Volta e meia nos pegamos perguntando: “Por que alguns filhos morrem antes dos seus pais?” “Por que se despedem da vida tão jovens?”

Quando eu era jovem, perdi um irmão também jovem e cheio de vida, na época eu tinha dezenove anos e ele tinha apenas dezoito. Sempre via essas perdas acontecendo com outras pessoas, não comigo, não na minha família…

Demora um pouco para nos darmos conta de que a morte nos separa para sempre das pessoas que amamos, mudando completamente o rumo das nossa vidas.

Num primeiro momento temos aquela sensação de que o ente querido que se foi, está viajando e vai voltar a qualquer momento. Até que os dias vão passando e até que nós também vamos passando pelos estágios do luto.

Aos poucos aprendemos a lidar com a dor, aprendemos a olhar para o fato, para a realidade como ela é, descobrimos que precisamos abrir o guarda-roupa de quem se foi e que o que temos de fazer é olhar as roupas com carinho. Então, nos lembramos de como ele ou ela ficavam quando vestiam aquela jaqueta, aquela calça, das vezes que usaram aquele acessório, do que falavam, do que riam, com o que sonhavam.

Olhamos as fotos e procuramos descobrir o que tinha por trás daquele sorriso, quais pensamentos deviam passar por aquela cabeça naquele momento. Procuramos dar pequenos passos, um passo de cada vez e algumas vezes os passos são para trás.

Recuamos diante da vida e geralmente é nesse estágio que precisamos de ajuda, pois um dos estágios do luto pode ser a depressão.

Sentimos um misto de negação, tristeza, raiva, revolta, ansiedade, medo, culpa, arrependimento, enfim, uma avalanche de emoções que precisamos experimentar.

Além do misto de emoções, a morte nos traz consciência sobre a nossa vida, sobre os nossos comportamentos e atitudes e também sobre o nosso propósito.

Diante disso começamos a nos perguntar: “Qual é o legado que quero deixar?” “Como quero que as pessoas se lembre de mim quando eu partir?” “O que eu estou fazendo aqui?”

A morte é capaz de romper os padrões daqueles que estão emocionalmente mais fortes, promovendo “um despertar”, pois quando nos rouba alguém, nos mostra como somos vulneráveis e quão pouco tempo podemos ter.

Olhar para a morte pode ser uma oportunidade de nos fazer perceber qual é o sentido da vida!