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Toledo é premiado por inovação na saúde bucal e vira referência no Paraná

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Toledo é destaque no Paraná com projeto inovador que reorganiza a saúde bucal, melhora o acesso e reduz filas no atendimento público. Foto: arquivo pessoal

Por Marcos Antonio Santos

Reorganização do atendimento odontológico na atenção primária reduziu filas, ampliou o acesso e garantiu mais de 90% de resolutividade dos casos no próprio município

O município de Toledo foi reconhecido pelo Governo do Paraná durante o 4º Encontro Estadual do PlanificaSUS Paraná, realizado dentro da programação do Saúde em Movimento 2026, em Curitiba. A experiência desenvolvida pela Secretaria Municipal de Saúde foi uma das iniciativas certificadas pelo Estado como exemplo de inovação na organização do atendimento à população.

O trabalho premiado, intitulado “Fortalecendo a APS: experiência de reorganização do cuidado em saúde bucal em Toledo pelo PlanificaSUS”, apresentou resultados importantes na qualificação da atenção odontológica no município, reforçando o papel da Atenção Primária à Saúde como coordenadora do cuidado.

PADRONIZAÇÃO – A coordenadora de Saúde Bucal, Caroline Toledo, afirmou que o trabalho foi desenvolvido a partir de um problema real existente na rede: a falta de padronização nos processos. “Tínhamos muita dificuldade em coordenar o cuidado do usuário do SUS dentro da nossa rede e também enfrentávamos dificuldades em relação aos encaminhamentos para a atenção secundária. Cada serviço atuava como achava adequado, entendendo ser a maneira correta, mas essas práticas eram diferentes entre si. A partir disso, realizamos o diagnóstico dos principais problemas da rede e começamos a estruturar a reorganização do cuidado em saúde bucal. Para isso, baseamos todo o processo em três pilares interdependentes — um não existe sem o outro”, afirma.

PILARES – Três pilares principais foram definidos para aprimorar o atendimento odontológico:

  1. Educação Permanente: encontros mensais para alinhar condutas, discutir casos, organizar fluxos e reduzir a variabilidade de técnicas entre os profissionais, promovendo a integração da equipe.
  2. Construção Coletiva: desenvolvimento conjunto de protocolos, fluxos e procedimentos para garantir mais segurança e organização no atendimento.
  3. Qualificação do Acesso: definição de critérios para encaminhamentos à atenção secundária, incluindo urgências, além da implantação da regulação para organizar filas de espera e aumentar a resolutividade na atenção primária, reduzindo deslocamentos dos pacientes.

“O primeiro pilar, que consideramos o eixo estruturante da nossa abordagem, é a educação permanente. Desenvolvemos encontros regulares, com periodicidade mensal, alinhados a um cronograma anual. Essas reuniões têm como objetivos uniformizar as condutas clínicas, debater casos, organizar os fluxos de atendimento e reduzir a variabilidade de conceitos e técnicas entre os profissionais. Transformamos esses momentos em espaços de discussão e integração da equipe, envolvendo todos os profissionais no processo. Um dos principais desafios foi garantir a adesão dos profissionais à proposta de transformação. A partir desse pilar, desenvolvemos os demais. O segundo pilar é a construção coletiva e participativa das equipes, que envolve a elaboração de protocolos, fluxos assistenciais e procedimentos operacionais padronizados. Essas ferramentas visam aprimorar a segurança do atendimento ao usuário e organizar o processo de trabalho, estabelecendo uma interconexão entre as ações. O terceiro pilar é a qualificação do acesso aos serviços, com a definição de critérios claros para encaminhamentos à atenção secundária. Com a implantação da regulação, elaboramos um manual que delimita o acesso às especialidades do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) e otimiza as filas de espera. O objetivo é direcionar os pacientes que realmente necessitam de atendimento especializado, enquanto as demandas que podem ser resolvidas na atenção primária são atendidas nesse nível. Essa estratégia aumentou a resolutividade da atenção primária, alcançando mais de 90% das demandas atendidas localmente. Consequentemente, reduzimos a necessidade de deslocamento dos pacientes, permitindo que permaneçam em seu território e recebam atendimento na unidade de saúde de referência”, explica Caroline.

A coordenadora de Saúde Bucal, Caroline Toledo. Foto: arquivo pessoal

MUDANÇAS – Visando otimizar a dinâmica, foi estabelecido um horário reservado nas unidades para a integração das equipes. A equipe de saúde bucal passou a participar ativamente das discussões sobre o território, possibilitando o compartilhamento do cuidado ao usuário — prática antes realizada de forma individualizada. Anteriormente, a comunicação entre médicos e dentistas, mesmo quando atendiam o mesmo paciente, era limitada.

“Com a mudança, houve maior colaboração no cuidado. A substituição do termo ‘encaminhamento’ por ‘compartilhamento do cuidado’ reflete a continuidade do vínculo do paciente com a Unidade Básica de Saúde (UBS) e com o território. O paciente permanece vinculado à UBS, que acompanha todo o processo de atendimento, inclusive durante a atenção especializada”, relata Caroline.

MELHORIAS – Após a organização e otimização dos processos, foi possível:

  • Melhorar o acesso e reduzir a variabilidade das condutas clínicas;
  • Reduzir as filas de espera, com destaque para a periodontia (gengiva), cuja fila passou de 533 pacientes em 2025 para 170 em 2026;
  • Diminuir encaminhamentos inadequados, equilibrando a oferta e a demanda;
  • Reduzir o tempo de espera na periodontia, de dois anos e meio para um ano e três meses;
  • Zerar a fila de pacientes com necessidades especiais;
  • Controlar as filas de urgência em todas as especialidades;
  • Na periodontia, manter média de 15 encaminhamentos por mês e 19 vagas ofertadas, contribuindo para a redução da fila.

“Em decorrência da organização e do processo implementado, alcançamos resultados importantes: aprimoramos o acesso, reduzimos a variabilidade das condutas clínicas e diminuímos as filas de espera. A fila de periodontia, por exemplo, caiu de 533 pacientes em janeiro de 2025 para 170 em 2026, conforme o último relatório. Também observamos redução nos encaminhamentos inadequados, equilibrando a oferta de vagas com a demanda no Centro de Saúde”.

Foto: SESA

De acordo com Caroline, a periodontia foi a primeira especialidade a implementar a regulação. “Estamos avançando nesse processo para otimizar as filas e agilizar o atendimento. Anteriormente, o tempo de espera era de dois anos e meio; atualmente, é de aproximadamente um ano e três meses. Embora ainda seja um período considerável, representa uma redução significativa, quase pela metade. Essa conquista foi possível com a qualificação das equipes, resultando na eliminação da fila de pacientes com necessidades especiais. Hoje, esses pacientes são agendados em até um mês. As filas de urgência em todas as especialidades também foram controladas. O equilíbrio entre a demanda e a oferta de vagas é fundamental para que a fila de espera, antes crescente, entre em declínio. Atualmente, a média de encaminhamentos mensais para a periodontia é de 15 pacientes, enquanto a oferta é de cerca de 19 vagas por mês. Isso significa que há menos pacientes entrando na fila do que saindo, o que contribui diretamente para sua redução”.

IMPACTOS – Ela destaca as implicações práticas para a população. “Em suma, representa um atendimento mais organizado e maior segurança para o paciente. Além disso, amplia a capacidade de resolver as necessidades na própria unidade. Para o poder público, essa organização implica otimização de recursos, já que cada atendimento realizado no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) gera custo ao município. Consequentemente, isso também impacta os recursos destinados à saúde bucal, especialmente no que se refere às especialidades”.

Caroline explica ainda que a nova regulação reduziu o tempo de espera por especialidades, especialmente em casos urgentes. Antes, em janeiro de 2025, a espera podia chegar a 8 ou 10 meses, mesmo em situações urgentes. “Agora, o agendamento de casos urgentes ocorre em até um mês. A regulação aplica o princípio da equidade do SUS, priorizando quem realmente precisa do atendimento e evitando o acúmulo de casos que poderiam ser resolvidos na atenção primária”.

Foto: arquivo pessoal

SAÚDE EM MOVIMENTO – O Congresso Saúde em Movimento reuniu mais de 3 mil profissionais de saúde do Paraná. O município de Toledo inscreveu 11 experiências, todas com nota acima de sete e selecionadas para publicação na Revista de Saúde Pública do Paraná. Duas foram escolhidas para apresentação oral, incluindo a da Saúde Bucal, que foi premiada como vencedora no eixo de melhorias na Atenção Primária por meio do PlanificaSUS.

“Nesta edição, o congresso reuniu mais de 3 mil profissionais de saúde dos 399 municípios do Paraná. Foram submetidas mais de 500 experiências — precisamente 558 —, que passaram por avaliação criteriosa de uma banca examinadora com base em critérios técnicos e científicos. Desse total, apenas 30 foram selecionadas para apresentação oral durante o evento. O município de Toledo inscreveu 11 experiências desenvolvidas localmente, todas com nota superior a sete e, portanto, selecionadas para publicação na Revista de Saúde Pública do Paraná. Dentre elas, duas foram escolhidas para apresentação oral. Nossa experiência, da Saúde Bucal, foi inscrita no eixo 8, que aborda melhorias e mudanças nos processos de trabalho das equipes da Atenção Primária à Saúde (APS) por meio do PlanificaSUS, instrumento de qualificação da atenção primária. Nosso trabalho, intitulado ‘Fortalecendo a APS: Experiência de Reorganização do Cuidado em Saúde Bucal pela Planificação Paraná’, foi reconhecido como vencedor”, destaca Caroline.

Das 558 experiências submetidas, mais de 200 foram classificadas no eixo 8, o mais representativo do evento — justamente o eixo em que o município conquistou a premiação.

RECONHECIMENTO – A saúde bucal de Toledo tem sido reconhecida em diversas ocasiões. Em agosto de 2025, durante congresso de saúde bucal da Saúde Pública do Paraná, promovido pelo Conselho Regional de Odontologia (CRO-PR), o município conquistou o primeiro lugar na categoria de municípios com população entre 100 mil e 300 mil habitantes. A premiação reconheceu o projeto de implementação do atendimento odontológico nas equipes de saúde prisional.

“O projeto foi desenvolvido sem aumento de gastos públicos, com foco na organização do trabalho e na qualificação do cuidado. Essa abordagem, que otimiza os recursos existentes, foi o diferencial para a premiação e demonstra potencial de replicação em outros municípios. Isso reforça a importância de melhorar a eficiência dos investimentos em saúde, e não apenas ampliar os recursos. Saímos de um modelo baseado em volume, reativo à demanda, para um modelo estruturado em critérios, com organização do acesso, do serviço e do cuidado”, finaliza Caroline.

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Edição nº2817 – 26/03/2026

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