Estudos apontam que o apoio familiar é um importante fator para a diminuição da ansiedade e consequentemente melhora do quadro clínico de pacientes com diversas doenças. Com a pandemia do novo coronavírus, esse acompanhamento tem sido limitado pelo alto risco de transmissão, que interferiu diretamente no afastamento entre pacientes e familiares, gerando angústia, medo e ansiedade.

Para possibilitar novamente a conexão entre pacientes e familiares, o projeto ‘Humanização à assistência dos pacientes hospitalizados com covid-19, no Hospital Municipal de Foz do Iguaçu’, está em atividade desde a última semana e promove visita virtual entre pacientes hospitalizados com COVID-19 e seus familiares. O projeto de extensão é da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) e conta com a coordenação da profª Drª Mara Cristina Ripoli Meira, do curso de Enfermagem do Campus Foz do Iguaçu.

“Na enfermaria o paciente pode ficar com telefone celular, mas quando ele vai para setores mais críticos, já não pode utilizar o telefone. Então, estaremos fazendo esse vínculo entre a família e o paciente com o objetivo de diminuir a ansiedade de ambos porque a gente sabe a importância da família nesse momento”, comenta Mara.

Ela explica que a enfermeira Karin Aline Zilli, Chefe da UTI do Hospital Municipal, já desenvolvia essa atividade para alguns pacientes mais graves, porém com o aumento significativo de internados ficou inviável. Para atender parte desta demanda, alunos do curso de Enfermagem da Unioeste campus Foz do Iguaçu, que fazem parte de outros projetos dentro do hospital e, portanto, já vacinados, estarão cinco dias por semana atuando nesta ação.

“Eles conduzem as ligações, garantindo que seja um momento de incentivo e apoio do paciente. A expectativa é que com esta ação haja uma redução da angústia dos familiares, minimizando uma pequena parcela do impacto psicológico da pandemia e garantindo maior humanização à internação desses pacientes”, explica a enfermeira.

Mara acrescenta que a ideia de realizar o trabalho foi da acadêmica do 3º ano do curso de enfermagem Fabiana Coltro Bezagio. A estudante cumpria estágio no Hospital e sentiu a necessidade desse vínculo entre a família e o paciente.

“É um momento angustiante que traz muito medo. Em alguns momentos os familiares escreviam uma cartinha e eu levava para o paciente, lia algumas, gravei áudio de familiares para pacientes. Fui fazendo isso e vi o quão importante era para os pacientes e para a família e daí surgiu a ideia do projeto”, comenta a estudante.

Com o marido internado pela Covid-19, mas preferindo não se identificar, uma das atendidas pelo projeto conta sobre a importância do contato online neste momento tão difícil para pacientes e familiares. “As ligações foram muito importantes para nós, tínhamos notícias e isso trouxe um tempo diferente, poder vê-lo nos dava mais esperança de sua recuperação. Não consigo expressar minha gratidão por este momento. A Covid-19 é dolorosa, mas vocês amenizaram muito com essas ligações”.

O projeto conta o patrocínio do empresário José Marcos Sarabia e a Itaipu Binacional, que cederam os telefones celulares e a Fundação de Saúde (Hospital Municipal) que está fornecendo os chips dos telefones e vale transporte aos acadêmicos participantes do projeto.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Unioeste