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Toledo começa Setembro Verde com nova captação de órgãos no Hospital Bom Jesus

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Caixa utilizada para o transporte de órgão destinado a transplante, após captação realizada no Hospital Bom Jesus, em Toledo. O material é acondicionado e identificado de acordo com os protocolos de segurança para garantir a preservação do órgão até o destino. Foto: divulgação

Da Redação

Família de paciente de 68 anos, mesmo diante da dor da perda, autorizou a doação e transformou um momento de despedida em esperança para outras pessoas

O mês de setembro, marcado pelas ações de conscientização sobre a doação de órgãos, começou com um gesto de solidariedade no Hospital Bom Jesus, em Toledo. Nesta terça-feira (1º), a instituição realizou mais uma captação de órgãos, coordenada pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) da Hoesp/Hospital Bom Jesus. O protocolo de doação foi fechado nessa segunda-feira, 31.

A doação ocorreu após a confirmação da morte encefálica de um paciente de 68 anos, vítima de um acidente vascular encefálico (AVE) isquêmico decorrente de complicações cardiovasculares.

Para a família, o momento foi marcado pela dor e pela dificuldade de aceitar uma perda inesperada. Mesmo diante do sofrimento, os familiares compreenderam a importância da decisão e autorizaram a doação ao sistema estadual de transplantes do Paraná.

Segundo o coordenador da CIHDOTT, Itamar Weiwanko, a atitude representa um verdadeiro gesto de amor e nobreza.

“Foi uma família muito abalada, muito triste, que não esperava essa fatalidade. Mas, ao final, compreendeu a importância de fazer um gesto de amor ao próximo, um gesto de nobreza, e acabou dizendo sim para o sistema estadual do Paraná”, destacou.

A captação realizada nesta manhã envolveu órgãos e tecidos que poderão beneficiar pacientes que aguardam por um transplante. As córneas, por exemplo, podem representar a possibilidade de recuperar a visão e devolver autonomia e qualidade de vida a quem está na fila por um transplante.

É justamente esse o significado mais profundo da doação: transformar um momento de extrema tristeza em uma oportunidade de recomeço para outras famílias.

“Do outro lado, existe uma família que recebe com muita alegria e esperança. Essas pessoas acabam tendo uma nova vida, conseguem se restabelecer. É por isso que gostaríamos de agradecer a todos que participam desse processo de doação de órgãos, que permite salvar vidas fora do ambiente do nosso Hospital Bom Jesus”, ressaltou Weiwanko.

Toledo e o destaque regional na captação

O trabalho realizado pela CIHDOTT do Hospital Bom Jesus também vem ganhando reconhecimento regional e estadual. Na última sexta-feira, representantes da instituição participaram, em Curitiba, de um encontro nacional relacionado à doação e captação de órgãos.

O Hospital Bom Jesus recebeu destaque dentro da macrorregião Oeste, que reúne municípios como Cascavel, Foz do Iguaçu, Toledo, Pato Branco e Francisco Beltrão.

O Paraná é referência nacional na captação de órgãos e ocupa posição de destaque no Brasil. Dentro desse cenário, a atuação da Organização de Procura de Órgãos (OPO) da Macro-Oeste e das instituições hospitalares que integram a rede tem papel fundamental para que as doações efetivamente cheguem aos pacientes que aguardam por um transplante.

Agosto registra recorde de autorização familiar

Os números mais recentes também mostram a importância do trabalho desenvolvido no Hospital Bom Jesus.

Somente em agosto, foram registrados cinco protocolos de morte encefálica na instituição. Em todos os casos, as famílias autorizaram a doação.

O resultado representa 100% de autorização familiar no mês e, segundo a CIHDOTT, é um recorde para a instituição.

“Em agosto tivemos cinco protocolos aqui na nossa instituição e as cinco famílias acabaram falando sim para o sistema. Tivemos um recorde, nunca havia acontecido esse número antes, totalizando 100% de autorização familiar no mês”, afirmou Itamar Weiwanko.

Equipe do Hospital Bom Jesus durante procedimento de captação de órgãos realizado em Toledo, no início do Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. Foto: arquivo pessoal

Morte encefálica: um diagnóstico seguro

Um dos principais desafios na conscientização sobre a doação de órgãos é esclarecer o que significa a morte encefálica.

A morte encefálica ocorre quando há interrupção irreversível das atividades cerebrais. Não se trata de coma ou de um estado em que o paciente possa simplesmente “acordar”.

O diagnóstico segue um protocolo rigoroso e seguro. Médicos especialistas, incluindo profissionais das áreas de medicina intensiva e neurologia, realizam avaliações clínicas específicas. Além disso, exames complementares são utilizados para confirmar que o encéfalo deixou de funcionar.

Somente após a confirmação do diagnóstico de morte encefálica é que a família é abordada sobre a possibilidade de doação.

Um “sim” que pode mudar muitas vidas

A decisão de doar órgãos não elimina a dor de uma perda, mas pode dar um novo significado a ela.

Em um momento em que uma família se despede de alguém que ama, outra família pode estar recebendo a esperança que aguardava há meses ou até anos.

Por isso, falar sobre doação de órgãos não deve ser um assunto restrito aos hospitais. É fundamental conversar em família e deixar clara a vontade de ser um doador.

No Brasil, a autorização familiar é fundamental para que a doação seja realizada. Por isso, mais do que simplesmente ter a intenção de doar, é importante comunicar essa decisão aos familiares.

No Hospital Bom Jesus, o início do Setembro Verde chega acompanhado de um exemplo concreto: cinco famílias disseram sim em agosto e, já no primeiro dia de setembro, outra família, mesmo diante de uma perda dolorosa, também escolheu transformar a despedida em esperança.

Porque, em muitos casos, um simples “sim” pode significar a chance de alguém continuar vivendo.

Fila de espera por transplante

A fila de espera por um transplante reúne milhares de pessoas que dependem da doação de órgãos e tecidos para ter uma nova oportunidade de vida. Os dados mostram que, entre os receptores em situação ativa, são 5.077 pessoas cadastradas, sendo 2.614 homens e 2.463 mulheres. O rim concentra a maior demanda, com 2.057 pacientes, seguido pela córnea, com 2.752 receptores. Além disso, outros 597 pacientes aparecem na condição semiativa.

Esses números reforçam que cada doação pode fazer a diferença. Por trás de cada cadastro existe uma pessoa, uma família e a esperança de um transplante que pode mudar completamente uma vida.

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