Neste sábado, no Gente & Poder, a saúde de Toledo será colocada em números.
A secretária municipal de Saúde, Adriane Monteiro Santana, apresenta os resultados da rede e explica a expressiva redução das filas em diferentes especialidades.
Na sequência, Zulnei Bordin fala sobre os primeiros quatro meses da HOESP à frente do Hospital Regional de Toledo (HRT), período em que a unidade registrou 1.186 internamentos, sendo 757 cirúrgicos e 429 clínicos.
Números, resultados, desafios e o que ainda precisa avançar na saúde de Toledo serão pauta do Gente & Poder deste sábado.
Dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram uma forte redução nas filas de algumas das principais especialidades médicas de Toledo entre janeiro de 2025 e agosto de 2026. Em pelo menos três áreas, a fila praticamente desapareceu: radiologia, otorrinolaringologia e cardiologia.
A comparação considera os números registrados em 15 de janeiro de 2025 e aqueles apresentados em 31 de agosto de 2026. Os dados fazem parte de levantamento da Secretaria de Saúde e da Central de Especialidades.
O maior número de pessoas aguardando atendimento no início da série estava na oftalmologia. Eram 5.274 pacientes, com tempo de espera estimado em dez meses.
Dezessete meses depois, segundo o levantamento, a fila caiu para 574 pessoas, uma redução de 4.700 pacientes ou 89,12%. O tempo de espera também despencou: de dez meses para dois meses.
Mas os resultados mais expressivos aparecem em outras especialidades.
Na radiologia, a fila passou de 3.662 pessoas, em janeiro de 2025, para apenas uma em agosto de 2026. A redução chega a 99,97%.
Na otorrinolaringologia, eram 1.561 pessoas esperando, com prazo estimado de dez meses. Agora, a fila registra apenas um paciente, uma redução de 99,94%, enquanto o tempo de espera caiu para dias.
Na cardiologia, a redução também foi praticamente total. A fila, que era de 35 pacientes, passou para apenas um. Em termos percentuais, a queda foi de 97,14%.
Outro resultado aparece na cirurgia geral. O número de pacientes aguardando atendimento caiu de 296 para 206, redução de 30,41%. Apesar da melhora, é justamente uma das áreas em que ainda permanece uma fila mais expressiva.
O levantamento também mostra que o eletrocardiograma estava “em dia” tanto no primeiro levantamento quanto no mais recente.
Cirurgias já aparecem sem fila
Um detalhe importante da tabela é que quatro procedimentos cirúrgicos aparecem registrados como “sem fila” já no levantamento de janeiro de 2025: cirurgia de catarata, cirurgia de ortopedia, cirurgia geral e cirurgia ginecológica/urológica.
Por isso, esses procedimentos não devem ser apresentados como uma redução ocorrida durante o período analisado. O dado correto é que já não havia fila registrada no primeiro levantamento.
Resultado chama atenção diante do crescimento da demanda
Os números precisam ser analisados dentro de um contexto de aumento da população e de pressão sobre a estrutura municipal de saúde.
Documento oficial assinado pela Secretaria Municipal de Saúde informa que Toledo tinha população estimada em 158.620 habitantes e que o município apresentou crescimento de 5,42% entre 2022 e 2024. O mesmo documento aponta 33 equipes de Estratégia Saúde da Família e 19 equipes de Atenção Primária.
Ao mesmo tempo, a própria administração municipal apontava, no final de 2025, a necessidade de ampliar os espaços e os agendamentos de consultas de especialidades médicas. A Central de Especialidades funcionava em imóvel alugado, com 1.371,50 metros quadrados e custo mensal de R$ 20 mil.
A proposta apresentada pelo município para o novo Complexo de Saúde prevê justamente a ampliação da estrutura destinada às especialidades médicas, além dos atendimentos materno-infantis e pediátricos.
Os números da fila, portanto, apresentam um cenário diferente daquele que normalmente domina o debate sobre saúde pública: em vez de uma fila crescendo, algumas especialidades registraram reduções superiores a 90%.
O desafio agora é saber o que permitiu esse resultado, se ele pode ser mantido e, principalmente, o que ainda precisa ser feito nas áreas em que a fila continua relevante.
Entre os números apresentados, a cirurgia geral é o principal ponto de atenção: mesmo com redução de 30,41%, ainda havia 206 pessoas aguardando atendimento em 31 de agosto.
A fotografia dos números mostra, portanto, uma transformação significativa em pouco mais de um ano e meio: em cinco indicadores analisados, quatro tiveram redução superior a 89%, enquanto duas filas — RX e otorrinolaringologia — praticamente chegaram a zero.
HRT registra 1.186 internamentos nos primeiros meses sob gestão da HOESP
Os primeiros números do Hospital Regional de Toledo (HRT) após a HOESP assumir a unidade mostram um volume significativo de atendimento hospitalar. Entre 15 de maio e 31 de agosto de 2026, foram registrados 1.186 internamentos.
Do total, 757 foram internamentos cirúrgicos, representando 63,8% de todas as internações realizadas no período. Outros 429 foram internamentos clínicos, equivalentes a 36,2%.
O peso da atividade cirúrgica chama atenção principalmente porque, conforme os dados apresentados, as cirurgias tiveram início somente em 2 de junho. Ou seja, os 757 internamentos cirúrgicos foram registrados em um intervalo ainda menor que o período total analisado.
Considerando aproximadamente três meses e meio entre 15 de maio e 31 de agosto, o HRT apresentou média próxima de 339 internamentos por mês. Se utilizada apenas como referência uma divisão pelos quatro meses-calendário envolvidos — maio, junho, julho e agosto — seriam aproximadamente 297 internamentos mensais.
É importante ressaltar que essas médias servem apenas para dimensionar o volume da atividade. A planilha não apresenta os números individualizados de cada mês e, portanto, não permite afirmar se houve crescimento ou redução mensal dos internamentos.
O retrato dos 1.186 internamentos

Internamentos no HRT
Distribuição dos 1.186 internamentos registrados entre 15 de maio e 31 de agosto de 2026.
Cirúrgicos — 63,8%
Clínicos — 36,2%
Cirurgias iniciadas em 2 de junho de 2026.
Em números absolutos, portanto, praticamente dois em cada três internamentos registrados no período foram cirúrgicos: 63,8% contra 36,2% de internações clínicas.





