver parte da vida no meio rural e se mudar para Toledo, conseguiu realizar esse sonho ao adquirir um Corcel.

Que a partir daí, passou a participar de encontros de antigomobilismo, integrando o Veteran Car Club de Toledo, onde fez novas amizades e ampliou sua vivência no meio.

“Sobre os carros antigos, isso é algo que, pelo que a gente tem conhecimento, vem de família, de geração para geração. Meu pai teve dois Corcéis no passado, quando eu ainda era pequeno, e isso acabou ficando na memória. A gente cresce, vai seguindo a vida, mas aquela ideia permanece: um dia poder comprar um carro antigo. Eu morei na roça, depois vim para Toledo com 24 anos, e chegou um momento em que consegui realizar esse sonho: comprar um Corcel. Para mim, é uma paixão que parece estar no sangue, algo que nem todo mundo gosta, mas que no meu caso sempre fez parte. Depois que comprei o carro, a convite de amigos comecei a participar de encontros de carros antigos. Com o tempo surgiu o Veteran Car Club de Toledo, do qual faço parte, e isso ampliou ainda mais a convivência. Conheci muitas pessoas, fiz grandes amizades, gente do bem, e passei a participar de encontros dentro e fora da cidade. É um sonho que está sendo realizado aos poucos. Quando posso, participo dos encontros fora de Toledo também. Inclusive, neste último final de semana, participamos do 5º Encontro do Veteran Car Club de Toledo, que foi um sucesso. No fim das contas, fica a experiência: quem gosta e tem a oportunidade de adquirir um carro antigo, vale a pena entrar para os grupos e participar dos encontros. É algo realmente muito especial”, conta.

Paixão por carros antigos que atravessa gerações: Corcel clássico símbolo de um sonho realizado e da valorização da história automotiva. Foto: arquivo pessoal

Paixão por carros antigos une família, amigos e gera orgulho no Veteran Car Club de Toledo

Carlos Eduardo Polachini, outro apaixonado pelo Corcel, possui um modelo 1974, que ele mantém há algum tempo.

“Sempre tive vontade de ter um carro antigo e ir restaurando aos poucos. Consegui comprar este Corcel, que já estava com alguns detalhes a serem feitos. Com o tempo, fui realizando melhorias no que achava necessário. Para isso, contei com a ajuda do Miro Comarella, chapeador, que me auxiliou na parte de pintura; do seu Bernardo Kescher, da mecânica em Canoinhas, que ajudou na parte mecânica; e do seu Darci Backs, que colaborou na estofaria. Também tive o apoio dos integrantes do grupo, como o seu Jonas e o Valdir, que possuem Corcel, e me ajudaram a manter o carro o mais original possível. O grupo, para mim, é muito importante, pois sempre faço novas amizades e, com muita conversa, consigo aprender cada vez mais sobre esse hobby. Meu sogro, Ildemar Nascimento, também comprou um carro antigo e participa do grupo. Além disso, meu filho, que hoje tem 7 anos, gosta muito do Corcel. Já fizemos vários passeios juntos e, quando preciso mexer no carro, ele sempre está por perto, curioso para ver como funciona. Ele também gosta muito de carros antigos, e esse é mais um dos motivos pelos quais participo do grupo, além dos demais já citados. No dia do encontro principal em Toledo, a gente se envolve bastante com o trabalho, ajudando no estacionamento dos carros. É bastante serviço, mas que se torna mais gratificante do que cansativo. Fazer parte do Veteran hoje é, para mim, motivo de orgulho”, ressalta.

Corcel 1974 preservado por Carlos Eduardo Polachini, exemplo de cuidado e paixão por carros antigos que marcaram época. Foto: arquivo pessoal

ATUALIZAÇÕES – Durante sua trajetória, o Corcel passou por diversas atualizações. Em 1977, ganhou uma nova geração, mais moderna e espaçosa. Já em 1978, surgiu a versão perua, a Ford Belina, ampliando ainda mais o alcance do modelo no mercado. Outro destaque foi o Ford Corcel GT, que trouxe um visual mais arrojado e desempenho diferenciado, conquistando os apaixonados por carros esportivos da época.

O Corcel também teve presença marcante nas competições. Em 1970, um modelo praticamente original venceu a primeira edição das 24 Horas de Interlagos, reforçando sua reputação de resistência e confiabilidade.

A produção do Corcel foi encerrada em 1986, quando deu lugar ao Ford Del Rey. Ainda assim, o legado do modelo permanece vivo. Clubes de colecionadores, encontros automotivos e a presença constante nas ruas mostram que o Corcel segue sendo símbolo de uma era em que simplicidade, durabilidade e identidade nacional eram fundamentais.

Celebrar o Dia do Corcel é, portanto, relembrar um capítulo importante da história automotiva do Brasil e reconhecer o carinho de gerações por um carro que ultrapassou o tempo e se tornou um verdadeiro clássico.

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