A ampliação do acesso ao ensino superior no Brasil, nas últimas décadas, tem sido marcada pela implementação de políticas públicas voltadas à inclusão social e à democratização das universidades. Entre essas iniciativas, destacam-se as ações afirmativas e os programas de assistência estudantil, que buscam garantir não apenas o ingresso, mas também a permanência dos estudantes na universidade.
Esse é o foco da pesquisa que está sendo desenvolvida pela mestranda do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo, Mylena Assis, intitulada “Ações afirmativas e assistência estudantil: políticas de inclusão e permanência no ensino superior do município de Toledo – Paraná”.
A pesquisa está sendo realizada em três instituições públicas de ensino superior de Toledo, analisando como as políticas de cotas sociais e raciais e os programas de apoio socioeconômico impactam a trajetória acadêmica de estudantes oriundos de grupos historicamente excluídos do ensino superior, como jovens de baixa renda, estudantes negros, indígenas e egressos da escola pública.
A Unioeste ao longo dos anos, tem consolidado políticas de inclusão e permanência que dialogam com as diretrizes nacionais e buscam ampliar o acesso democrático ao ensino superior. Nesse contexto, o estudo está contribuindo para o aprimoramento contínuo das políticas institucionais, fortalecendo o compromisso da universidade com a equidade e a justiça social.
A Instituição conta com políticas de assistência estudantil, como auxílio moradia, auxílio emergencial e ações de inclusão digital, além de oportunidades de bolsas acadêmicas, como pesquisa e extensão, que também contribuem para a permanência e o desenvolvimento dos estudantes.
Segundo Mylena, as políticas de inclusão e permanência são fundamentais para ampliar o acesso e reduzir desigualdades estruturais no contexto universitário. “As ações afirmativas, especialmente as cotas sociais e raciais, têm impacto direto no ingresso desses estudantes na universidade. Elas representam uma porta de entrada para sujeitos que, historicamente, foram afastados desse espaço”, destaca.
No entanto, o estudo tem como premissa que o ingresso não garante, por si só, a permanência e o sucesso acadêmico. Embora avanços sejam reconhecidos, o estudo aponta que as desigualdades de classe, raça e gênero continuam a se expressar no cotidiano universitário, influenciando o desempenho e as condições de permanência dos estudantes.
A pesquisa, sob orientação da docente Marize Rauber, também aponta que as questões de gênero impactam a trajetória universitária, sobretudo pela sobrecarga de trabalho e responsabilidades que recaem sobre as mulheres, refletindo desigualdades estruturais da sociedade brasileira. Para a mestranda, esses dados reforçam a importância do contínuo fortalecimento das políticas de ações afirmativas e assistência estudantil, com ampliação de recursos e maior articulação com outras políticas sociais.
Outro eixo central do estudo é o papel estratégico do Serviço Social na garantia do direito à educação no ensino superior. A pesquisa evidencia a atuação dos assistentes sociais na análise socioeconômica dos estudantes, na mediação do acesso aos benefícios institucionais e no acompanhamento de situações de vulnerabilidade social que podem impactar a permanência acadêmica.
Para Mylena o Serviço Social atua diretamente na defesa dos direitos dos estudantes. “E na prevenção da evasão, contribuindo para a construção de políticas mais justas e eficazes dentro das universidades”.
A atuação multiprofissional, com equipes compostas por assistentes sociais, psicólogos, pedagogos e outros profissionais, também é destacada como essencial para uma abordagem integral das demandas estudantis. Essas equipes possibilitam ações articuladas de acolhimento, escuta qualificada, promoção da saúde mental e apoio pedagógico, fortalecendo o compromisso institucional com a inclusão e a permanência.
Fonte: Unioeste/Alexander Marques





