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Uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte

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Dom João Carlos Seneme, Bispo da Diocese de Toledo. Foto: Divulgação

O salmista faz uma pergunta que ilumina o Evangelho deste domingo: “Senhor, quem morará em vossa casa?” (Sl 14,1). Para entender bem o Evangelho deste domingo (20/07), é importante ligá-lo ao que lemos no domingo passado. Naquele dia, vimos Jesus como o bom samaritano, que se aproxima do homem ferido na estrada e o leva a um lugar seguro, cuidando dele com compaixão. Hoje, Jesus aparece como hóspede na casa de Marta e Maria. Mas, na verdade, é Ele quem nos visita, porque somos nós que mais precisamos da sua presença.

Para entender melhor essa passagem, a Liturgia nos convida a recordar uma bela cena do Antigo Testamento: o momento em que Abraão recebe três misteriosos visitantes em sua tenda. O gesto mais marcante de Abraão não é apenas servir com rapidez, mas estar atento, esperando à entrada da tenda, mesmo no calor do meio-dia (Gn 18,1). Isso nos ensina que, mais importante do que nossa maneira de acolher é o fato de Deus nos visitar – e o jeito discreto e amoroso com que Ele faz isso.

No Evangelho, Lucas coloca lado a lado a parábola do bom samaritano e a acolhida de Jesus por Marta e Maria na vila de Betânia. Parece querer nos dizer que só quem experimenta a verdadeira compaixão, como o samaritano, consegue também acolher os outros com profundidade. Maria, ao sentar-se aos pés de Jesus para escutar sua palavra (Lc 10,39), mostra que, mesmo quando oferecemos algo a Jesus, é sempre Ele quem nos dá o que é mais essencial e pleno.

O cuidado de Marta e a escuta atenta de Maria nos ajudam a entender o caminho do discípulo: acolher Jesus, ouvir sua palavra e deixar que Ele transforme nossa vida. Assim, vivemos aquilo que São Paulo resume com estas palavras: “Cristo em vós, esperança da glória” (Cl 1,27).

O gesto simples de hospitalidade – seja o de Abraão, o de Marta ou o de Maria – cria um espaço de paz onde até o coração de Deus encontra descanso. Esse encontro nos ajuda a continuar nossa jornada com mais confiança. A história da salvação é, no fundo, a história de um Deus que se deixa acolher para também nos acolher. Ao fazer isso, Ele nos revela um mistério profundo, escondido por muito tempo, mas agora revelado: o próprio Deus deseja habitar conosco. E esse mistério se torna modelo para nossa vida: uma vida feita de liberdade e amor, vividos de forma cada vez mais profunda, serena e verdadeira.

Não se trata de adotar atitudes estranhas ou praticar rituais religiosos diferentes, mas de viver, de fato, a liberdade dos filhos de Deus. No meio de tantas tarefas, grandes ou pequenas, que surgem todos os dias, o mais importante não é aquilo que conseguimos fazer com nossas mãos, mas a capacidade de acolher – e retribuir – um amor que já existia antes de nós e que nunca nos abandona.

Esse amor imenso de Deus, que brilha no rosto e na palavra de Jesus, é o que realmente preenche o coração e traz paz verdadeira. É a melhor parte, a única coisa que realmente importa. E essa não será tirada de nós, porque nos é dada para sempre.

A liberdade e o amor são os dons mais belos da pessoa humana – dons únicos, irrepetíveis, assim como o amor de Deus por cada um de nós.

Dom João Carlos Seneme

Bispo de Toledo

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Edição nº2811 – 02/03/2026

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