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“Vigilância amorosa, esperança desperta e encontro com Aquele que vem”

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Dom João Carlos Seneme, Bispo da Diocese de Toledo. Foto: Divulgação

Com a celebração deste Domingo iniciamos um novo Ano Litúrgico. E, como verdadeira mãe e mestra, a Igreja nos conduz novamente ao Advento, este tempo forte que reacende em nós a esperança e desperta o coração. O Advento não é apenas uma preparação para o Natal; é um novo modo de olhar a vida, de perceber a presença de Deus nos acontecimentos, nas pessoas e, sobretudo, nos pequenos sinais cotidianos em que Ele gosta de se esconder.

No Evangelho, Jesus nos dirige uma palavra decisiva: “Ficai atentos! Pois não sabeis em que dia virá o Senhor”. O “dia” do qual Ele fala não se limita ao calendário: é também aquele instante inesperado, aquela situação aparentemente comum, aquele encontro simples que se torna lugar de revelação. O Senhor vem assim:  discretamente, humildemente, silenciosamente.

E quantas vezes Ele passa e não percebemos. Quantas vezes Ele fala e não escutamos. Quantas vezes Ele chama e não respondemos. Não é por maldade. É porque vivemos distraídos, consumidos pelas urgências, pelo barulho, pela ansiedade que nos dispersa. O Advento é o tempo da consciência, o tempo de despertar do sono interior.

É por isso que Jesus insiste: “Vigiem”! “Estejam preparados”! Estar preparado não significa viver com medo do fim ou ansiosos pelo futuro. Significa manter o coração desperto, sensível, atento. A vigilância cristã é amorosa. É aquela atenção que nasce do amor: quem ama, percebe; quem ama, se dá conta; quem ama, está sempre disponível para o encontro.

O Advento nos coloca diante das três vindas do Senhor: A primeira vinda, quando Deus se fez criança em Belém, há dois mil anos. A vinda cotidiana, quando Ele nos visita pela Palavra, pelos sacramentos, pelos irmãos e pelos acontecimentos. A vinda final, pessoal e única para cada um de nós — o nosso encontro definitivo com Ele.

A segunda leitura ecoa fortemente o Evangelho: “É hora de despertar”! Despojemo-nos das obras das trevas e vistamos as armas da luz”. “Revesti-vos do Senhor Jesus”. Revestir-se de Cristo significa fazer nossas as atitudes d’Ele: a mansidão, a misericórdia, a simplicidade, o bem que Ele semeou por onde passou. O Advento é um despertador espiritual que nos chama a viver “como em pleno dia”.

A paz começa dentro de nós. Começa quando perdoamos. Quando acolhemos. Quando cuidamos uns dos outros. Quando escolhemos a bondade onde o mundo propõe dureza.

Jesus nos recordará no julgamento final: “O que fizestes a um desses pequeninos, foi a mim que o fizestes”. Vigiar é amar. Estar preparado é servir. Quem vive a caridade não teme o encontro com o Senhor, porque já o encontra agora, nos pobres, nos doentes, nos feridos da vida.

Que nestas semanas possamos cultivar: um olhar mais contemplativo; um coração mais sensível; uma vida mais disponível; uma esperança mais firme.

O Senhor vem sempre: veio na história, vem no Natal, virá no fim dos tempos, e vem hoje, agora, discretamente, no nosso cotidiano. Que Ele não nos encontre adormecidos, mas vigilantes e preparados para acolhê-Lo — Aquele que é sempre novo, sempre surpreendente, sempre amor.

Dom João Carlos Seneme css

Bispo de Toledo

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Edição nº2810 – 24/02/2026

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