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Toledo é destaque em operação que esclareceu três homicídios e foi eleita a 2ª melhor investigação policial do Paraná

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Alexandre Macorin e Yasmin Espicalsky apresentam a Operação Pandora, eleita a 2ª melhor investigação policial do Paraná em 2025. Foto: Gazeta de Toledo

Por Marcos Antonio Santos

Operação Pandora, com participação da 20ª SDP de Toledo, desarticulou célula criminosa ligada ao PCC e resultou em condenações de 45 e 42 anos de prisão

Reconhecida como a segunda melhor investigação policial do Paraná em 2025, a Operação Pandora foi destaque nesta terça-feira (1º) pela Polícia Civil de Toledo. O trabalho, desenvolvido pela 47ª Delegacia Regional de Polícia de Marechal Cândido Rondon, com apoio da 20ª Subdivisão Policial (SDP) de Toledo, esclareceu três homicídios ocorridos no mesmo fim de semana, em julho de 2024, e contribuiu para a desarticulação de uma célula criminosa que atuava na região Oeste do Estado.

A entrevista coletiva a imprensa ocorreu na Associação da Polícia Civil de Toledo, localizada na Avenida Senador Attilio Fontana, no Jardim Bressan, com a participação do delegado-chefe da 20ª Subdivisão Policial (20ª SDP) de Toledo, Dr. Alexandre Macorin, e da delegada adjunta da 47ª Delegacia Regional de Polícia (47ª DRP) de Marechal Cândido Rondon, Dra. Yasmin Espicalsky, responsável pela investigação.

O trabalho ganhou reconhecimento estadual na última semana, quando foi escolhido como a segunda melhor investigação policial realizada no Paraná em 2025. A premiação foi concedida pelo Departamento da Polícia Civil do Estado do Paraná.

A investigação teve início após três homicídios registrados em sequência durante um único fim de semana, em julho de 2024. O primeiro caso envolveu uma mulher encontrada morta na sexta-feira, amarrada e com diversas perfurações provocadas por faca.

Segundo Yasmin Espicalsky, ainda nas primeiras diligências surgiram indícios de que a vítima teria ligação com uma organização criminosa. Diante das suspeitas, a equipe solicitou o apoio da 20ª SDP de Toledo.

“No mesmo dia, solicitei apoio da 20ª. Nós cumprimos um mandado aqui em Toledo. Naquele dia, foi presa a chefia de Toledo e Marechal do PCC”, relatou a delegada.

No dia seguinte, um segundo corpo foi localizado em uma área situada entre Toledo e Marechal Cândido Rondon. No domingo, um terceiro corpo foi encontrado em um milharal. Conforme relatado durante a apresentação, a terceira vítima seria uma usuária de drogas.

A sequência dos crimes levou a Polícia Civil a aprofundar as investigações sobre a atuação da célula criminosa e a possível relação entre os homicídios.

Investigação sem depender de testemunhas

Um dos diferenciais apontados pela Polícia Civil foi a construção da prova de autoria a partir de elementos técnicos e investigativos, sem depender exclusivamente de provas testemunhais.

O trabalho contou com a atuação conjunta das equipes da 47ª DRP de Marechal Cândido Rondon, da 20ª SDP de Toledo e de investigadores do Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc).

“Grande parte de uma boa investigação é um trabalho realizado em equipe. E foi isso que nós realizamos”, destacou Yasmin.

De acordo com a delegada, o apoio recebido da 20ª SDP foi fundamental para o avanço das diligências.

“Em um primeiro momento, eu queria agradecer a todo o apoio da 20ª. Uma subdivisão com chefia, com uma equipe boa, ajuda também as demais delegacias da região. E com esse apoio que a gente sempre teve da 20ª, Marechal sempre foi muito bem atendido. Conseguimos desenvolver nosso trabalho com bastante confiança”, afirmou.

Coletiva de imprensa sobre a Operação Pandora foi realizada na Associação da Polícia Civil de Toledo. Foto: Gazeta de Toledo

Prisão e denúncia de oito envolvidos

Após meses de diligências, a Operação Pandora foi deflagrada em 16 de janeiro de 2025. O trabalho resultou na prisão de integrantes apontados como envolvidos nos crimes e na denúncia de oito pessoas.

Segundo as informações apresentadas pela Polícia Civil, entre os denunciados estão pessoas que teriam participado presencialmente dos crimes e outras que teriam atuado de forma remota.

A investigação também apontou a existência de lideranças da organização criminosa em Foz do Iguaçu, Marechal Cândido Rondon e Toledo.

Dois condenados a 45 e 42 anos

O trabalho investigativo já produziu resultados no Judiciário. Dois dos envolvidos foram julgados pelo Tribunal do Júri de Marechal Cândido Rondon e receberam penas de 45 e 42 anos de prisão.

As decisões foram alvo de recursos das defesas, inclusive em instâncias superiores. Conforme explicado pela Polícia Civil, decisões posteriores mantiveram os entendimentos anteriores, sem reconhecimento de nulidades e com a avaliação de que as provas reunidas eram robustas.

“Já foram expedidos diversos recursos contra essas decisões, contra as pronúncias, contra o julgamento. E foram mantidas tanto no STJ como no TJ Paraná. Eles têm dito que não há nulidade, que as provas são bastante robustas e bem estruturadas”, explicou Yasmin.

Os demais seis réus ainda aguardam julgamento. O andamento dos processos, no entanto, depende de recursos apresentados pelas defesas, inclusive perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Por isso, ainda não é possível estabelecer uma data definitiva para os próximos julgamentos.

A expectativa é de que os processos avancem ainda neste ano ou no início do próximo, mas a definição depende das decisões das instâncias superiores e dos trâmites processuais.

Reconhecimento estadual

Para o delegado Alexandre Macorin, a premiação representa o reconhecimento da qualidade técnica do trabalho desenvolvido pelas equipes policiais.

“A Operação Pandora resultou na desarticulação de uma célula de facção criminosa atuante na região, além do esclarecimento de três homicídios”, destacou.

Macorin ressaltou ainda que o reconhecimento é motivo de orgulho para as equipes envolvidas e para as duas unidades policiais que participaram diretamente da investigação.

“Estamos orgulhosos de representar aqui tanto a 47ª quanto a 20ª subdivisão. Tenho certeza que parte disso é por termos uma equipe tão boa”.

A premiação concedida pelo Departamento da Polícia Civil do Paraná também contemplou o segundo e o terceiro lugares entre as melhores investigações policiais realizadas no Estado.

Foto: Gazeta de Toledo

Combate à reorganização criminosa

Apesar da prisão de lideranças apontadas como integrantes da organização criminosa, a Polícia Civil ressalta que o combate ao crime organizado é permanente.

De acordo com a avaliação apresentada durante a coletiva, a retirada de lideranças não significa o fim da atuação criminosa, já que outros integrantes podem tentar ocupar os espaços deixados pelas prisões.

Nesse contexto, a Polícia Civil citou a Operação Domínia, coordenada recentemente pelo delegado Anderson, atual titular da delegacia, que identificou e prendeu novos suspeitos que estariam tentando se estabelecer na cidade.

A estratégia, segundo a Polícia Civil, envolve a presença das equipes nas ruas e a integração com outros órgãos de segurança e do poder público.

Atualmente, conforme informado durante a apresentação, não há uma liderança criminosa estruturada na região nos moldes identificados durante a Operação Pandora. A atuação relacionada ao microtráfico, entretanto, permanece como alvo das forças de segurança.

“A prisão de lideranças não elimina, por si só, a criminalidade, visto que outros indivíduos frequentemente tentam ocupar o vácuo deixado”, disse Yasmin Espicalsky.

A Polícia Civil afirma que continuará atuando para impedir uma eventual reorganização de grupos criminosos e combater o tráfico de drogas na região.

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