Após surpreendente resultado de 5,2% de crescimento no primeiro semestre, a cadeia produtiva de rações reduziu ligeiramente o ritmo no saldo ao término do Q3, resultado que pode se manter até o encerramento do ano

De acordo com estimativas do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal – Sindirações, o resultado apurado pela cadeia produtiva de rações, contabilizado até setembro, registrou um crescimento de 4,7% comparado ao mesmo período do ano anterior. Mesmo com menor ritmo, após totalizar 5,2% ao final do primeiro semestre, o resultado ainda é surpreendente, com projeção de  encerrar o ano mantendo crescimento de quase 5% e uma produção total de 81,1 milhões de toneladas de rações. O resultado é comemorado pela indústria de alimentação animal, levando em consideração o ano atípico e repleto de desafios impostos pela pandemia do novo coronavírus e que impactaram na economia global com a queda do PIB na maioria das grandes economias mundiais.

A  cadeia produtiva resistiu aos efeitos da pandemia, chegando a atingir 5,2% de crescimento, durante o primeiro semestre do ano. Enquanto de julho a setembro, fora percebida alguma diminuição no ritmo. Muito embora, a relativa diminuição dos embarques para a China e, sobretudo, o corte pela metade do auxílio emergencial possam determinar menor ritmo, o maior desejo pela proteína animal por conta das ceias celebradas no Natal e virada de ano podem redundar em avanço de quase 5%, ou seja, na demanda de mais de 81 milhões de toneladas de rações e sal mineral.

“É importante salientar também que o elevado custo de produção, resultado do milho, do farelo de soja e outros insumos importados, com preços internos inflados pela desvalorização cambial, invariavelmente influencia o interesse por alojar e confinar, ou mesmo reter ou abater animais mais precocemente e descartar aqueles menos produtivos, combinações tentativas para contenção das despesas, diante da flagrante corrosão da rentabilidade e em comparação aos preços recebidos pelos produtores que comercializam carnes, ovos e leite, predominante ou exclusivamente no mercado doméstico”, analisa Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações.

O período testou a resiliência da cadeia exportadora, principalmente durante as tantas incertezas nos meses de compulsório confinamento e rígida quarentena, conforme reforça Ariovaldo: “o bom desempenho do setor ao longo do ano, deveu-se também à capacidade de atender plenamente aos exportadores, favorecidos pelos competitivos preços do portifólio pecuário brasileiro no exterior, comprometidos com o suprimento dos clientes tradicionais e atentos às oportunidades internacionais alternativas”, diz.

A pandemia da COVID-19 ratificou que o ativo mais importante do setor é a pessoa humana, fato comprovado pela mobilização coletiva dos empreendedores, que não economizaram esforços na elaboração e implementação imediata de protocolos específicos para prevenção da exposição e contágio, na aquisição de EPIs, na orientação profissional aos colaboradores e suporte à saúde e tratamento das respectivas famílias.

Seguem os dados do setor de alimentação anima e análise por cada segmento da cadeia produtiva:

PRODUÇÃO DE RAÇÕES E SAL MINERAL (milhões toneladas)

*Estimativa; **Previsão

Fonte: Sindirações

EVOLUÇÃO NA PRODUÇÃO RAÇÕES (2020/2019)

Fonte: Sindirações

*Previsão

FRANGOS DE CORTE

Apesar do cenário bastante adverso provocado pela pandemia da COVID-19, é fato que a produção de alimentos para animais resistiu bem ao “evento imprevisível” e assegurou o necessário suprimento da cadeia produtiva e exportadora da proteína animal brasileira. O produtor de frangos de corte demandou  25,6 milhões de toneladas de rações de janeiro a setembro, um avanço de quase 4%, marca alinhada àquela prevista ainda antes da pandemia, ou seja, ancorada na percepção do consumo doméstico crescente e da continuidade da necessidade chinesa por proteína animal que continuaria mirando também a carne de frango. Apesar do cenário futuro apontar razoável recessão econômica com taxa de desemprego às alturas, o auxílio emergencial liberado pelo Governo Federal aos milhões e milhões de afetados, apesar de decrescente, foi preferencialmente gasto na compra de alimentos. Combinado ao fenômeno mencionado, e apesar do estratosférico custo dos principais insumos (milho e farelo de soja, afora os aditivos importados e precificados em dólar), o persistente déficit interno chinês pelas carnes pode manter o ritmo ajustado da cadeia produtiva brasileira, e em consequência ainda assegurar um avanço de 3,5% na produção de rações para frangos de corte durante o ano de 2020.

PRODUÇÃO FRANGO DE CORTE

Fonte: APINCO, adaptado Sindirações

GALINHAS DE POSTURA

O consumo de ovos foi intensificado, alternativamente às carnes, por conta dos efeitos econômicos gerados pela pandemia, e então, o crescente e contínuo alojamento de poedeiras, apurado em boa parte do ano, contabilizou algo como 5,2 milhões de toneladas de rações, avanço da ordem de 6%, quando comparado aos mesmos nove meses do ano passado. O descarte das aves mais velhas por conta dos excedentes deve ajustar naturalmente a produção à demanda e a previsão é que a produção de rações para galinhas de postura avance 5,5% e contabilize 7,2 milhões de toneladas no corrente ano.

POEDEIRAS EM PRODUÇÃO (milhões)

Fonte: ABPA, adaptado Sindirações

SUÍNOS

A destinação recorde da carne suína brasileira para a China e o concomitante incremento do consumo doméstico impulsionado pelo auxílio emergencial dinamizaram a cadeia produtiva que demandou, no período de janeiro a setembro, 13,2 milhões de toneladas de rações para suínos, quando comparado ao mesmo período do ano passado. Muito embora, o benefício aos mais necessitados segue agora reduzido pela metade, o bom ritmo ainda verificado nos embarques ao exterior permite prever uma estimativa que pode ultrapassar 18,6 milhões de toneladas e avançar 5%.

ABATE DE SUÍNOS (milhões cabeças)

Fonte: SIGSIF/MAPA, adaptado Sindirações

BOVINOS DE CORTE

De janeiro a setembro, a produção de rações e concentrados para bovinos de corte alcançou 4,4 milhões de toneladas e incremento de 6,3%, e continua estimulada pelos bons preços pagos pelo terminado e principalmente alavancada por causa do desempenho exportador. Apesar do cenário prejudicar a rentabilidade dos repositores e criadores, resultado da grande valorização do bezerro e dos preços dos concentrados e sal mineral e dos bezerros, respectivamente, a piora das pastagens exigiu a complementação com milho, farelo de soja e algodão, DDGS, etc. Durante os doze meses do ano corrente é provável apurar a produção de 5,5 milhões de toneladas, ou ainda um avanço de 6%.

BOVINOS LEITEIROS

O plantel de bovinos leiteiros demandou 4,7 milhões de toneladas durante os primeiros nove meses do ano, um avanço da ordem de 4,9% quando comparado ao mesmo período do ano passado. Nesse ano, a cadeia produtiva do leite foi e continua modulada por diferentes fatores que influenciam sua produtividade, dentre eles, o apetite dos consumidores sustentados pelo auxílio emergencial, o abate de vacas em resposta à valorização da arroba, o preço recebido pelo produtor, a estiagem na região Sul do país, o maior volume de leite em pó importado,  o encarecimento da alimentação dos animais por conta do forte aumento do preço do milho, farelo de soja e dos insumos importados, etc. Apesar das melhores condições de pastagens, por conta do período chuvoso, e da eventual retração do hábito de compra dos lácteos, devida à redução do valor do auxílio, ainda é possível estimar crescimento de 4,5% e contabilização de 6,5 milhões de toneladas durante o exercício de 2020.

COMPARAÇÃO DOS ÍNDICES

Fonte: CEPEA, adaptado Sindirações

PEIXES E CAMARÕES

O Brasil já é considerado o quarto maior produtor global de tilápias e a piscicultura continua avançando, principalmente no estado do Paraná, onde prevalece o sistema de produção integrado, no qual o integrador fornece ração e assistência técnica ao produtor e, em seguida, recolhe o produto que é processado industrialmente e comercializado, inclusive internacionalmente. Além disso, os produtores verticalizados e independentes continuam povoando, motivados pelos melhores preços pagos pelo peixe e, ao contrário de anos anteriores, pela demanda consumidora que não retrocedeu, mesmo após a “Semana Santa”. No caso da carcinicultura, os pequenos e médios produtores concentraram esforços nas vendas diretas na região Nordeste e assim puderam sustentar seus negócios durante a fase mais aguda da pandemia. De janeiro a setembro a produção de rações para aquacultura já somou 1,1 milhão de toneladas, cujo montante pode avançar até 10% e totalizar em 1,43 milhão de toneladas no corrente ano.

CÃES E GATOS

Os cães e os gatos já residem em mais da metade dos lares brasileiros e essa estreita interação sob o mesmo teto, acentuada mais recentemente pela pandemia, reforçou a percepção dos tutores que a saúde dos mascotes é tão importante quanto qualquer outro membro da família. Em consonância, a praticidade do alimento completo e balanceado, tem contribuído para crescente e contínuo interesse no oferecimento da alternativa industrializada. De janeiro a setembro a demanda avançou 5,3%, enquanto a previsão é produzir cerca de 2,9 milhões de toneladas durante o ano de 2020.

SOBRE O SINDIRAÇÕES

Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal – Sindirações atua como interlocutor da indústria de alimentação animal com o objetivo de promover um  ambiente competitivo adequado para a produção do alimento animal seguro. Fundado em 1953, o Sindirações é o principal representante da indústria brasileira de  rações, concentrados, núcleos, premixes e suplementos/sal mineral junto aos principais organismos nacionais e internacionais. A entidade reúne 140 associados, que representam 90% do mercado de produtos destinados à alimentação animal, incluindo as empresas que importam e comercializam insumos, e aquelas que utilizam para consumo próprio.