Foto: Divulgação/Unioeste

O Hospital Universitário do Oeste do Paraná (Huop), acompanhou três captações de órgãos em 24 horas entre sábado e domingo. Um fato raro que movimenta o hospital, pois uma captação dura em torno de três a quatro horas, além disso, exige um grande suporte da equipe e movimentação de transporte aéreo e terrestre. Elaine Padilha, coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar para Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) comenta que os plantões passam a ser bastante corridos para que as equipes possam atender as demandas. “Muitas vezes o profissional tem seu horário em outra área e no horário que seria descanso, vem fazer plantão na CIHDOTT, onde realizamos todo o trabalho de pré atendimento com a família até a influência à doação”, explica. 

A primeira captação nessas 24 horas foi de um bebê de 42 dias que teve morte encefálica após ser diagnosticado com meningite. O órgão foi transportado com auxílio do avião da Força Aérea Brasileira para o Rio de Janeiro, onde foi transplantado. O auxílio do transporte foi necessário tendo em vista que o tempo máximo do coração até o transplante é de 4 horas. “A doação deste órgão é bastante raro e exige estrutura para que seja possível a captação, transporte e transplante”, ressalta Elaine. Desse paciente também foram captados os rins, encaminhados pela Central de Transplante. 

Na sequência, outra captação foi de um paciente de 22 anos, de Céu Azul, os órgãos captados foram os rins, fígados e tecido ocular. E, ainda, foram captados os rins, fígado, válvulas cardíacas e tecido ocular de um paciente de 55 anos de Tupãssi. “É um trabalho que exige dedicação para que os resultados continuem positivos”, comenta. 

O Huop tem se destacado nos últimos anos, sendo serviço de referência para acolhimento e acompanhamento familiar durante esse momento doloroso. Atos como esse salvam vidas. Além disso, a CIHDOTT faz o atendimento completo em relação a doação de órgãos, desde o contato com a família até o encaminhamento para os exames. “Fazemos o atendimento com a família antes do diagnóstico para que ela possa entender o que é esse diagnóstico e quando decretarem a morte do paciente, a gente oferece essa possibilidade de doação”, diz Elaine. 

Taxa de aceite continua alta 

A taxa de aceite das captações feitas no Huop, mesmo em tempo de pandemia onde as doações diminuem, continua acima de 70%. Existe ainda, mais esperança de que o número de doadores aumente e que mais vidas sejam salvas. “Tivemos uma diminuição dos números de doações por conta da pandemia, pacientes com suspeita ou confirmados com a doença, não podem doar. Mas agora com os casos diminuindo e pessoas vacinadas, há mais possibilidades de pacientes aptos à doação”, diz Elaine. 

Setembro Verde

Setembro é o mês dedicado à doação de órgãos e foi justamente quando as doações vêm aumentando. “Esse mês tem sido muito especial, por ter o Dia Mundial da Doação de Órgãos e tivemos uma maratona de pacientes com esse diagnóstico e que as famílias autorizaram”, lembra Elaine. Essas doações são muito importantes pois a fila de espera por um órgão no Brasil é muito grande, e aumentou na pandemia. “É muito importante que a gente tenha essa retomada do número de doações para que as pessoas possam sair da fila”, finaliza. 

As captações continuam

Além dessas três captações, durante essa semana foi realizado a captação de mais um órgão raro, um pulmão, captado pela quinta vez na história do Huop. A doação desse órgão é bastante rara por conta da condição dos pacientes em ventilação mecânica, além disso, o transporte precisa ser rápido, tendo em vista que o órgão tem uma vida útil de 4 horas até ser transplantado. As duas últimas captações de pulmão foram registradas em março de 2020.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Unioeste