Douglas Antônio Fedel Zorzo. Foto: Capes

Dentro da literatura filosófica, assim como em outras áreas do conhecimento, há os autores reconhecidos como clássicos, que são constantemente estudados. Entre eles encontra-se Nicolau Maquiavel, pensador italiano (da região do Florença) que viveu entre os séculos XV e XVI.

Douglas Antônio Fedel Zorzo trabalhou em seu doutorado, na Unioeste, sobretudo três obras de Maquiavel: O príncipe, A Arte da Guerra e Discursos Sobre a Primeira Década de Tito Lívio, o que gerou o trabalho “A guerra em Maquiavel: por que[m] morrem os soldados nos campos de batalha?”. Na tese, Zorzo analisa o papel da guerra e do exército na obra do Secretário florentino, e as mudanças que Maquiavel nota em seu contexto histórico. Em seu trabalho, Zorzo alega que Maquiavel trabalha a política através da guerra, já que vê os conflitos armados como inevitáveis e tem a paz como possibilidade somente com os Estados preparados para o conflito.

Na tese, Zorzo argumenta que Maquiavel defende a ideia de um ‘soldado-cidadão’, um homem comum recrutado para compor as fileiras do exército. “No século XVI, se levar em consideração todo o contexto histórico, a atividade militar é depositada nas mãos de mercenários. Então Maquiavel é um dos grandes defensores de que os Estados formassem e treinassem seus exércitos com seus próprios cidadãos”, explica Zorzo.

O autor também ressalta a aversão que Maquiavel demonstra em suas obras sobre exércitos formados por mercenários, a quem considera fonte de corrupção e desgraça na cidade de Florença. Para isso, relembra a história da queda do porto de Pisa, cidade perdida para os franceses em 1494. Pisa era importante para Florença por escoar a produção da cidade para o mar. Na época, Florença tinha mercenários como defensores e a tentativa de reconquistar Pisa foi feita, em um primeiro momento, pelos exércitos mercenários que fracassaram na defesa da cidade. “Esses exércitos não tinham comprometimento nenhum com a causa florentina, a não ser aquele dinheiro que recebem. A saída para Maquiavel era muito simples: formar um exército próprio, e é isso que ele faz durante sua vida”, explica Zorzo. Após a formação de um exército próprio, Florença consegue o domínio sobre Pisa para escoar sua produção.

Orientador da tese, José Luiz Ames, explica que em Maquiavel, os soldados passam a defender não o salário, mas a sua pátria, a sua terra. “O conceito de pátria significa que as pessoas se identificam com a terra onde nasceram, eles se confundem com essa concepção”, argumenta Ames.

Ames também aponta para o fato de Maquiavel ser considerado o primeiro teórico a abordar a concepção moderna da guerra. “O trabalho procura mostrar onde está essa originalidade na obra de Maquiavel em relação à guerra, comparado com aquilo que era a concepção de guerra ao longo das centenas de séculos anteriores a ele”, ressalta Ames.

Zorzo ainda lembra que Maquiavel é o pensador que abre as portas da modernidade no campo militar ao pensar a guerra subordinada à política. Em seu trabalho, Zorzo explica que Maquiavel defende que apenas o Estado faz guerra, e o faz a partir de seus próprios cidadãos, que vão ao campo de batalha para defender algo que lhes pertence: a pátria, o Estado e seus concidadãos. “Porque, se não fizerem isso, algo de nefasto surge no horizonte daquele Estado, que não tem proteção militar, que é a submissão a uma potência estrangeira”, argumenta Zorzo.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Unioeste Campus Toledo