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Toledo, a capital do mau volante: quando o pior trânsito do Paraná vira estatística oficial

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Foto: Fernando Braga

Nem mesmo com inúmeras campanhas encampadas já implementadas em Toledo. Nem mesmo que durante anos, motoristas reclamaram. Pedestres temem.

Os números não abaixam, eles confirmam aquilo que o bom senso já gritava nas ruas: Toledo tem hoje os piores índices de trânsito entre cidades do Paraná analisadas — e, por consequência, alguns dos piores condutores do Estado. Não é força de expressão. É matemática fria.

Enquanto municípios maiores como Cascavel, Londrina e Maringá apresentam taxas menores de acidentes, Toledo lidera disparado quando o cálculo é proporcional à população. Mais grave ainda: a cidade ostenta o título nada honroso de campeã em mortes no trânsito por 100 mil habitantes.

Ou seja, aqui se bate mais. E aqui se morre mais.

Os dados registrados pelo CBMPR, desmontam qualquer discurso confortável de que “trânsito ruim é problema de cidade grande”. Toledo, que é cidade de médio porte, consegue ser mais letal que centros urbanos muito maiores — um retrato de imprudência crônica, fiscalização fraca e cultura de risco ao volante.

E o perfil dos responsáveis se repete como um boletim de ocorrência em série:
homens jovens, majoritariamente motociclistas, transformando ruas em pistas de corrida e cruzamentos em loterias de sobrevivência. Nas sexta-feira, sábados e domingos, as corridas pelas “pizzas”, levam entregadores a UPA e aos cemitérios. Se números falassem alto, estariam gritando:

O trânsito de Toledo virou um problema de saúde pública.

Ao analisar os dados das planilhas/gráficos do Trânsito de Toledo a mim repassado pelo presidente do IPM, Edesio Reichert, deparei me com um retrato que não gostaria de publicar: Toledo tem os piores motoristas.

Somente no ano de 2024 os acidentes por 1.000 habitantes, a capital do Agro, passa a ser a capital disparado por mil habitantes. Vejam:

Cidades médias:

  • Araucária — 3,3
  • Fazenda Rio Grande — 3,2
  • Guarapuava — 3,2
  • Toledo — 8,5 (DISPARADO O PIOR ÍNDICE)

Cidades grandes:

  • Cascavel — 6,4
  • Foz do Iguaçu — 7,8
  • Londrina — 5,7
  • Maringá — 6,2

Mesmo comparada com cidades muito maiores, Toledo lidera em acidentes proporcionalmente.

Mortes no trânsito por 100 mil habitantes (2024) — Ranking da vergonha

1º Toledo — 12,9 mortes
2º Guarapuava — 12,1 mortes
3º Cascavel — 9,6 mortes
4º Foz do Iguaçu — 7,4
5º Londrina — 6,0
6º Maringá — 4,6
7º Araucária — 3,3
8º Fazenda Rio Grande — 1,3

Toledo é campeã absoluta em mortes no trânsito.

Quem mais se envolve nos acidentes em Toledo

  • Homens: 63%
  • Mulheres: 37%
  • Faixa crítica: jovens de 20 a 24 anos

 Perfil dominante do problema: homem jovem.

Os mais irresponsáveis (dados não mentem)

Participação nos acidentes:

Motos: 60%

Outros veículos: 40%

Entre os feridos:

Motociclistas: 96%

Outros veículos: 88%

Ou seja: Quem mais causa acidente. Quem mais se machuca. Quem mais sobrecarrega saúde pública.

 Motociclistas lideram o caos viário de Toledo.

✔ Toledo é a cidade com mais acidentes proporcionais
✔ Toledo é a campeã de mortes no trânsito entre as analisadas
✔ O problema tem perfil claro: Jovens. Homens. Motociclistas

Conselho de Ética chama 15. O silêncio vai depor?

Toledo já viu crises políticas, mas poucas com um roteiro tão revelador quanto o que se desenha no Conselho de Ética da Câmara. Não é pelo espetáculo. É pelos números, pelos nomes — e, principalmente, pelas escolhas.

Quinze pessoas intimadas.
Quinze cidadãos chamados a depor em uma representação que aponta violação aos princípios da Administração Pública e indícios de corrupção passiva. Quem ainda insiste em tratar o caso do chamado kit propina como “intriga política” precisa explicar por que uma simples “intriga” exige tanta gente para ser esclarecida.

Aqui começa o desconforto.

Intimação não é condenação. E, juridicamente falando, testemunha não é obrigada a produzir prova contra si mesma. Mas ética não se esconde atrás de tecnicalidades. Ética se mede por postura. Quem comparece ajuda a esclarecer. Quem falta, ajuda a escurecer. E, na política, ausência também depõe.

Nesse ponto, é impossível ignorar o papel de Genivaldo Jesus, presidente do Conselho de Ética. Em vez do caminho fácil — relatório rápido, decisão morna e arquivamento elegante — escolheu o mais arriscado: ouvir o máximo possível antes de decidir. Isso não garante absolvição nem condenação, mas garante algo raro em Toledo: processo com lastro. Quem não deve, deveria aplaudir. Quem se incomoda, talvez explique por quê.

O relator Marcos Zanetti também fez uma escolha que tira o sono de muita gente: começar pelo denunciante. Sim, ouvir primeiro Gilberto Allievi não é detalhe técnico — é mensagem política. Toda investigação séria começa na origem da denúncia. Pular essa etapa seria, no mínimo, um embuste institucional. E Toledo já teve embustes demais travestidos de “normalidade”.

A lista de intimados é extensa. E não é por acaso. Ela revela que o caso não está restrito a um corredor, um gabinete ou um boato de bastidor. Quando muita gente é chamada, não é caça às bruxas — é tentativa de mapear quem viu, quem ouviu, quem participou e quem fingiu não perceber.

O mais incômodo, porém, não está nos depoimentos que virão. Está no que pode não ser dito. O silêncio, quando bem distribuído, costuma denunciar mais do que discursos ensaiados. E o Conselho de Ética sabe disso. Por isso chama. Por isso insiste. Por isso marca data, horário e assento à mesa.

11 de fevereiro, 8h30.

Não é só uma oitiva. É um teste de maturidade institucional. Para os intimados, para a Câmara e para uma cidade que sempre gostou de se apresentar como “imune” a escândalos. Talvez não seja mais possível sustentar essa fantasia sem ruborizar.

Se tudo isso terminar em pizza, ficará claro que o problema não era falta de provas — era falta de coragem. Mas, se avançar, Toledo descobrirá algo ainda mais desconfortável: o maior medo de certos personagens nunca foi a Justiça. Sempre foi a verdade dita em voz alta. E essa, ao que tudo indica, começa a ser chamada pelo nome.

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