Foto: Agência Petrobras

Fórmula defendida pela companhia já é utilizada na Europa e na California, mercados mais exigentes em termos de redução de poluição no mundo

O gerente executivo de Comercialização no Mercado Interno da Petrobras, Cláudio Mastella, defendeu uma nova forma para a definição dos mandatos dos biocombustíveis no Brasil para aumentar os ganhos ambientais, durante a palestra online “Biocombustíveis: o caminho para o livre mercado”, realizada esta terça-feira (1/12), na Rio Oil & Gas, maior evento de petróleo e gás da América Latina.

Mastella explicou que a regulação vigente no país determina a adição de 12 % de biodiesel éster ao diesel comum, comercializado nos postos, enquanto que outros países já adotam critérios quantitativos de descarbonização da atmosfera que resultam em ganhos mais efetivos para o meio ambiente com mandatos de descarbonização, medidos em gramas de CO2 equivalente evitado por unidade de energia gerada.

“Essa mudança permitiria que os combustíveis vendidos ao consumidor final sejam efetivamente menos poluentes em toda a sua cadeia produtiva. Em vez de observar qual tipo de biocombustível está sendo utilizado, permitindo reservas de mercado para combustíveis menos eficientes, seria considerado efetivamente o ganho para o meio ambiente que um determinado combustível traz”, destacou Mastella. A fórmula defendida pela Petrobras já é utilizada na Europa e no estado americano da California, os dois mercados mais exigentes em termos de redução de poluição no mundo.

Essa mudança abre espaço para adoção de biocombustíveis mais modernos como o diesel renovável, que é capaz de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 70% quando comparado ao diesel derivado do petróleo e em 15% quando comparado ao biodiesel éster.

Durante o evento, o gerente executivo também defendeu o Renovabio, programa criado pelo Ministério das Minas e Energia para ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira. Mastella ressaltou que o programa tem como objetivos a mitigação efetiva da emissão gases causadores do efeito estufa e de poluentes locais e também  aumentar a competitividade dos biocombustíveis na matriz energética brasileira, além de acelerar o desenvolvimento e a inserção comercial de biocombustíveis avançados. A legislação federal também tem o mesmo entendimento (11.097/2005), por exemplo, ao ampliar o conceito de biodiesel de forma a contemplar avanços tecnológicos.

O executivo, no entanto, lembrou que a criação de mandatos exclusivos de natureza regulatória para determinados biocombustíveis, limitam o potencial do Renovabio, mitigando a possibilidade de o país cumprir acordos internacionais sobre mudanças climáticas.  Atualmente, por exemplo, somente o biodiesel éster pode ocupar a parcela de biocombustíveis adicionados ao diesel derivado do petróleo para comercialização aos consumidores. A restrição acaba criando uma reserva de mercado para o biodiesel de base éster e dificultando a entrada de biocombustíveis mais modernos na matriz energética brasileira. Em função de seu processo de produção, o biodiesel éster possui glicerinas e outros componentes que prejudicam a estabilidade do combustível e podem causar entupimentos em filtros, bombas e bicos injetores prejudicando o desempenho de veículos. Os problemas são agravados com a elevação do teor de biodiesel éster na mistura com óleo diesel mineral. O biodiesel éster ainda possui compostos metálicos que prejudicam o funcionamento dos sistemas de tratamento de gases de combustão presentes nos veículos. Isso contribui para que poluentes como material particulado e óxidos de nitrogênio sejam lançados no ambiente.

A Petrobras vem defendendo a possibilidade de  introdução do diesel renovável na matriz de biocombustíveis do Brasil. O diesel renovável é um biocombustível moderno, feito com matérias-primas como óleos vegetais, gordura animal e até mesmo óleo de cozinha usado, que pode ser misturado ao diesel derivado do petróleo.

A companhia concluiu este ano testes em escala industrial, onde produziu diesel R5 em sua refinaria no Paraná, ou seja, óleo diesel com 5 % de parcela renovável e aguarda a autorização do Conselho Nacional de Política Energética para que esta parcela renovável do diesel seja aceita como alternativa para cumprimento do teor obrigatório de biocombustíveis no Brasil, atualmente ocupado exclusivamente pelo biodiesel éster.

Fonte: Assessoria