Boletim do Deral divulgado nesta quinta-feira (29) aponta que produtores recebem R$ 5,17 por quilo do suíno vivo, enquanto o custo de produção chega a R$ 6,13. Avicultura também enfrenta margens negativas
A suinocultura paranaense enfrenta um cenário de dificuldades financeiras, marcado pela queda expressiva nos preços pagos aos produtores e pelo aumento dos custos de produção. Os dados constam no Boletim Conjuntural da 44ª semana de 2026, divulgado nesta quinta-feira (29) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
O levantamento merece atenção especial em Toledo, município que tem na produção de suínos e aves duas das principais atividades de sua economia agropecuária.
Segundo o Deral, o custo médio de produção do suíno vivo no Paraná atingiu R$ 6,13 por quilo em setembro, um aumento de 2,85% em relação a agosto e de 6,24% na comparação com setembro de 2025.
Em contrapartida, o preço médio recebido pelo produtor caiu para R$ 5,17 por quilo, uma redução de 27,79% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o valor era de R$ 7,16.
A diferença entre o custo de produção e o preço de venda chegou a R$ 0,96 por quilo, deixando a remuneração do produtor 15,66% abaixo do custo médio da atividade.
Alimentação dos animais pesa no bolso do produtor
Um dos principais fatores responsáveis pela elevação dos custos é o encarecimento da alimentação animal, que representa 71,45% do custo total de produção dos suínos no Paraná.
Em setembro, os gastos com nutrição chegaram a R$ 4,38 por quilo produzido, uma alta de 10,61% em relação ao mesmo período de 2025.
O milho, principal componente das rações, atingiu R$ 66,43 por saca de 60 quilos, enquanto o farelo de soja alcançou R$ 2.171,40 por tonelada, registrando aumento de 27,5% na comparação anual.
O levantamento também revela uma deterioração da relação de troca. Em setembro de 2025, o produtor precisava comercializar 142 quilos de suíno para adquirir uma tonelada de milho. Neste ano, são necessários 214 quilos, uma piora de 50,7%.
No caso do farelo de soja, a quantidade necessária passou de 238 para 420 quilos de suíno, uma desvantagem de 76,5%.
Segundo a análise do Deral, a combinação de custos crescentes, preços em queda e consumo interno lento tem imposto dificuldades à sustentabilidade econômica da suinocultura paranaense.
Avicultura também registra margens negativas
A situação não é muito diferente na avicultura, outra atividade de grande importância econômica para Toledo e região.
O custo médio de produção do frango vivo no Paraná alcançou R$ 4,96 por quilo em setembro, enquanto o preço recebido pelo produtor ficou em R$ 4,75.
Com isso, a remuneração ficou 4,23% abaixo do custo de produção, representando uma diferença negativa de R$ 0,21 por quilo.
Os gastos com alimentação das aves continuam sendo o principal componente dos custos, representando 65,55% do índice calculado para a atividade.
Trigo perde 34% da produção e soja avança
O boletim também aponta perdas expressivas na safra de inverno. A produção paranaense de trigo está estimada em 1,9 milhão de toneladas, volume 34% inferior ao registrado em 2025.
As chuvas excessivas durante a colheita prejudicaram a produtividade e a qualidade dos grãos. A estimativa de rendimento caiu de 54 para 44 sacas por hectare.
Considerando todos os grãos de inverno, a produção projetada é de 2,84 milhões de toneladas, redução de 28% em relação ao ano anterior.
Por outro lado, a safra de verão 2026/2027 apresenta perspectivas mais favoráveis. O plantio da soja chegou a 62% da área prevista, com expectativa de produção de 22,75 milhões de toneladas.
No milho da primeira safra, 94% da área já foi semeada, e a produção estimada é de 4,08 milhões de toneladas.
Apesar do avanço no plantio, o Deral alerta que as chuvas acima da média histórica exigem acompanhamento das lavouras, principalmente do milho, que apresenta condições mais sensíveis ao excesso de umidade.
Cenário exige atenção em Toledo
Para Toledo, cuja economia tem forte participação das cadeias produtivas de suínos, aves e grãos, os indicadores estaduais representam um sinal de atenção.
A elevação dos custos da alimentação animal, associada à redução dos preços recebidos pelos produtores, pressiona as margens de rentabilidade e reforça a importância do acompanhamento do mercado agropecuário.
Fonte: Seab – Deral





