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Toledo escolheu ficar sem voz

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Mais quatro anos sem deputado estadual. Agora, também sem os dois deputados federais que tinha. Uma cidade com mais de 100 mil eleitores conseguiu transformar força eleitoral em dispersão.

Por Eliseu Langner de Lima

Toledo fez de novo.

Quase uma década sem representação própria na Assembleia Legislativa não foi suficiente. Serão mais quatro anos.

Não foi por falta de eleitor. Não foi por falta de candidato. Não foi por falta de opção.

Toledo colocou oito candidatos a deputado estadual e outros oito a deputado federal na disputa. Dezesseis nomes.

Para quê?

No fim, a cidade pulverizou votos como quem joga confete pela janela.

O resultado é seco: nenhum deputado estadual eleito por Toledo.

Natan Sperafico chegou perto. Muito perto. Terminou como primeiro suplente. Beto Lunitti também passou dos 30 mil votos. Não bastou.

E a conta ficou ainda pior.

Toledo também não conseguiu manter na Câmara Federal os dois deputados que já tinha como referências locais: Dilceu Sperafico e Elton Welter.

Sai da eleição sem cadeira própria na Alep e sem os dois representantes que possuía em Brasília.

É difícil encontrar uma explicação razoável para uma cidade desse tamanho produzir esse resultado.

Toledo tem força econômica. Tem agroindústria. Tem universidade. Tem hospitais que atendem uma região inteira. Tem produtores rurais, empresários, trabalhadores, entidades, demandas por rodovias, aeroporto, saúde, educação e infraestrutura.

Tem tudo.

Só não terá um deputado estadual eleito para sentar à mesa quando o orçamento do Paraná for discutido.

E perdeu força direta no Congresso.

Depois virá o velho ritual.

Prefeitos, vereadores, empresários, entidades e lideranças pegarão a estrada para Curitiba e Brasília. Baterão na porta de deputados eleitos por Cascavel, Curitiba, Foz do Iguaçu, Maringá, Londrina ou qualquer outra cidade.

Chapéu na mão.

Pedindo emenda.

Pedindo audiência.

Pedindo atenção.

Pedindo que alguém represente aquilo que Toledo teve a oportunidade de representar com seus próprios votos.

E aí aparece a contradição.

Queremos hospital melhor, mas representação política parece assunto secundário.

Queremos dinheiro para infraestrutura, mas entregamos força eleitoral para candidatos que possuem suas próprias bases.

Queremos defesa do produtor rural em Brasília.

Queremos defesa da indústria e do comércio junto ao Governo do Estado.

Queremos recursos.

Queremos obras.

Queremos influência.

Mas cadeira, não.

Talvez Toledo tenha decidido que deputado próprio seja artigo de luxo.

Se for isso, tudo certo. Só não vale reclamar depois da conta.

E também será interessante observar os extremos.

A direita local terá de procurar seus eleitos de outras cidades.

A esquerda fará exatamente a mesma coisa.

Cada lado poderá comemorar a vitória ideológica que quiser. Quando Toledo precisar de dinheiro, porém, ideologia não assina emenda parlamentar.

Deputado assina.

O orçamento público também não pergunta quem venceu a discussão no grupo de WhatsApp. Ele passa por Brasília e Curitiba.

E Toledo estará fora dessas mesas com representantes próprios.

A cidade corre o risco de transformar eleição em uma espécie de mercado eleitoral aberto: candidatos chegam, montam estrutura, conquistam votos e voltam para suas bases.

Toledo fornece eleitor.

Outras cidades ficam com os deputados.

É um negócio excelente.

Para elas.

Depois de quase dez anos sem representação direta na Alep, havia uma oportunidade concreta de mudar essa história.

Passou.

Agora são mais quatro anos.

Sem deputado estadual eleito por Toledo.

Sem Dilceu.

Sem Welter.

Sem cadeira própria na Alep.

Sem representante local na Câmara dos Deputados.

Uma cidade economicamente grande decidiu sair politicamente menor desta eleição.

Não foi Brasília que fez isso.

Não foi Curitiba.

Foi Toledo.

Eliseu Langner de Lima
Jornalista

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