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Pregados na ignorância

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O vereador e presidente da Câmara de Toledo, descobriu agora que a Prefeitura compra pregos e madeira. A surpresa foi tão grande que quase transformou o almoxarifado em palco de CPI. Talvez desconheça que esses materiais continuam sendo indispensáveis para a manutenção do patrimônio público, recuperação de pontes (10 ainda existentes), reformas, escoramentos e para as caixarias que moldam o concreto das obras. Enquanto alguns enxergam apenas um prego, quem entende um mínimo de obra pública enxerga infraestrutura. O problema não está no material. Está na falta de conhecimento de quem resolveu fazer política com uma caixa de pregos.

Faltou martelo…

A tentativa de ironizar a compra de pregos em tempos de anúncios de ponte estaiada acabou acertando o próprio dedo. Antes dos cabos de aço, do concreto e das inaugurações, existe planejamento, carpintaria, formas, escoramentos e manutenção. Tudo isso, por incrível que pareça, ainda depende de madeira e pregos. Talvez esteja faltando menos prego nos estoques da Prefeitura e mais algumas marteladas de realidade na cabeça do nobre edil, que preferiu transformar ferramenta de trabalho em palanque político. Há quem faça pontes. Há quem apenas bata cabeça. Que seja dos edis e não os pregos.

Entre o prego e o concreto

Em meio ao barulho provocado pelos pregos e pela madeira, uma observação do vereador merece registro. Ao defender que Toledo substitua, de forma definitiva, as pontes de madeira por estruturas de concreto, o edil toca em um tema que realmente interessa ao produtor rural e à logística do município. Afinal, o líder estadual em Valor Bruto da Produção Agropecuária, campeão há 13 anos consecutivos, precisa pensar em obras permanentes, não em soluções provisórias.

Agora, se a proposta é cobrar da Emdur as formas metálicas para a fabricação de pilares e acelerar a construção de pontes de concreto, o debate ganha outro nível. O que não faz sentido é transformar pregos e tábuas — ferramentas indispensáveis em qualquer obra e manutenção — em símbolo de atraso. Uma coisa não exclui a outra. Enquanto as pontes de concreto não chegam, alguém continuará precisando de madeira, pregos, formas e martelo para manter as estradas rurais em condições de uso. Afinal, discurso não sustenta caminhão carregado de safra.

Festival do mimimi

As últimas sessões da Câmara de Toledo mais pareceram um festival de “mimimi” do que um espaço para discutir os problemas que realmente afligem a população. Entre lágrimas políticas, indignações seletivas e discursos ensaiados, sobrou pouco tempo para tratar do que realmente interessa.

Uma das edis resolveu vestir a fantasia de vítima porque ouviu, em um áudio, um tom de voz mais firme de um servidor comissionado. A partir daí, tentou transformar o episódio em um escândalo. Quem conhece Nelos Ferreira sabe que seu jeito gaúcho, direto e sem rodeios, pode até soar firme, mas está longe de significar desrespeito. Confundir firmeza com agressão parece ter virado estratégia quando faltam argumentos.

A cadeira e a porta

Outra parlamentar encontrou seu último grande tema antes do recesso: uma cadeira de rodas na UPA. A crítica era de que o equipamento não passava pela porta. O detalhe, convenientemente ignorado, é que existem cadeiras de diferentes dimensões justamente para atender perfis distintos de pacientes, inclusive pessoas com obesidade, e que determinadas situações exigem a abertura completa da porta, procedimento absolutamente comum em unidades de saúde. Detalhe: “AINDA HÁ MAGOAS DO PASSADO NESSA BRIGA”

Transformar uma questão operacional em espetáculo político talvez renda alguns minutos de discurso, mas dificilmente melhora o atendimento ao cidadão. No fim das contas, a impressão que ficou é que alguns vereadores passaram mais tempo procurando pregos, cadeiras e portas do que debatendo soluções para os desafios de Toledo.

Enquanto isso, os problemas reais continuam aguardando fiscalização. E o recesso chegou em boa hora… pelo menos para dar um descanso ao contribuinte que acompanhou esse espetáculo pouco edificante.

Nem tudo foi mimimi

Em meio ao desfile de reclamações, indignações e discursos de ocasião, uma pauta conseguiu unir praticamente todos os vereadores. O projeto de autoria do vereador Bruno Radunz, que institui o Dia Municipal do Associativismo, foi aprovado sob aplausos e recebeu reconhecimento unânime dos edis.

Finalmente, uma discussão voltada ao fortalecimento de um dos pilares do desenvolvimento de Toledo. Em uma cidade que construiu boa parte de sua história por meio da cooperação e do associativismo, a homenagem faz sentido e valoriza uma cultura que impulsiona o agronegócio, a indústria, o comércio e o terceiro setor.

No fim das contas, foi essa iniciativa que salvou a última sessão antes do recesso. Porque, convenhamos, entre tanto “mimimi”, alguém precisava lembrar que a Câmara também existe para produzir boas ideias.

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