Da Redação
Jairo Zschornack afirma que Estado e União precisam ampliar participação no financiamento do SUS e alerta que o peso sobre os cofres municipais limita investimentos em outras áreas da Saúde
A Secretaria de Saúde de Toledo apresentou, em audiência pública realizada na quarta-feira (30), os números referentes ao segundo quadrimestre de 2026. A prestação de contas ocorreu no Auditório e Plenário Edílio Ferreira, na Câmara Municipal, em cumprimento à legislação que determina a apresentação periódica dos dados da área.
A audiência foi promovida pela Comissão de Seguridade Social e Cidadania e presidida pela vereadora Olinda Fiorentin. Também participaram o vice-presidente Valdir Gomes e os membros Chumbinho Silva e Valtencir Careca.
A Secretaria Municipal de Saúde foi representada pela secretária Adriane Monteiro Santana e pela equipe técnica da pasta.
Até agosto de 2026, as receitas da Saúde totalizaram R$ 215.519.485,56. Desse montante, R$ 164.660.982,81, equivalentes a 76,40%, tiveram origem municipal. Os recursos federais somaram R$ 41.322.048,38, correspondendo a 19,17%; os estaduais chegaram a R$ 6.072.758,71, ou 2,82%; e outras receitas representaram R$ 3.463.695,66, equivalentes a 1,61%.
O Município alcançou 31,37% de aplicação de recursos livres municipais na Saúde, mais que o dobro do mínimo constitucional de 15%.
As despesas liquidadas até o segundo quadrimestre chegaram a R$ 188.306.068,34. Desse total, R$ 40.324.286,82 foram destinados a consórcios, enquanto R$ 147.981.781,52 corresponderam às despesas do Fundo Municipal de Saúde.
O investimento per capita em Saúde atingiu R$ 1.155,55 por habitante nos primeiros oito meses de 2026, considerando a estimativa populacional do IBGE. Trata-se do maior valor per capita registrado para o mesmo período nos últimos seis anos.
Jairo destaca peso financeiro assumido pelo Município
Durante a audiência, o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Jairo Marcos Zschornack, fez uma avaliação do relatório e destacou o volume de recursos próprios destinados pela Prefeitura à manutenção dos serviços.
“De modo geral, a apresentação do relatório quadrimestral é satisfatória”, afirmou.
Jairo chamou atenção para o fato de que 31,37% das receitas próprias municipais estão sendo direcionadas à Saúde. Ao analisar especificamente a assistência hospitalar, destacou que o Município assume 43,3% desse custeio.
Segundo ele, esse cenário merece atenção porque o financiamento do Sistema Único de Saúde é tripartite, envolvendo Município, Estado e União.
“Quando o município arca com 43,3% de uma despesa que deveria ser compartilhada, ele acaba assumindo responsabilidades que, idealmente, deveriam contar com maior aporte do Estado e da União”, observou.
Para Jairo, a participação financeira dos outros entes poderia permitir que Toledo destinasse mais recursos às áreas que são de responsabilidade mais direta do Município, especialmente a Atenção Primária.
Ele também apontou que a maior pressão está justamente na assistência especializada, envolvendo consultas, exames e procedimentos que acumulam filas de espera.
“Esses 43% referem-se, em grande parte, a consultas e exames especializados, que resultam em filas de espera cujos números são, infelizmente, alarmantes”, disse.

Recursos municipais crescem, mas despesas são reduzidas
Outro ponto abordado por Jairo foi o comportamento das receitas e despesas.
Segundo os dados apresentados, houve aumento de 5,86% nas receitas municipais destinadas à Saúde, enquanto a Secretaria conseguiu reduzir despesas em 2,27%.
Para o presidente do Conselho Municipal de Saúde, entretanto, essa economia precisa ser analisada com cautela.
Na avaliação dele, a redução de gastos pode repercutir diretamente sobre a oferta de serviços, principalmente diante de uma demanda crescente por atendimentos, exames e especialidades.
Passivo do Instituto Ideias também preocupa
Jairo também citou o passivo aproximado de R$ 9 milhões relacionado ao Instituto Ideias, que permanece em análise jurídica.
Segundo ele, caso esse valor venha a ser incorporado às despesas da Saúde, o percentual de comprometimento dos recursos municipais passaria dos atuais 31,37% para aproximadamente 33,17%.
Embora o montante ainda dependa de definição jurídica, Jairo destacou que o impacto potencial sobre o orçamento municipal é significativo e pode reduzir a capacidade de novos investimentos.
Consórcios entram no debate
Os gastos com consórcios também foram alvo de observação.
As despesas liquidadas com consórcios somaram R$ 40,3 milhões nos primeiros oito meses do ano.
Jairo ressaltou que a finalidade original dos consórcios públicos é justamente promover economia por meio do compartilhamento de serviços e custos entre municípios.
No entanto, chamou atenção para o crescimento das despesas administrativas e sugeriu maior acompanhamento do Legislativo.
“Tenho reiterado nas reuniões quadrimestrais que a finalidade precípua de sua criação é a redução de custos por meio do rateio, visando maior eficiência econômica. Contudo, observamos um crescimento anual questionável nas despesas administrativas”, afirmou.
Ele sugeriu que a Câmara Municipal avalie mecanismos de fiscalização e controle dos aportes financeiros destinados aos consórcios.
Serviços terceirizados também são questionados
Outro item destacado foi o gasto com serviços terceirizados.
O relatório apresentou aproximadamente R$ 488 mil nessa rubrica, valor correspondente a 42,28% das despesas relacionadas naquele grupo.
Segundo Jairo, os valores envolvem contratos de limpeza e manutenção urbana.
O presidente do Conselho afirmou que, quando vários serviços são reunidos em uma contratação centralizada para diferentes secretarias, a expectativa é de redução de custos em razão da escala.
Diante do valor apresentado, ele defendeu uma análise mais detalhada da economicidade dos contratos e da possibilidade de adoção de alternativas que permitam melhor utilização dos recursos públicos.

Atenção Básica concentra metade dos investimentos
Entre as áreas da Saúde, a Atenção Básica recebeu o maior volume de recursos.
Foram R$ 95.811.061,43, equivalentes a 50,88% dos investimentos.
Na sequência aparecem os serviços hospitalares e ambulatoriais, com R$ 81.020.551,22, ou 43,03%.
A Vigilância Epidemiológica recebeu R$ 6,25 milhões, representando 3,32%; a Vigilância em Saúde, R$ 2,6 milhões, ou 1,42%; o Suporte Profilático, R$ 2,06 milhões, equivalente a 1,10%; e o Apoio Administrativo, aproximadamente R$ 485 mil, ou 0,26%.
Hospital Regional recebeu R$ 5,5 milhões no quadrimestre
A secretária Adriane Monteiro também apresentou informações sobre os pagamentos realizados à Associação Beneficente de Saúde do Oeste do Paraná, a Hoesp, responsável pela gestão do Hospital Regional de Toledo.
No segundo quadrimestre de 2026, os pagamentos totalizaram R$ 5.552.825,76.
O contrato emergencial com a Hoesp entrou em vigor em maio.
Assistência Farmacêutica ultrapassa 200 mil atendimentos
A Assistência Farmacêutica realizou 200.180 atendimentos entre maio e agosto.
No acumulado de janeiro a agosto, foram 387.819 atendimentos.
No segundo quadrimestre, o setor registrou R$ 2.560.111,46 em entradas e R$ 3.001.470,26 em saídas de medicamentos e insumos.
Também foram realizadas 299 consultas farmacêuticas no período, chegando a 458 entre janeiro e agosto.
O índice de perda de medicamentos ficou em 0,17%, percentual muito abaixo do limite recomendado de até 5%.
Atenção Primária supera 159 mil consultas médicas
A Atenção Primária à Saúde contabilizou 159.228 consultas médicas nos primeiros oito meses de 2026.
Do primeiro para o segundo quadrimestre, o número de consultas aumentou 7,37%, passando de 76.785 para 82.443 atendimentos.
As consultas de enfermagem somaram 47.653 no acumulado do ano.
Entre maio e agosto, foram registrados 403.878 procedimentos ambulatoriais.
Na área odontológica, o número de consultas cresceu 7,90%, passando de 13.928 no primeiro quadrimestre para 15.029 no segundo.
Os procedimentos odontológicos tiveram alta de 10,96% e chegaram a 75.972 registros.
Os agentes comunitários de saúde realizaram 152.385 visitas até agosto.
Urgência e emergência registra quase 97 mil consultas no ano
A Rede de Urgência e Emergência realizou 48.891 consultas com clínico geral no segundo quadrimestre.
No acumulado de 2026, foram 96.989 consultas.
Entre maio e agosto, também foram realizadas 13.188 consultas pediátricas e 1.582 encaminhamentos hospitalares.
A Equipe Multiprofissional de Atenção Domiciliar acumulou 21.811 procedimentos ambulatoriais e 5.102 consultas entre janeiro e agosto.
Saúde Mental soma mais de 16 mil procedimentos
Na área de Saúde Mental, foram realizadas 4.446 consultas médicas especializadas no segundo quadrimestre e 8.320 nos primeiros oito meses do ano.
As consultas especializadas realizadas por outros profissionais chegaram a 4.421 entre maio e agosto.
No mesmo período, foram registrados 9.722 procedimentos ambulatoriais de Saúde Mental.
No acumulado de janeiro a agosto, o total chegou a 16.937 procedimentos.
Ao final da audiência, os números apresentados reforçaram o peso da Saúde no orçamento municipal. A manifestação de Jairo Marcos Zschornack colocou no centro do debate a divisão das responsabilidades entre Município, Estado e União e o desafio de manter a oferta de serviços diante do aumento da demanda e dos limites financeiros da administração pública.





