O Paraná foi destaque entre os estados da região Sul no Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil, publicado pelo Instituto Sou da Paz, como exemplo de fortalecimento da investigação de homicídios. Fatores apontados pelo estudo como relevantes para o bom desempenho na investigação deste tipo de crime estão presentes nas práticas implantadas pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) nos últimos anos.
No estudo, o Paraná aparece ao lado de Rondônia, Paraíba, Mato Grosso e Minas Gerais como exemplo da adoção de boas práticas e de iniciativas concretas que apresentam potencial de contribuir com o aprimoramento das investigações de homicídios. Entre elas estão a gestão intensiva por metas, a especialização territorial, a priorização institucional e integração qualificada entre investigação e perícia.
Na análise quantitativa, a publicação considerou os dados de esclarecimento de homicídios entre os anos de 2020 e 2023 em diversos estados. De acordo com os critérios adotados pelo estudo, o Paraná apresentou desempenho médio de 72% no período, índice classificado como alto e alcançado também apenas pelo Distrito Federal e por Rondônia. A média nacional foi de 40%, considerada intermediária — uma diferença de 32 pontos percentuais em relação ao Paraná.
Esse cenário é acompanhado pelo fortalecimento das operações de repressão qualificada. Entre 2019 e 2026, o número de ações dessa natureza cresceu mais de 300%, demonstrando uma mudança de escala na atuação da PCPR, com maior capacidade de planejamento, integração de informações e enfrentamento especializado de estruturas criminosas. Somente este ano, até o fechamento do mês de setembro, a instituição deflagrou 975 operações de repressão qualificada em todo o Paraná.
“Nossas equipes estão nas ruas diariamente para executar um trabalho que tem como pilar a inteligência policial”, explica o delegado-geral da PCPR, Silvio Jacob Rockembach. “Entendemos que o fortalecimento da atividade de inteligência é fundamental para o levantamento de informações, a coordenação estratégica de ações e a tomada de decisões concretas no combate ao crime organizado”.
A atividade de inteligência é uma ferramenta para a compreensão das disputas territoriais pelo tráfico de drogas e identificação de vínculos entre homicídios aparentemente isolados. O cruzamento de dados e o compartilhamento de informações entre as unidades policiais permitem mapear lideranças criminosas, entender motivações dos crimes e direcionar as investigações com maior precisão.
Estas são práticas que vêm sendo incorporadas e aprimoradas pela PCPR nos últimos anos e que foram fortalecidas com a nova Lei Orgânica da Polícia Civil do Paraná, sancionada em maio deste ano. A nova legislação consolidou, na estrutura permanente da instituição, uma lógica baseada em especialização, inteligência e repressão qualificada. Entre outras inovações, foi criado o Departamento Estadual de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), o Departamento de Operações Especiais (DOESP) e o Departamento de Inteligência Policial (DIP), pensados para atender aos desafios atuais da segurança pública.
Esta especialização amplia a capacidade da PCPR de identificar não apenas os autores imediatos de um homicídio, mas também as organizações, lideranças, redes e estruturas criminosas eventualmente relacionadas à prática dos crimes contra a vida.
Um dos exemplos desta estratégia é a investigação financeira, que passou a contar com cinco Laboratórios de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro, vinculados diretamente ao DIP. Estas unidades atuam com base na premissa da descapitalização das organizações criminosas como forma de cortar os recursos que sustentam a sua atuação e expansão.
A experiência paranaense dialoga com as conclusões do diagnóstico do Instituto Sou da Paz, que aponta a importância de fatores institucionais e operacionais para o bom desempenho investigativo mesmo em contextos complexos. Na PCPR, a combinação entre gestão por resultados, repressão qualificada, inteligência e especialização institucional fortalece a capacidade de investigar os crimes contra a vida, responsabilizar autores e enfrentar organizações criminosas diretamente relacionadas à violência letal.
Fonte: AEN





