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Temos é tão pouco pra dar, mas queremos com os irmãos compartilhar

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Dom João Carlos Seneme, Bispo da Diocese de Toledo. Foto: Divulgação

Fazendo uma pausa no Evangelho de Marcos, o Lecionário volta-se para João para retomar exatamente onde a passagem do domingo anterior nos conduzia: a alimentação das multidões famintas. Na semana passada, a primeira coisa que Jesus fez depois de olhar para a multidão foi falar sobre a fé: “E começou a ensinar-lhes muitas coisas” (Mc 6,34). A narrativa de Marcos destaca Jesus como o pastor que cura, ensina, alimenta e se compadece da multidão desamparada.

Na passagem do evangelho deste domingo (Jo 6,1-15) que narra a mesma cena do milagre, o tema muda. O foco do texto do evangelho se concentra na questão do tamanho da multidão e no plano para alimentar esse grande número de pessoas: “Levantando os olhos e vendo que uma grande multidão vinha a Ele…” (Jo 6,5). Ao contrário da versão de Marcos, Jesus sabe exatamente o que fazer: “Ele bem sabia o que iria fazer” (Jo 6,6). Seus discípulos, no entanto, não sabem. Filipe fica preocupado com o tamanho da multidão. André aponta um menino na multidão com cinco pães de cevada e dois peixes e se assusta: “O que é isso para tanta gente?” (Jo 6,9).

De que adianta a escassez em meio a uma infinidade de necessidades? Essa é a preocupação de João.  O relato apresenta a iniciativa de Jesus: levou as pessoas a uma região distante e afastada, as observa, provoca o discípulo, controla seu plano, dá as ordens antes e depois, ele mesmo reparte o pão. O povo o receberá como dom, de sua mão. Filipe e André representam a visão humana, de um realismo impotente, forçada a calcular sem resolver.

Jesus responde com a generosidade de Deus. A cena muda para uma refeição abundante com tons eucarísticos. Por exemplo, “Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu aos que estavam sentados. Fez o mesmo com o peixe. (Jo 6,11). É claramente uma referência ao mistério eucarístico: o verdadeiro mistério do qual nasce a Igreja e todas as obras da Igreja. Acontece o milagre: comeram até ficarem saciados. Depois que todos foram alimentados a imagem se torna a de uma abundância de fragmentos de pão de cevada que sobraram, indicando que as pessoas tinham mais do que o suficiente para comer.

Mais adiante no evangelho Jesus explicará qual é o verdadeiro “pão”. O povo, diante do acontecido, quer proclamar Jesus rei (Messias), mas Jesus se retira, sozinho, na região montanhosa.

Esta indicação é importante. Jesus não veio propriamente para saciar a fome material das pessoas. Ele fez um “sinal” apontando para sua missão fundamental. Para solucionar os problemas materiais da população, existem recursos disponíveis, desde que todos ajam com responsabilidade e justiça. Para isso, é essencial que conheçam o Deus de amor e justiça que se revela em Jesus. Quem se aproxima da mesa eucarística deve estar atento às necessidades dos irmãos. É nesse sentido que Jesus nos prepara para o anúncio do discurso do pão da vida nos próximos domingos.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo

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Edição nº2811 – 02/03/2026

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