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Unioeste conquista duas cartas-patentes internacionais em menos de 60 dias

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Foto: arquivo pessoal

Pesquisas desenvolvidas no campus de Toledo, em parceria com universidade boliviana, resultaram em tecnologias para o processamento de salmouras e a recuperação de compostos de lítio

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) alcançou um marco inédito para sua produção científica, tecnológica e de inovação com a conquista de duas cartas-patentes internacionais voltadas ao processamento e à recuperação de compostos de lítio presentes nas salmouras do Salar de Uyuni e Salar de Coipasa da Bolívia. Ambas são fruto do trabalho desenvolvido no campus de Toledo em parceria com a Universidade Técnica de Oruro (UTO), da Bolívia, por meio de um convênio-marco entre as duas universidades.

A cerimônia de entrega da primeira patente ocorreu em setembro na sede do Serviço Nacional de Propriedade Intelectual da Bolívia (Senapi), em La Paz, e a entrega da segunda patente ocorreu em outubro de 2026, na Faculdade de Engenharia da UTO, reunindo o reitor da instituição, representantes da Presidência e do Governo Boliviano, diretores do Senapi, pesquisadores e autoridades locais. A conquista também motivou homenagens no Conselho Universitário da UTO. Os inventores são os pesquisadores Camilo Freddy Mendoza Morejon e Andy Avimael Saavedra Mendoza, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química da Unioeste, campus de Toledo, e os pesquisadores da UTO, José Luis Zamorano Escalante e Zacarías Villazón Gonzales.

Para o reitor da Unioeste, Alexandre Webber, a conquista de duas patentes internacionais num intervalo tão curto demonstra o avanço da universidade na transformação da pesquisa básica em pesquisa aplicada, com soluções voltadas a necessidades da sociedade.

“Seguimos avançando e apoiando todos aqueles programas de pós-graduação e os professores que trabalham no dia a dia para a melhoria da vida das pessoas e trazendo tecnologia, algo fundamental. Nosso país tem uma grande capacidade e precisa colocar isso em prática, principalmente fazendo com que isso chegue na vida das pessoas,” afirmou.

Equipamento, processo e transferência de tecnologia
As duas cartas-patentes são complementares: uma protege o equipamento desenvolvido para a separação seletiva de elementos químicos, enquanto a outra abrange o processo utilizado em sua operação industrial. A primeira abrange um maquinário dotado de componentes concebidos para acelerar e favorecer a separação seletiva de elementos químicos durante a etapa de concentração de salmouras. O sistema atua na recuperação de cloreto de sódio, cloreto de potássio, cloreto de magnésio e, prioritariamente, compostos de lítio. Segundo o professor Camilo Morejon, ainda durante a tramitação do pedido de aprovação, a tecnologia já foi transferida para uma empresa boliviano-chinesa.

A segunda patente, denominada “Processo híbrido destinado à recuperação de cristais de NaCl, KCl, MgCl₂, compostos de lítio e outros na fase de concentração de salmouras de salares”, descreve o método empregado para recuperar esses materiais durante o processamento das salmouras.

O projeto integra uma linha de desenvolvimento focada em agregar valor aos recursos minerais estratégicos da Bolívia, especialmente nas salmouras do Salar de Uyuni, que abriga a metade da reserva mundial de lítio. Um dos desafios que a tecnologia busca superar é a complexidade química dessas salmouras, que demandam uma separação precisa de cada substância. Com a nova tecnologia, o processo ganha eficiência e estabelece uma base para futuro escalonamento industrial.

Para Morejon, o desafio relacionado ao lítio não está apenas na existência das reservas, mas na capacidade de desenvolver conhecimento e tecnologia para transformar esse recurso natural em produtos e processos de maior valor agregado.

Professor Camilo Morejon. Foto: arquivo pessoal

Da bancada ao registro formal
O caminho até o deferimento legal envolveu etapas conjuntas de investigação científica, desenvolvimento da solução, experimentação laboratorial, sistematização de dados e elaboração da documentação técnica para proteção intelectual. Protocolado junto ao Senapi, o pedido cumpriu todos os exames exigidos pela legislação boliviana até a concessão definitiva.

Na avaliação do pesquisador da Unioeste, os registros consolidam um avanço sob três perspectivas complementares. No campo científico, evidencia que o conhecimento acadêmico pode ultrapassar os artigos teóricos e gerar soluções concretas. No âmbito tecnológico, assegura o amparo jurídico da invenção para que ela avance com segurança às fases seguintes de aplicação. Já institucionalmente, projeta a universidade brasileira no exterior por meio de uma pesquisa que dialoga diretamente com um dos recursos mais estratégicos do cenário global.

“Considero muito simbólico que essa conquista esteja associada a uma cooperação com a UTO e a um recurso estratégico como o lítio. Isso demonstra que a internacionalização da universidade pode produzir resultados concretos e que nossas pesquisas podem dialogar com desafios tecnológicos de importância mundial”, destaca.

Integração binacional
A experiência também evidenciou a sinergia entre os dois países, unindo o acesso aos volumosos recursos minerais bolivianos à capacidade técnico-científica brasileira em engenharia, processamento de materiais e desenvolvimento tecnológico. Para o pesquisador, essa cooperação abre caminho para novos projetos de pesquisa, formação de recursos humanos, intercâmbio de docentes e estudantes e futuras iniciativas de transferência de tecnologia.

Com a titularidade assegurada, o planejamento prevê a continuidade da validação tecnológica, ajustes e aprimoramentos no equipamento, estudos de escalonamento, avaliação de desempenho em condições operacionais próximas às da indústria e análises de viabilidade técnica e econômica.
“A concessão da patente não é o ponto final da pesquisa; é o início de uma nova etapa para transformar propriedade intelectual em tecnologia capaz de gerar impacto”, resume Morejon.

Patentes nacionais
No âmbito nacional, a Unioeste também registra resultados na área de inovação. Conforme dados da Agência Unioeste Inova, a universidade possui 165 registros entre patentes concedidas e pedidos de patente depositados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Desse total, 55 correspondem a patentes concedidas e 110 a pedidos ainda em tramitação.

O professor Camilo Morejon também se destaca entre os inventores vinculados à universidade, com 40 ativos de propriedade intelectual, sendo 21 relacionados a patentes de invenção e 19 a modelos de utilidade.

Fonte: Unioeste

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