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Soja inicia novo ciclo no Paraná enquanto suínos ganham competitividade e frango enfrenta pressão de custos

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Foto: Reprodução/Mapa

Estado projeta 5,76 milhões de hectares de soja na safra 2026/27; abate de suínos cresce e reduz preços ao consumidor, enquanto alta do milho e do farelo de soja aperta margens da avicultura

O agronegócio paranaense entra em uma nova etapa neste mês de setembro, com o início do plantio da soja 2026/27 e movimentos distintos nas principais cadeias de proteína animal. Enquanto a soja começa a ocupar as lavouras do Oeste, Norte e Noroeste do Estado, a maior oferta de carne suína tem provocado queda nos preços ao consumidor. Já a avicultura enfrenta um cenário de custos mais elevados para alimentação dos animais e preços mais contidos do frango.

Os dados fazem parte do Boletim Conjuntural da Semana 37, divulgado nesta quinta-feira (10) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab).

Soja começa a ser plantada no Oeste do Paraná

O plantio da safra de soja 2026/27 já está liberado na Região II, que abrange municípios do Norte, Noroeste e Oeste do Paraná. Até o momento, os trabalhos ainda são considerados tímidos: cerca de 81 mil hectares foram semeados diante de uma área total prevista de 5,76 milhões de hectares em todo o Estado.

O ritmo deverá aumentar ao longo de setembro. A partir desta sexta-feira (11), termina o vazio sanitário e o plantio será liberado também no Sudoeste. Na Região Sul, a liberação ocorrerá a partir de 19 de setembro.

A expectativa do Deral é de que, a partir de 20 de setembro, os trabalhos se intensifiquem em todas as regiões, desde que as condições climáticas sejam favoráveis. Historicamente, porém, outubro concentra a maior parte do plantio da soja no Paraná.

Mais suínos no mercado e carne mais barata

Na suinocultura, o aumento da produção vem ampliando a disponibilidade de carne no mercado e contribuindo para a redução dos preços ao consumidor.

Segundo dados do IBGE apresentados pelo Deral, 15,6 milhões de suínos foram abatidos no Brasil durante o segundo trimestre de 2026, resultando em 1,49 milhão de toneladas de carne.

Em comparação com o mesmo período de 2025, foram aproximadamente 500 mil animais a mais abatidos e um acréscimo de cerca de 70 mil toneladas de carne.

O aumento da oferta já aparece nas prateleiras. No Paraná, os preços da paleta e do pernil suíno com osso acumulam quedas superiores a 20% em relação a agosto do ano passado. Os cortes foram comercializados, em média, a R$ 14,15 por quilo.

Ao mesmo tempo, a carne bovina ficou mais cara. Alguns cortes bovinos registram alta de 22% em 12 meses. Com isso, a diferença de preços entre as duas proteínas aumentou, tornando a carne suína mais competitiva e uma alternativa mais acessível para o consumidor.

Frango enfrenta alta nos custos de produção

A situação da avicultura é diferente. O preço médio do frango vivo recebido pelo produtor paranaense ficou em R$ 4,73 por quilo em agosto, redução de 0,2% em relação a julho e queda de 3,9% na comparação com agosto de 2025, quando o valor era de R$ 4,92 por quilo.

Enquanto o preço do frango permanece praticamente estável, os custos da alimentação das aves aumentaram.

O milho chegou a R$ 64,56 por saca de 60 quilos em agosto, alta de 4,8% em apenas um mês e de 6,9% em 12 meses. O farelo de soja atingiu R$ 1.973,53 por tonelada, aumento de 5,4% frente a julho e de 17% em relação a agosto do ano passado.

Esse cenário reduziu o poder de compra do avicultor. Em agosto, eram necessários 227 quilos de frango vivo para adquirir uma tonelada de milho, contra 205 quilos no mesmo período de 2025, uma piora de 10,7%.

Para comprar uma tonelada de farelo de soja, o produtor precisava do equivalente a 417 quilos de frango vivo, enquanto há um ano eram necessários 343 quilos, deterioração de 21,6% na relação de troca.

Produção de frango cresce no país

A pressão sobre os preços também está relacionada ao aumento da oferta. No segundo trimestre de 2026, o Brasil abateu 1,69 bilhão de frangos, crescimento de 2,8% em relação ao mesmo período de 2025.

O peso total das carcaças chegou a 3,74 milhões de toneladas, aumento de 5,1% na comparação anual.

Segundo o Deral, além da maior disponibilidade de produto no mercado, os preços também foram pressionados pela redução da procura a partir da segunda quinzena de agosto, pela concorrência com outras carnes e pelo menor poder de compra das famílias.

Assim, enquanto a soja dá os primeiros passos para uma nova safra e a carne suína ganha competitividade nas prateleiras, a cadeia do frango entra na reta final de 2026 diante do desafio de equilibrar aumento dos custos de produção e preços mais baixos ao longo da cadeia.

Fonte: SEAB

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