A derrota do grupo político que atualmente comanda o Governo do Paraná nas eleições de 4 de outubro parece ter aberto um novo capítulo de incertezas para os 399 municípios paranaenses. Mal as urnas foram fechadas, vieram os anúncios de cancelamentos e suspensões de centenas de projetos que integravam as prioridades de investimentos do Estado.
Segundo informações divulgadas pela imprensa estadual, a Secretaria de Estado das Cidades (Secid) cancelou 445 prioridades e suspendeu outras 304, envolvendo aproximadamente R$ 1,3 bilhão em investimentos previstos para municípios paranaenses.
Coincidência administrativa ou consequência política das urnas?
Para alguns, a decisão levanta suspeitas de retaliação após a derrota eleitoral. Para outros, trata-se de uma questão financeira e administrativa: projetos prometidos sem condições de execução, que poderiam comprometer o orçamento e deixar obrigações para o novo governo, comandado por Sergio Moro a partir de 2027. A justificativa divulgada para os cancelamentos e suspensões, porém, aponta pendências documentais e prazos não cumpridos. A verdadeira extensão dos impactos ainda precisa ser esclarecida.
E Toledo, como fica nessa história?
Afinal, o município possui importantes projetos encaminhados ao Governo do Estado, alguns em fase de licitação, outros aguardando convênios ou a liberação de recursos. Serão mantidos, suspensos ou definitivamente engavetados?
Foi justamente esse cenário que abriu uma das discussões mais importantes da entrevista concedida pelo prefeito Mário Costenaro, no último sábado (17), ao programa Gente & Poder, da Gazeta de Toledo.
Sem fugir dos questionamentos, Costenaro também falou sobre as cobranças públicas de vereadores da própria base governista, as dificuldades impostas pelo limite prudencial de gastos com pessoal e a possibilidade de mudanças no primeiro escalão, incluindo uma eventual reforma administrativa.
Entre a pressão política, as limitações financeiras e as promessas que dependem do Estado, o prefeito tem pela frente decisões que poderão definir os rumos de sua administração.
A seguir, reproduzimos alguns dos trechos mais impactantes da entrevista, acompanhados de notas e questionamentos sobre as respostas do chefe do Executivo toledano.
Toledo: projetos ainda estão de pé, garante Costenaro
Durante a entrevista, o prefeito Mário Costenaro afirmou que, até o momento, nenhum dos projetos de Toledo em tramitação no Governo do Estado havia sido oficialmente cancelado. A declaração veio após notícias sobre a suspensão de centenas de prioridades estaduais, que acenderam o sinal de alerta entre os prefeitos paranaenses.
A conversa em Curitiba deixou preocupação
Costenaro revelou que, durante visita à Secretaria de Estado das Cidades (Secid), o secretário Fernando Giacobo admitiu a possibilidade de cancelamento até mesmo de projetos em fase de licitação. Segundo o prefeito, Giacobo aguardava uma conversa com o governador para obter uma definição. Ou seja, Toledo voltou de Curitiba com expectativas, mas também com uma boa dose de apreensão.
Nenhum cancelado. Mas e amanhã?
O prefeito foi categórico ao afirmar que, após verificar a situação, nenhum projeto de Toledo havia sido cancelado. Entretanto, reconheceu que muitos investimentos poderão ficar em stand-by durante a transição de governo. A pergunta que permanece é: estar na lista de prioridades significa garantia de execução ou apenas mais um período de espera?
Projetos autorizados também correm riscos?
A preocupação aumenta quando o próprio prefeito relata que até projetos com procedimentos licitatórios encaminhados poderiam ser atingidos pelas decisões estaduais. Toledo possui investimentos considerados estratégicos para seu desenvolvimento. Quem assegura que autorizações já concedidas serão efetivamente transformadas em obras?
Eleição passou. E as obras?
Costenaro defendeu que o ambiente político precisa superar as tensões provocadas pelas eleições. Reconheceu que os resultados agradaram a alguns e frustraram outros, mas demonstrou confiança na continuidade dos investimentos. Uma posição sensata. Afinal, obras públicas não podem ficar reféns de resultados eleitorais, muito menos de eventuais ressentimentos políticos.
A palavra final ainda não chegou
Um detalhe importante da entrevista: quando a comitiva de Toledo esteve na Secid, o secretário Giacobo ainda aguardava uma definição do governador. Portanto, a garantia apresentada pelo prefeito corresponde à situação verificada naquele momento, não a uma confirmação definitiva sobre o futuro dos investimentos. Por enquanto, os projetos não foram engavetados. Mas também não estão todos livres de riscos.
Toledo não pode viver de expectativas
A administração Costenaro trabalha com uma carteira de projetos que depende, em parte, de recursos estaduais. O problema é que planejamento municipal exige previsibilidade. Se as liberações forem adiadas, cronogramas, licitações e entregas também poderão sofrer consequências. Até quando o município poderá esperar por decisões que dependem exclusivamente do Palácio Iguaçu?
A transição não pode paralisar Toledo
A declaração mais reveladora talvez tenha sido a previsão de que a maioria dos projetos poderá permanecer temporariamente em espera. Não se trata de cancelamento, mas tampouco de garantia de execução imediata. Para a população, a diferença entre uma obra cancelada e outra indefinidamente adiada pode acabar sendo apenas o nome dado à espera.
Eixão Norte: projeto praticamente intocável
Entre os grandes investimentos previstos para Toledo, o prefeito Mário Costenaro demonstrou tranquilidade em relação ao Eixão Norte. Segundo ele, o projeto está em estágio tão avançado que praticamente não haveria espaço para cancelamento. Uma boa notícia. Mas, diante das recentes decisões do Governo do Estado, a pergunta continua: quando a segurança administrativa se transformará em máquinas trabalhando e obras efetivamente entregues?
Ponte Estaiada: o cartão-postal ainda está na espera
Apontada por Costenaro como uma das futuras grandes obras de Toledo, a Ponte Estaiada continua cercada de incertezas. O prefeito confirmou que a licitação foi suspensa após o Tribunal de Contas apontar seis achados que exigem esclarecimentos técnicos e orçamentários. A administração trabalha nas respostas para tentar retomar o processo. A obra não foi cancelada, mas também não está garantida. E a pergunta é inevitável: depois de tanta expectativa, a Ponte Estaiada finalmente sairá do papel ou ficará pendurada nas promessas?
Costenaro tem portas abertas no novo governo
Se Toledo ficou sem eleger deputados estaduais e federais, uma antiga amizade poderá fazer a diferença. Mário Costenaro destacou sua proximidade com Edson Vasconcelos, presidente da Fiep e vice-governador eleito, construída ao longo de anos de trabalho pelo desenvolvimento do Oeste. Segundo o prefeito, nem mesmo as diferenças eleitorais abalaram essa relação. Uma ponte política que poderá valer muito para Toledo a partir de 2027.
Toledo sem deputados, mas com um aliado no Palácio Iguaçu
Costenaro revelou confiança na relação com Edson Vasconcelos e lembrou que Sérgio Moro, quando senador, foi o único a receber uma comitiva de Toledo durante uma visita a Brasília. Com a mudança de governo e a ausência de representantes eleitos do município na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal, essa proximidade poderá ser um importante trunfo. Resta saber se a amizade e o diálogo se transformarão em recursos, projetos e obras para Toledo.




