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São Pedro e São Paulo, unidos pelo martírio e pelo amor à Igreja

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Dom João Carlos Seneme, Bispo da Diocese de Toledo. Foto: Divulgação

O prefácio da missa deste domingo (2/07) dá uma breve descrição dos Apóstolos que celebramos. “Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o evangelho da salvação. Por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração”. Em poucas linhas a Liturgia nos oferece uma descrição, não só dos dois apóstolos, colunas fundamentais da fé cristã, mas também do início da Igreja. Pedro e Paulo, no contexto de nossa celebração, não são apenas dois indivíduos que responderam ao chamado de Cristo, mas simbolizam a resposta afirmativa de toda Igreja ao projeto de amor de Deus Pai.

Através do Novo Testamento nós podemos reconstruir o itinerário de suas vidas e perceber a gratuidade da escolha divina. Pedro era um pescador da Galileia, trabalhava com o pai, Jonas, e o irmão, André, no lago de Tiberíades. Foi precisamente numa tarde enquanto lançava as redes para a última pescaria que passou por ali Jesus e o chamou e a seu irmão: “Vinde após mim; eu vos farei pescadores de homens” (Mc 1,17). Desta forma teve início sua caminhada: seguir o Mestre, da Galileia à Judeia; daqui, depois da morte de Jesus, andou pela Palestina até chegar em Roma. Ali viveu como líder da nova comunidade fundada por Jesus. Por isso a cátedra de Pedro foi edificada sobre o seu túmulo onde hoje está a Basílica de São Pedro, símbolo da unidade da Igreja Católica. Pedro continua sendo a rocha sobre a qual Cristo vai construindo misteriosamente sua Igreja, o sinal da unidade para todos os que invocam o nome do Senhor.

Paulo fez um caminho diferente. Era um fariseu culto que ensinava nas sinagogas.  É chamado por Jesus no caminho de Damasco: “Saulo, Saulo, por que me persegues? (At 9,4). A partir daquele dia sua vida se transformou e passou de perseguidor da Igreja nascente a apóstolo de Jesus Cristo: “O amor de Cristo me impele” (2Cor 5,14). Abriu-se aos pagãos e procurava anunciar a boa-nova de Jesus em todos os lugares, pregando aos judeus e aos pagãos. Por onde passava fundava novas comunidades.

A história destes dois homens é marcada pelo encontro com Jesus que deu novo sentido as suas vidas. Não importam seus defeitos e dificuldades: eles são frágeis, inconstantes, agem por impulso. Porém, carregam dentro de si um tesouro que lhes dá dignidade. Deus está com eles e como está com cada um de nós. Deus faz emergir o que há de melhor na alma humana.

Acompanhando a história desses dois homens, podemos perceber Deus traçando o seu plano de salvação e contando com a generosidade humana para concretizá-lo. A Igreja é a comunidade daqueles que se unem a Pedro ao proclamar a fé em Jesus Cristo. Quem edifica a Igreja é Cristo.  É ele que escolhe livremente um homem e o põe na base do edifício. Nós conhecemos a fragilidade de Pedro, seu medo, mas também sua generosidade em deixar tudo para seguir Jesus. Por isso, ele é um instrumento nas mãos de Deus e se torna símbolo da unidade: “Onde está Pedro, ali está a Igreja” (Santo Ambrósio).

O ministério de Pedro se perpetua no Bispo de Roma, Papa Francisco. “O Papa, bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, ‘é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, tanto os bispos como a multidão dos fiéis’” (Catecismo da Igreja Católica, 882).

Hoje é dia: de agradecer a Deus pela pessoa e ministério do Papa; de reavivar e despertar em nós um apreço efetivo e emocionado por ele e por seu eminente magistério mediado por uma linguagem simples, direta e acessível. De pensar no papel insubstituível e árduo do Papa para toda a Igreja e para cada cristão católico.

Neste final de semana, solenidade de São Pedro e São Paulo, acontece o Dia mundial da caridade do Papa, coleta do Óbolo de São Pedro. Trata-se de “ajuda econômica” que os fiéis oferecem ao Santo Padre como como sinal de adesão à solicitude do Sucessor de Pedro relativamente às múltiplas carências da Igreja universal e às obras de caridade em favor dos mais necessitados.

Rezemos especialmente pelo Papa Francisco, sucessor de Pedro, Bispo de Roma, Pastor da Igreja Universal pelo seu ministério petrino e por todas as suas intenções. Em todas as ocasiões, ele pede que rezemos pelo seu ministério apostólico. Hoje o faremos de forma mais intensa.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo

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